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Mulher que teve nádegas cortadas tem ‘boa evolução’ e fará cirurgia

Violência Comentários 23 de outubro de 2014

Caso está sob a responsabilidade da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher. Duas linhas de investigação foram abertas, de acordo com a Polícia Civil. Marido da vítima é suspeito de ter cometido o ato


Nesta semana, veio à tona em Anápolis o caso da jovem R.S., que não terá a identidade ou dados pessoais revelados nesta matéria, para a sua própria proteção. A garota estava internada no Hospital de Urgências de Anápolis (Huana), onde chegou no dia 16 de agosto, trazida pelo Samu, apresentando várias feridas na região das nádegas, conforme informou o diretor técnico desta Unidade Hospitalar, Luiz Cláudio Rezende Gonçalves. A repercussão se deve ao fato de familiares terem denunciado que o marido da vítima teria cometido as dilacerações.
R.S. foi transferida nesta quarta-feira, 22, para o Hospital Geral de Goiânia (HGG), onde ficará sob os cuidados do cirurgião plástico Sérgio Augusto da Conceição, coordenador da Residência em Cirurgia Plástica do HGG. Ele informou que a jovem foi “muito bem assistida” em Anápolis e que apresenta “boa evolução cicatricial” (cicatrização). “Nossa função aqui (no HGG) é dar continuidade e melhorá-la mais”, explicou. A paciente está recebendo acompanhamento psicológico, psiquiátrico, de enfermagem e com nutricionista e terá o acompanhamento dos setores de urologia e proctologia.
O objetivo no momento, conforme apresentou o cirurgião plástico Sérgio Augusto, é “melhorar o estado dela, fechar a área das feridas, e melhorá-la também psicologicamente”, para que ela tenha condições de passar por um procedimento cirúrgico de enxerto. A expectativa é que a primeira cirurgia ocorra entre uma a duas semanas. Ele entende que R.S. ficará com “sequela definitiva” por conta dos ferimentos e, possivelmente, ela vai precisar de outros procedimentos cirúrgicos.
Conforme explicou, o “trânsito” do intestino foi desviado em Anápolis no Huana, com a realização de uma colostomia e a inserção de uma sonda para que ela urine e defeque. Estes procedimentos foram feitos para que não contamine a região que está ferida. “Existe a possibilidade de a paciente voltar cem por cento com estas funções”, explicou. O profissional afirmou que a colostomia e sonda “estão funcionando bem”. E completou que “com certeza, ela vai ter um prejuízo estético grande”.
O médico qualificou o procedimento cirúrgico como “medida heróica de cobertura, de fechamento” da região ferida e disse que o objetivo é “diminuir o sofrimento dela”. Mas, afirmou que não será possível reconstituir o local com o mesmo aspecto que tinha antes do ocorrido. Serão feitas todas as análises para saber a extensão e gravidade do ferimento.
Como a paciente perdeu pele, tecidos muscular e gorduroso, haverá a necessidade de enxerto. Será feita, conforme explicou o cirurgião plástico, “rotações de tecidos”. Sobre as possíveis causas das lesões, ele indicou que, pelo fato dela já ter passado em Anápolis por alguns procedimentos, houve uma descaracterização da ferida, o que não permite um parecer sobre o que teria causado os ferimentos originais. “O mais importante para mim é cuidar dela”, atestou.
Apesar da vasta experiência em cirurgias plásticas, inclusive na região das nádegas, ele ponderou que nunca atendeu um caso semelhante ao de R.S.. Os casos que passaram pelas suas mãos com ferimentos nesta região incluem quedas em vasos sanitários, acidentes automobilísticos, injeções de medicamentos ou produtos que causaram infecções. O caso da paciente foi qualificado por ele de “um caso bem grave, de grande extensão na região glútea”. Atualmente, a jovem se encontra em um quarto isolado do HGG, mas, de acordo com o cirurgião Sérgio Augusto, ela conversa e anda, atividades que foram recomendadas pela própria equipe médica.
Ele alertou para o fato de que “houve uma grande exposição da paciente”, tanto por parte da mídia, quanto por parte da população. E se mostrou sensibilizado com o caso, indicando sobre a necessidade de tratamento humanizado para a paciente ao abordar o caso ou relatar o caso. O Jornal Contexto verificou que as imagens das feridas de R.S. foram amplamente divulgadas nas mídias sociais.

Caso
R.S. foi internada no Hospital de Urgências de Anápolis no dia 16 de agosto até ser transferida para o Hospital Geral de Goiânia (HGG), nesta quarta-feira, 22. Quando chegou ao Huana, a primeira informação foi de que ela havia sido vítima de um atropelamento. Até o dia 11 de setembro, ela permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva. De acordo com informações da Assessoria de Comunicação do Hospital de Urgências, a paciente passou por um processo de estabilização, para evitar infecções. Durante o período em que ficou na instituição, foi submetida a curativos e cuidados no local ferido.
O diretor técnico do Huana, Luiz Claudio Rezende, afirmou que a “nádega necrosou como consequência de lesões perineais” e que foram feitos procedimentos para retirar o tecido necrosado. Conforme informou, a equipe do Hospital não pode informar ainda quais foram as causas dos ferimentos.
Investigações
As investigações do caso estão a cargo da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Anápolis (DEAM). Ao falar sobre o fato, o delegado regional da Polícia Civil no município, Álvaro Cassio, afirmou que existem hoje duas linhas de investigação abertas. Uma delas leva em conta a possibilidade de R.S. ter se envolvido em um acidente automobilístico. Uma outra linha, decorrente de acusações feitas por familiares, indica que o ex-marido da mulher tenha cortado as nádegas da esposa.
“Ele nega a autoria de qualquer coisa”, declarou Álvaro Cássio. A Polícia Civil, conforme afirmou, enviou um ofício ao Hospital de Urgências de Anápolis para que seja feito um laudo indicando se houve a utilização de objetos perfuro-cortantes na produção da lesão. O que se sabe, declarou, é que “os dois (marido e mulher) são alcoólatras. E ela alcoólatra e usuária de drogas”. Ele concluiu afirmando que, embora o marido não tenha passagem pela polícia, “tem um histórico de agressão”.

Autor(a): Felipe Homsi

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