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Mulher abriga, em casa, mais de 60 cães e gatos

Cidade Comentários 11 de abril de 2014

Há 10 anos ela abandonou sua vida social para cuidar de animais que foram deixados nas ruas


O amor pelos animais fez com que Rosadite da Mota, 62, transformasse sua casa em um abrigo para cães e gatos. Hoje, ela tem mais de 60 bichos em sua residência. No entanto, alguns vizinhos reclamam dos transtornos causados pela quantidade de animais acumulados em um terreno pequeno e ameaçam levá-la à justiça. Rosa, como é mais conhecida, encontra-se desesperada, com receio de que seja obrigada a abrir mão dos animais, que já foram abandonados uma primeira vez, por não ter para onde levá-los.
Ela se dedica há mais de 20 anos a abrigar animais de rua, principalmente cães, em sua casa. No início, era uma coisa normal e eram poucos os animais. Mas com o passar do tempo as pessoas começaram a descobrir o trabalho que Rosa estava fazendo e passaram a deixar os bichos por lá. Mesmo sem o consentimento da mulher, muitos passam os bichos pelas grades do portão e até por cima do muro.
A situação foi fugindo do controle e, hoje, por não ter coragem de devolvê-los para a rua, os únicos cômodos da casa que não têm cachorro nem gato é seu quarto e a cozinha. Ela, também, não pensa em doá-los. Muito menos em levá-los para algum abrigo como a Associação Protetora e Amiga dos Animais (Aspaan), por exemplo.
E, existem animais de todo jeito: filhotes; velhinhos, deficientes e até epiléticos. Uns mais agressivos, de tanto terem sofrido nas ruas, outros mais carentes, que latem o tempo todo, querendo chamar a atenção. Rosa já perdeu a conta de quantos cachorros cuidou. Foram mais de 200, segundo seus cálculos. Muitos nasceram e também morreram por lá.
“Minha casa é um canil. Eu não tenho nojo. Tenho compaixão. Desde criança tenho misericórdia. Quando vejo um cachorrinho na rua sofrendo e não posso pegar, sinto vontade de morrer. Quando saio de casa, peço a Deus que não me deixe ver porque sinto um desespero imenso”, contou.
Mesmo com a ajuda de algumas pessoas, defensoras dos animais, que doam rações; medicamentos; consultas veterinárias, castrações e produtos de limpeza, a situação de Rosa é crítica. Não, apenas, pelos transtornos dos quais a vizinhança reclama, mas, pelo fato de que há 10 anos ela se tornou prisioneira de um gesto de amor que tenta amenizar e corrigir a inconsequência de pessoas que abandonam seus animais.
“Eu vivo de favor na casa do meu ex-marido. Ele me deixa morar aqui na condição de que eu cuide da mãe dele, de 80 anos, que mora na casa dos fundos e é separada da minha por um portão e um corredor. Fora o tempo que passo lá, não posso sair de casa para nada. O minuto que saio, os cachorro latem muito e tenho medo de incomodar os vizinhos. E, eles estão certos, eu sei disso. Mas o que eu posso fazer? Abandoná-los novamente? Prefiro morrer”, desabafou.
Os filhos e netos não podem frequentar sua casa. Aliás, ninguém pode. Só Rosa consegue entrar e, quando sai, é por apenas alguns minutos. Ela não vai a festas de família, não pode tomar um lanche na rua e precisa contar com o apoio de poucos para realizar tarefas como ir ao supermercado ou a padaria.
Rosa conta que recebe pouco mais de 600 reais para cuidar da ex-sogra e que todo esse dinheiro é deixado no petshop. Os animais consomem uma média de 10 quilos de ração por dia. E mesmo com as doações e deixando todo seu salário no estabelecimento, ela ainda tem uma “notinha pendurada” no valor de aproximadamente 700 reais.
Tudo o que Rosa mais gostaria é que pessoas se sensibilizassem e a ajudassem a conseguir um terreno maior para que ela pudesse levar todos os animais. “Não precisa nem ter construção, só uma lona pra eles se abrigarem da chuva e do sol”, concluiu. Até ela reconhece que a situação em que vivem hoje, ela e os animais, não é adequada.

Zoonoses e Aspaan
Procurada pelo CONTEXTO, a coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses, Elisângela Sobrera, explica que se dispôs a ajudar Rosa oferecendo castração e até recolher alguns animais. No entanto, ela nunca mais teria entrado em contato com o órgão.
A Aspaan ajuda com frequência enviando veterinário e, às vezes, com doações de ração. Para a presidente da associação, Thaís Gomes de Souza, a situação de Rosa é muito complicada por ela ter muito amor aos animais e não aceita doá-los. “Já conseguimos boas pessoas dispostas a adotarem alguns animais, mas ela não consegue abrir mão deles”, disse.

Amigos
A esteticista, Suely Morgantini admira o trabalho de Rosa e ajuda como pode. Ela corre atrás de doações de rações e o que mais os animais precisarem. “Essa mulher é um anjo e desempenha um trabalho que a Prefeitura deveria fazer, mas não faz. O desespero dela é tão grande, que ela varre a rua inteira, na tentativa de ser aceita pela vizinhança. Precisamos ajudá-la, não podemos cruzar os braços”, falou.
A sócia do petshop, Sandra Kamimura, também, reconhece o esforço que Rosa faz para manter os animais. Ela vai ao estabelecimento pelo menos uma vez por semana comprar ração. Quando o dinheiro falta, ela leva para pagar depois. “Nós ajudamos como podemos. Pedimos e muitos clientes doam ração. Doamos remédios e tem também uma veterinária que não cobra pelas consultas e, ainda, castrou alguns machos”, lembrou.

Doações
As pessoas que se sensibilizarem e desejarem ajudar, podem entrar em contato com a Rosa no telefone 82122369. Ou, também, procurar o Agroshop, localizado na Rua Mauá n°338- Centro, e telefone 3324 2087, para fazer doações que possam abater a dívida e também comprar rações.

Autor(a): Wanessa Mereb

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