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Mulher procura por pais biológicos

Geral Comentários 04 de dezembro de 2014

Registrada em Uruaçu no ano de 1977, ela busca, inconsolável, alguma notícia que leve aos seus genitores: “Ninguém sabe do meu passado. De onde que eu vim? Qual buraco que eu saí? Eu não sei de nada, nada, nada de mim”


Janaina Felix da Costa tem documentos que atestam sua data de nascimento como o dia 03 de outubro de 1977. “Eu nem sei se meu pai (adotivo) me registrou na data certa”, declarou. Seus pais adotivos eram Severino Felix da Costa e Maria Aparecida de Paula, já falecidos. “Ninguém sabe do meu passado. De onde eu vim? De qual buraco eu saí? Eu não sei de nada, nada, nada de mim. A única coisa que eu sei é que meu pai (adotivo) era garimpeiro, que me adotou para agradar à minha mãe, que não podia ter filhos. Essa é a história que eu sei”, declarou emocionada.
“Eles deveriam ter me contado a história antes (de morrer)”, declarou. Histórias contadas por terceiros indicam que Janaína foi entregue, ainda bebê, por uma mulher ao seu pai adotivo, mas não há “como garantir” a veracidade desta história. Com um ano e dois meses de vida, sua mãe adotiva morreu. Seu pai adotivo se casou com outras duas mulheres depois disso e, conforme informou, tem cinco irmãos em cidades do Estado de Goiás.
Aos 16 anos Janaina Felix da Costa saiu de casa. Ela se casou pela primeira vez por volta desta época. Aos 21 anos, quando regressou para seu lar, seu pai já havia falecido. No período compreendido entre sua adoção até os 16 anos de idade, ela não obteve, por parte do pai adotivo, muitas informações a respeito da sua história. “Meu pai só falava da mãe (adotiva), que tinha falecido, a Maria Aparecida de Paula. Porque eu perguntava: ‘pai, e minha mãe?’. Ele falava a história: ‘Ah, sua mãe morreu assim, mas ela mandou eu te cuidar muito bem’. Aí que eu vim saber da história que eu era adotiva. Para mim, ela era minha mãe de sangue. Eu vim a saber da minha história verdadeira, que eu era filha adotiva”, disse em prantos, durante entrevista na redação do Jornal Contexto.
Um fato, ocorrido quando era criança, intriga Janaina. “Eu tinha 5, 6 anos de idade. Essa cena eu nunca esqueço. Uma mulher bem alta, praticamente quase do meu tamanho, o quadril bem largo, o cabelo sarará, com um senhor de idade. Entrou no corredor da casa da minha mãe Nilza (mulher que cuidava dela na ausência do pai)”, relatou. “E me viu no fundo. Pegou na minha mão, falou assim: ‘um dia eu volto para te buscar’. E nunca mais vi. Essa cena eu nunca esqueço”, disse Janaina.

“Me dá uma luz”
Janaina Felix da Costa mostra o sentimento de quem já procurou muito pelos pais biológicos. Dos 16 aos 21 anos, período em que ficou fora de casa, ela afirma que não soube de qualquer notícia de onde se encontrariam seus genitores. “Nada, nada, nada, ninguém sabe de nada de mim. Nada. O meu sonho é esse (achar os pais). Eu não vou ter paz, enquanto eu não realizar”. Ela contou, com a tristeza e o olhar de quem já sofreu ao longo de sua vida, a história deste período.
A mulher citou onde procurou por seus pais: “Na vida, porque eu era da vida. Eu deitava com um, pensava que eu estava deitando com meu pai. E pensando de encontrar a minha família. Onde eu passo, até hoje, eu conto a mesma história”. Algumas tentativas foram feitas em anos recentes nos programas de televisão do Ratinho e do Gugu Liberato e em uma rádio de Uruaçu, para tentar encontrar pistas dos seus pais biológicos.
“Minha porta encheu de gente lá em Uruaçu. Toda mãe falando que era minha mãe. Eu falava: ‘mas, da cor disso aqui, desse tamanho, falava que era minha mãe’”, disse sobre o fato de nenhuma das que foram à sua casa parecerem com ela. Foi sugerida, à época, a realização de exame de DNA, mas, conforme destacou Janaina, “DNA, fazer em todo mundo, não tem lógica”.
Seu relato continua em tom triste. “Porque eu não tenho mais nada. Nada nesse mundo”, lamentou. Ela afirmou que seus pais biológicos não deixaram registrados nos documentos de Janaina os nomes de família deles, o que teria ajudado na busca. Ela mantém contato com suas duas madrastas até hoje, com quem conversa a respeito da sua origem. Pessoas de Uruaçu, também, dão informações a seu respeito. “Eu penso comigo: ‘mas alguém deve saber. Alguém deve saber de alguma coisa’”, continuou.
Janaina é casada pela 4ª vez. Ela, que está em Anápolis há 11 anos, informou que ainda não foi à Polícia, Ministério Público, Conselhos Tutelares, internatos ou outro órgão público para tentar encontrar os seus pais. Apena em um cartório próximo a Uruaçu. Em Anápolis, o primeiro local onde foi para buscar por eles foi o Jornal Contexto. “Nem sei se eu fui roubada, eu não sei”, acrescentou no seu relato, “porque ninguém sabe”. “Me dá uma luz. Que apareça alguém; um primo; um avô; um tio, sei lá, uma luz no meu sangue”, concluiu, pedindo o apoio para pode descobrir sua história.

Autor(a): Felipe Homsi

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