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Morhan ganha revitalização na unidade em Anápolis

Cidade Comentários 12 de junho de 2015

Através de um projeto acadêmico, dos alunos do curso de Administração da Faculdade Católica de Anápolis, entidade que assiste pacientes com hanseníase foi revitalizada


Em 1981 iniciou-se um trabalho humano, social e voluntário conhecido como Morhan, Movimento de Reintegração do Hanseniano. Naquela época os hansenianos viviam em colônias e eram discriminados pela sociedade e pela própria família.


“A missão do Morhan é possibilitar que a hanseníase seja compreendida na sociedade como uma doença normal, com tratamento e cura, eliminando assim o preconceito e estigma em torno da doença”, ressalta Carlos Tadeu, que dirige a instituição. Ele explica que hoje em dia a hanseníase não oferece risco para a sociedade, desde que o paciente busque tratamento. Atualmente, a entidade possui 30 leitos e geralmente a equipe recebe doentes bem debilitados.


Para o diretor do Morhan, este movimento conseguiu reintegrar muitos hansenianos na sociedade. “Aqui em Anápolis este trabalho começou em 1984, construímos uma unidade de saúde para fazer curativos nos doentes e para atender pessoas que estavam à margem da sociedade. Até 2011, quando nós tínhamos um convênio com o Estado e com a Prefeitura, nós só acolhíamos pessoas com hanseníase, que na maioria das vezes tinham sequelas graves, não conseguiam ser inseridas na sociedade e perderam o vínculo familiar. De 2011 pra cá, passamos a abrigar qualquer pessoa com qualquer tipo de dificuldade ou doença, como idosos, deficientes, mas a maioria que estão aqui são pacientes psiquiátricos. Atualmente, cuidamos de 26 pessoas que não possuem hanseníase, quando aparece alguém com a doença encaminhamos para o posto de saúde, onde ele faz os exames e começa o tratamento”, destaca.


Carlos Tadeu é natural de Minas Gerais. Ele conta que teve hanseníase com 5 anos de idade e que a doença foi descoberta quando tinha apenas 8 anos. “Minha família me abandonou e eu virei menino de rua. Na época, quem tinha a doença era discriminado. Fui internado em uma colônia com 10 anos de idade e fugi de lá com 17 anos. Depois fui trabalhar em Brasília e a doença apareceu de novo, não tinha tratamento adequado, então. Foi quando descobri que em Anápolis tinham pessoas que conviviam com a doença e eu vim pra cá e um senhor me pegou para criar. Ele cuidava dos doentes e me incentivou a ajudá-lo, depois de um tempo ele faleceu e foi sepultado neste terreno onde estamos instalados, aqui era o cemitério dos hansenianos. Quando ele morreu eu fui embora, fiquei muito triste e desgostoso de ver o sofrimento dos doentes aqui.”


Em 1991 Carlos voltou para Anápolis e por vocação continuou o trabalho no Morhan. “O terreno foi doado pela Maçonaria e aos poucos fomos construindo os leitos, a cozinha e todo este espaço que oferecemos. As pessoas vinham e deixavam as doações na porteira, os doentes pegavam as doações e dividiam entre si. Nós vivíamos confinados, era a Lei que a vigilância epidemiológica fazia cumprir,” disse.


Carlos trabalha no Morhan há 20 anos e conta que o movimento não tem nenhum vínculo religioso ou político e nem conta com nenhuma ajuda por parte do Município ou Estado. “Trabalho com muita satisfação, por que as pessoas que estão aqui precisam e merecem pelo menos uma qualidade de morte. Então, damos comida na boca quando estão muito debilitados, atenção, roupas limpas e abrigo. Somos uma equipe com 24 funcionários, eu não recebo nada pelo meu trabalho, mas os outros trabalham registrados, de acordo com os respectivos sindicatos, recebem todos os direitos de um trabalhador comum”, disse.


Para ajudar o trabalho de arrecadação o Mohan possui quatro pessoas que trabalham no telemarketing. “Temos uma lista de telefones, ligamos diariamente para a casa dos anapolinos para pedir uma contribuição, o motoboy recolhe e vamos pagando as nossas despesas. As pessoas de maneira geral são preocupadas com as ações sociais. Vejam a Faculdade Católica, eles mobilizaram três períodos do curso de administração para nos ajudar a melhorar nossa estrutura física aqui, conclui.”


 


Mobilização


A diretora geral da Faculdade Católica de Anápolis, Adriana Rocha Vilela Arantes diz que todo semestre os alunos do curso de Administração, através da disciplina de Seminários Avançados, trabalham o desenvolvimento de um projeto e escolhem uma instituição para ajudar. “Trabalhamos a responsabilidade social, os alunos fazem um processo de gerenciamento administrativo para detectar as necessidades e as prioridades na entidade selecionada. Mas os alunos foram além, conseguiram fraudas descartáveis, cobertores e materiais de limpeza”, pontuou.


Tudo que foi conquistado pelos alunos da Faculdade Católica foi através de patrocínios de empresários que sensibilizaram com o projeto e com a necessidade da instituição, no caso o Morhan. A diretora diz que o projeto tem continuidade e os alunos podem continuar ajudando a entidade escolhida no primeiro semestre ou buscar ajudar outra. “Trabalhamos a formação humana com os nossos alunos, os alunos se envolvem tanto que no final percebemos a evolução profissional, acadêmica e humana deles. Eles mobilizam todos os setores para conseguir concluir o projeto e ver isso é muito gratificante.”


Os alunos do 3° período de administração, Larissa Francielle Silva Morais, Paulo Henrique Dinis e Igor de Morais Soares, contam que eles começaram a desenvolver o trabalho em maio deste ano. A parte que mais deu trabalho foi à arrecadação do dinheiro e do material de construção. “Tivemos que ir atrás de pessoas que poderiam nos dar respaldo. O projeto está divido com três turmas, a parte do terceiro período foi a fachada, deixar a casa com um visual mais agradável. Dividimos a nossa sala em três equipes, manutenção do muro a execução da pintura e a fachada. Fomos atrás de patrocínio para conseguir a tinta e o pintor. O pintor forneceu a mão de obra sem custo nenhum para nós. E as outras coisas corremos atrás para conseguir. O trabalho em equipe foi fundamental”, afirmaram os alunos Larissa, Paulo Henrique e Igor.


Os alunos destacam que a questão do compromisso de poder ajudar o próximo mostra o quanto é importante ser um bom administrador. “Em qualquer setor o administrador pode atuar e quando há sensibilidade e formação acadêmica aliadas, nada fica impossível de realizar. Aprendemos muito com este projeto.”

Autor(a): Mariana Lourenço

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