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Motivo Fútil de Homicídios leva a criação da Campanha “Conte até 10”

Geral Comentários 23 de novembro de 2012

Promotores deverão tomar iniciativa para que o projeto seja aplicado em Anápolis


No último dia 09 o Ministério Público de Goiás lançou a campanha “Conte até 10. Paz. Esta é a atitude”, que tem como objetivo alertar a todos sobre a ocorrência dos chamados “homicídios feitos por impulso”, ou seja, mortes que ocorrem por motivos banais como buzinadas no trânsito; estresse ao dirigir; brincadeiras de mão na escola, alguma conversa mal esclarecida, etc. O lançamento, em Goiás, ocorreu um dia depois do lançamento nacional, em Brasília, feito pelo Conselho Nacional do Ministério Público.
Com tanta correria nos dias atuais, não é difícil se deparar com algum ‘estressadinho’ por aí. Muitas pessoas se aborrecem e criam situações que poderiam ser deixadas de lado, e ignoradas. Porém, outra parte dessas pessoas, prefere criar tumultos e tempestades que levam a ocorrências muito graves.
De acordo com os dados da Estratégia Nacional de Segurança Pública (Enasp), mais de 50% dos homicídios em vários estados brasileiros acontecem quando motivados por impulsos ou motivos fúteis, não diretamente associados à criminalidade. Na Capital Goiana, 53% deles ocorrem por estas causas, e no Estado, como um todo, esses números chegam a 60%.
De acordo com a Coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Educação do Ministério Público de Goiás, Simone Disconsi de Sá Campos, a idealização desta campanha começou no ano passado e ganhou formas em 2012. “Começamos os trabalhos em 2011. Esta inciativa foi criada pelo Conselho Nacional do Ministério Público, juntamente com o Ministério da Justiça. Esses órgãos estaduais participam com adesão, lançando a campanha para todo o Estado de Goiás”, explica.
O surgimento desta proposta se deu devido a um levantamento feito pelo Ministério da Justiça sobre o número de mortes motivadas por impulso ou motivo fútil. Segundo Simone, os números foram muitos significativos. “Nós tínhamos uma ideia de que os crimes eram motivados por traficantes e usuários de drogas, mas não eram. Recebemos a informação de que grande porcentagem acontece por intolerância. O Conselho Nacional achou interessante, então, levar esse histórico a público e mostrar para as pessoas terem conhecimento”. Ela explica que, há uma necessidade de se estimular e trabalhar a tolerância das pessoas, e que esse é um movimento de paz com um ‘slogan’ especial, que diz: “Conte até 10. A raiva passa e a vida fica”.
O desenrolar desta campanha em Anápolis dependerá das ações e do interesse dos promotores em trabalharem com a comunidade anapolina. A coordenadora fala que, esta campanha foi dividida em dois momentos. “O primeiro será feito nos quatro primeiros meses onde vamos trabalhar com a divulgação. Os VT’s já foram repassados, e os três jingles criados já foram encaminhados para as rádios. Caso alguma delas não receba, eles ficarão disponíveis e poderão ser baixados no nosso site. Também estamos enviando ofícios para os promotores de cada comarca para informar sobre este material, para que o eles se empenhem e peçam apoio aos veículos de comunicação. Alguns promotores realizarão audiências públicas para discutirem o assunto, mas cada um estará livre para trabalhar como achar melhor. O segundo momento será a partir de janeiro, onde iniciaremos as atividades nas escolas com material pedagógico”, fala.
Outras cidades do Estado como Itumbiara, já entraram em contato e estarão ativamente participando da Campanha Conte até 10.
A conscientização será de uma forma dinâmica e divertida. O tema chama atenção e não deixa de ser sério. Simone Sá Campos se diz entusiasmada e espera bons resultados deste novo projeto. “Nós achamos que a abordagem ficou leve. Traremos essa questão do esporte, da luta para esta discussão também. Acredito no sucesso da campanha”, finaliza, lembrando a todos que não é necessário brigar por besteiras e que isto não está acima da vida e do respeito. “Não queira fazer justiça com as próprias mãos. Não confunda ser valente com ser intolerante. Sabemos da crise que a justiça vive. Afinal, quem sairá mais prejudicado não será a vítima e, sim, o ofensor. Quem agride perde a razão”.

Autor(a): Diego Bartelli

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