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Mulher luta contra preconceito e burocracia para trabalhar

Comportamento Comentários 19 de dezembro de 2014

Ela enfrenta desafios para superar um processo trabalhista e retomar a sua vida normal


Maria Auxiliadora Carvalho Vieira de Paulo, 51 anos de idade, moradora na Vila Santa Isabel, até há poucos anos, levava um vida dentro dos padrões: tinha emprego numa grande empresa de Anápolis e gozava de uma boa saúde. Essa realidade começou a ser alterada há quase cinco anos, quando desenvolveu uma doença ocupacional, uma LER- Lesão por Esforços Repetidos. A partir de então, o livro da sua história começou a ser marcados por alguns fatos que transformaram a sua realidade.
Depois de 22 trabalhando na mesma empresa, Maria Auxiliadora foi afastada em razão da doença que a acometeu e, depois, obteve a liberação por parte do INSS para voltar a trabalhar, porém, apontando uma série de limitações. Ela voltou a trabalhar na mesma empresa - que preferiu não citar o nome - mas devido às limitações, começou a ser remanejada de área. Até que, um dia, ela e outra funcionária se envolveram numa discussão e, daí a pouco tempo, foi demitida por justa causa.
Sob orientação, Maria Auxiliadora buscou auxílio de uma advogada e conseguiu, na Justiça, reverter a justa causa e, também, receber R$ 4 mil relativo aos direitos trabalhistas. E, ficou acertado, ainda, que ela teria direito a uma pensão de R$ 185,00 até completar 75 anos e um plano de saúde. De janeiro até julho, o valor da pensão foi pago diretamente a ela, mas, depois, a empresa começou a fazer os depósitos em juízo, o que é garantido na lei, uma vez que o processo não chegou ao final, ou seja, ainda não transitou em julgado. O plano de saúde não se viabilizou, diante uma série de obstáculos que foram colocados para o acesso ao mesmo.
A contenda jurídica já se arrasta por cerca de quatro anos. Neste período, Maria Auxiliadora teve que se reinventar para garantir a sobrevivência, uma vez que o marido, um operador de máquinas, não ganha um bom salário e, ela, ainda, tem de cuidar dos pais idosos - o pai sofre de Alzheimer - e do restante da família. “Abri uma brechó e comecei a vender roupas usadas. Além disso, tive muito apoio das pessoas da igreja. Se não fosse isso, não sei o que teria acontecido”, relatou.
Mas, ainda não era o bastante e Maria Auxiliadora resolveu voltar a estudar, para tentar uma “vida melhor”. Fez o supletivo e está quase completando um curso superior de Serviços Sociais, uma profissão que não deverá lhe exigir muitos esforços físicos. Tudo parecia no caminho. Porém, outras barreiras surgiram. Com o processo trabalhista em andamento, ficou difícil arrumar um novo emprego com carteira assinada. “Quem vai querer contratar uma pessoa nesta condição e que teve uma doença ocupacional. Eu não pedi isso, ela veio e não tive como fazer nada. Mas, não sou incapaz”, pondera, acrescentando que sua luta, agora, é para conseguir um estágio e, em breve, trabalhar na sua nova profissão. “Não vou desistir”, sentencia Maria Auxiliadora, dizendo que o que mais quer é que o processo na justiça chegue ao seu final, para que possa retomar a sua vida sem amarras. Em relação ao INSS, Maria Auxiliadora espera, também, por uma definição com relação à cessão de um auxílio doença ou aposentadoria.
Apesar de tudo o que aconteceu, ela disse que a firma onde trabalhava “era uma boa empresa”. E, disse ter ficado um pouco “revoltada” com a situação de precisar trabalhar e ficar “travada” num processo trabalhista moroso. “Quero que acabe logo isso para que eu possa fechar essa página da história”.
Histórias como a de Maria Auxiliadora refletem a realidade de um sistema trabalhista e previdenciário que precisa ser modernizado, para evitar que as pessoas se tornem, praticamente, reféns de demandas jurídicas e burocráticas que queimam boa parte do tempo de trabalhadores e empregados. E é, também, um retrato de alguns preconceitos que a sociedade ainda carrega. Mas, a personagem desta matéria mostrou que tem força de vontade e capacidade superação. De dificuldade em dificuldade, mostrou que é possível dar a volta por cima. A torcida é para que ela possa, de fato, fechar as páginas ruins e abrir novas e boas páginas na sua história.

Autor(a): Claudius Brito

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