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Movimento extremista distante da religião

Geral Comentários 22 de janeiro de 2016

Jornalista e palestrante avalia conflito de movimentos extremistas que têm gerado reflexo em todos os países do mundo


O jornalista Mounjed JamalEddine conhece, como poucos, os conflitos que ocorrem nos países do Oriente Médio, na porção Norte da África e em parte da Ásia, onde se concentram países em que a maioria da população segue o islamismo, considerada a segunda maior religião do planeta, depois do cristianismo. E, mesmo depois de conhecer de perto a realidade em alguns desses países, ou, de ouvir as histórias dos seus pais e avós, JamalEddine se emociona com os capítulos mais recentes do que se pode chamar de uma “tragédia anunciada”, rotulada de Estado Islâmico.
De fato, as imagens que têm ocorrido o mundo são chocantes, com crianças morrendo nos braços dos pais em fugas arriscadas pelo mar Mediterrâneo; crianças e adultos morrendo de fome em campos de refugiados; gente deixando para trás seus países, suas casas, parte das famílias e amigos em busca de um lugar seguro, longe dos conflitos.
Na opinião de JamalEddine, o que acontece, principalmente na região do Oriente Médio, é influência, ainda, da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, ocorrida em 2003, no governo de George W. Bush, com o objetivo de derrubar o regime de Saddam Hussein. Alguns anos depois, aconteceu a chamada “Primavera Árabe”, também, um levante contra regimes ditatoriais, sobretudo, no Norte da África e no Oriente Médio.
“Na Síria, sempre havia uma oposição à ditadura do clã Assad e, imediatamente, houve forte reação, inclusive, com atos violentos. E, nesta movimentação toda, se infiltraram mercenários vindos de movimentos do Iraque e que vieram em socorro à oposição síria contra o governo Bashar-al Assad”, destacou o jornalista, acrescentando que surgiu assim o Estado Islâmico, que teve como um dos fundadores um iraquiano da família Bagdad.
JamalEddine aponta que a intenção do grupo é criar um califado (Estado) e levantaram bandeiras como se estivessem falando em nome do Islã. “Só que o Islã não tem dono e, portanto, ninguém tem esta autoridade”, observa, dizendo, ainda, que o Estado Islâmico cresceu e começou a receber muitos adeptos, inclusive, muitas pessoas que não conhecem o Al Corão. Oficialmente, o Estado Islâmico, também, não nem reconhecimento de nenhuma república ou país. E, hoje, suas estruturas estariam sendo financiadas com a tomada de campos de produção de petróleo e por resgates de pessoas sequestradas. Nas redes sociais, o Estado Islâmico faz questão de demonstrar poder por meio da violência.

Extremismo
“É um extremismo absurdo”, classifica JammalEddine. Conforme avalia, o movimento é duramente combatido com a união de forças de algumas potências mundiais, entre eles os Estados Unidos que, reitera, foi quem contribuiu para que os conflitos na região se acirrassem, fazendo emergir os extremistas (chamados também de xiitas); França e, até, a Rússia. “A religião - o Islã - nada tem a ver com tudo isto que está acontecendo. O que está acontecendo é um problema político, não de religião", pondera.
O jornalista Mounjed JamalEddine faz palestras sobre o tema - que é bastante complexo - para que as pessoas possam entender melhor tudo o que está acontecendo por lá, nos países de maioria muçulmana, mas que tem reflexo em todos os países, inclusive no Brasil e até em cidades como Anápolis, que tem recebido refugiados sírios, libaneses e de outros países em conflito. Seu público-alvo é composto, sobretudo, de estudantes universitários. “Mas onde for chamado, tenho imenso prazer em falar sobre a religião, sobre o sofrimento das pessoas que fogem da violência e da intolerância”, diz. “Fiquei, e fico, muito triste com tudo o que a gente vê e nós somos uma religião pacífica, que segue as suas tradições”, arremata.

Autor(a): Claudius Brito

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