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Morte de jovem apressa o novo Centro de Internação

Cidade Comentários 15 de maio de 2009

Assassinato de um rapaz de 16 anos reforçou a ideia de que Anápolis precisa de um local adequado para abrigar menores praticantes de atos antissociais.


Um crime ocorrido no interior do Centro de Internação de Adolescente de Anápolis (Ciaa) colocou em alerta policiais, comandantes da polícia, monitores, juiz e promotor da Infância e Juventude. Na madrugada do dia 10, o adolescente Victor Alexandre, 16, foi enforcado dentro do alojamento. O autor, Ronie Blemer Couto Pereira, 20, disse que fez isso porque o colega de cela era um “cagueta”, ou seja, passava informações do submundo do crime para as autoridades policiais.
O assassinato na Ciaa é o primeiro que ocorre após 14 anos de funcionamento no 4º Batalhão da Polícia Militar. De acordo com o juiz da Infância e Juventude, Carlos Limongi Sterse, espera-se que seja o único e último. Apesar de não haver superlotação nas celas (são 17 reeducandos em local com capacidade para 20) o resultado final das investigações irá delimitar novas ações de segurança. “É preciso saber se houve erro da segurança, omissão ou cumplicidade dos companheiros de cela”, disse.
Para o juiz, esse acontecimento fez com que se reforçasse a necessidade de um local específico para os adolescentes infratores. “É uma luta que enfrentamos há anos e somente agora é possível perceber ações conjuntas”, afirmou ao mostrar o projeto do novo Centro de Internação.
Carlos Limongi relatou que o caso é, também, um reforço da idéia de que o perfil dos garotos infratores tem mudado e vem ficando mais agressivo. Segundo ele, o consumo de crack é a maior causa de tanta violência. “Crimes antes ocorridos em celas de adultos estão ficando rotineiras nas celas de adolescentes; o assassinato é um sinal de que devemos reforçar a segurança”, comentou.
Dados apresentados pelo juiz constam que pelo menos 15 adolescentes foram assassinados este ano por envolvimento com drogas. Como foi o caso de Victor Alexandre e Ronie Blemer. Ambos consumidores de crack, foram detidos por furto e roubo.
O menor Victor estava foragido da unidade de semi-liberdade desde sexta-feira (8). Quando encontrado, foi levado para o Ciaa. Na manhã do dia 10, Ronie chamou o monitor dizendo que havia um morto na cela. Momentos depois ele confessou o crime e foi encaminhado diretamente para o presídio. Dentro da cela estavam outros três menores infratores que afirmaram não ter visto, nem ouvido, nada. Ronie de 20 anos estava detido com os adolescentes, pois cumpria pena desde a época em que era menor de idade.

Ação
Victor Alexandre morava com a avó que afirmou “não agüentar mais ver o neto consumindo drogas”. Mesmo diante da morte, a família pode entrar com ação indenizatória, conforme explicou o promotor de justiça da infância de juventude Carlos Alexandre Marques. Segundo ele é uma responsabilidade do Estado, pois o menor estava sob custódia do poder público e o crime deve ser apurado. A unidade de internação é gerenciada pela Secretaria de Cidadania.
De acordo com o promotor, que atua na defesa judicial e extrajudicial dos direitos fundamentais da criança e do adolescente, estão sendo aguardados os relatórios de como o fato, realmente, aconteceu e com base nos dados deverão ser tomadas as providências. “Verificaremos se houve negligência dos funcionários e haverá, também, investigação da polícia civil e uma sindicância interna”, disse o promotor.
Segundo ele, este é o mesmo pensamento do juiz, o de que a criminalidade vem aumentando e, paralelamente o grau de periculosidade dos menores infratores devido ao consumo de drogas como a merla e o crack. Ele citou casos ocorridos de assassinatos em Belo Horizonte, Distrito Federal, Goiânia e Florianópolis, onde menores foram mortos.
“Todos os adolescentes infratores têm ou tiveram envolvimento ou rixa por problemas com drogas e é uma situação que deve ser refletida pela sociedade”, ressaltou. E para minimizar as chances de ocorrer crimes semelhantes, novamente, o promotor disse que deverão ser ampliadas as medidas sócio-educativas. “Anápolis é uma das poucas cidades que aplicam integralmente essas medidas, mas podemos melhorar cada vez mais”, disse.

Correlata:

Novo centro de internação

Até o final do ano, segundo o juiz da Infância e Juventude, Carlos Limongi Sterse, deverá ser construído o novo Centro de Internação de Adolescente de Anápolis (Ciaa). Segundo ele, a luta vem de seis anos atrás e as autoridades locais estão cobrando diariamente da Secretaria Estadual de Cidadania e do Governo Federal que disponibilizariam a maior parte da verba.
O juiz mostrou ao CONTEXTO a planta do novo Ciaa. Serão 80 alojamentos individuais. A área a ser construída é de 4.221,39 metros quadrados. Funcionarão, ali, centro de convivência, pavilhões separados por grau de periculosidade dos internos, escola e área de alimentação também separada. “Essa medida de colocar o adolescente sozinho é para que possa ter uma introspecção maior, refletindo sobre o delito cometido”, disse.
Para a construção foi liberado um recurso do governo federal na ordem de R$ 8 milhões. O local escolhido é o espaço do antigo Aprendizado Agrícola “Sócrates Diniz”, na BR-060, Km 45 - Trevo Daia. A medida também prevê uma readequação dos recursos humanos necessários para a segurança dos menores infratores, bem como de educadores.

Autor(a): Jackeline Rust

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