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Moradores denunciam desmatamento

Meio Ambiente Comentários 14 de novembro de 2014

Segundo a Polícia Civil, há indícios que no local haja a prática de crime ambiental. Na área, existem nascentes de água que podem estar sendo destruídas


“Desmatamento dissimulado”. Assim a polícia chama a degradação ambiental que ocorre, sorrateiramente, dentro de determinada área de preservação ambiental ou, mesmo, em uma propriedade privada. Em Anápolis, na região Sul, que compreende os setores Alphaville, Tangará, Sul e Arco Verde, uma área está sob investigação da Polícia Civil. O local apresenta algumas árvores cortadas, outras com troncos queimados, com indícios de crime contra o Meio Ambiente.
A denúncia foi feita por moradores daquela região. Cleber rosa Moreira, um dos que denunciaram a destruição da mata nativa, explicou que tem “visto esse desmatamento”. Ele relatou à Polícia “a queimada do mato, cortando a vegetação menor, que pode ser cortada com ferramenta manual, como foice, machado”. E também a cerca, passando no meio da mata, dividindo algumas partes dela. “Por que isso? O que está acontecendo? O interesse da gente é saber por que, de onde está vindo isso”, questionou.
Cleber entende que a área é importante para a comunidade local, fato gerador da denúncia. “Primeiro são as nascentes de água, são quatro nesta área”, apontou. Para o morador, a luta da comunidade é para que este “patrimônio” seja preservado. Mas, apesar de saber sobre o desmatamento, ele afirma que ainda não identificou quem está cometendo o suposto crime.
“Eu pensava que estava menos (o desmatamento), só que a devastação aqui está muito maior do que eu imaginei. Pelo que eu andei aqui outro dia, eu tinha visto apenas uma pequena cerca, agora já tem arame para todo lado”, descreveu. “As árvores que estão grandes, já são árvores de 50, 100 anos e que vão morrendo com o fogo no pé”, falou, ao comentar sobre o método lento de destruição da mata, utilizado para que não haja suspeitas de que o suposto crime foi cometido e para que o ato de devastação não seja percebido pelas autoridades e vizinhos.
“Parece que é uma estratégia que alguém está usando”, explicitou. A destruição, conforme afirmou, ocorre há aproximadamente quatro meses. Por meio da denúncia, ele deseja das autoridades “providência. Ver de quem é isso aqui, pertence a quem. Se pertence à nação (Governo), se é uma área de preservação. Tem que cuidar, tem que zelar antes que acabem com ela. Depois que acabar não adianta”.
Ele informou que alguns representantes de imobiliárias vão sempre ao local. Mas ele não sabe dizer quem é o dono da área.

Investigação
O delegado Carlos Silveira, titular do 2º DP e do Grupo Especial de Combate a Crimes Contra o Meio Ambiente, é o responsável pelo caso. “Essa área é uma área remanescente desse loteamento Alphaville, perto do Setor Sul”, explicou. “Isso aqui é uma área nobre, com três nascentes. A denúncia que recebemos é que estariam colocando pequenos fogos no meio da mata e passando uma cerca de arame, inclusive, dentro da nascente. Ou seja, uma forma de ir desmatando aos poucos”, explicou, mostrando no inquérito policial as fotos do local.
“Nós não sabemos quem fez (o desmatamento), continuou. “Se você pega a pessoa que fez o desmatamento, geralmente ela está a mando de alguém. Nesse caso, um morador não nos ligou a tempo (de ver o crime sendo cometido)”, relatou o delegado Carlos Silveira.
“Estamos investigando para saber realmente quem está praticando atos preliminares, desmatando. Porque o desmatamento hoje é camuflado. Ele tem que ser camuflado numa área dessas dentro da cidade. Anápolis tem pouquíssimas áreas, poucas matas, parecendo pequenas reservas iguais a esta. Então, o que acontece? Isso aqui chama muito a atenção, dá repercussão, os vizinhos ligam, há denúncia. Então vira todo um clamor público”, descreveu. “É uma maneira dissimulada. Tem que ser aos poucos. Às vezes leva até anos para desmatar”, acrescentou o delegado Carlos.
“A questão nossa é apurar a materialidade, realmente se tem um crime ambiental. Isso a gente vai certificando através de perícia. E, se for comprovada a prática de um crime ambiental, a segunda etapa é definir quem está praticando. Depois que se definiu quem praticou esse crime ambiental, vamos então apurar as circunstâncias desse crime, ou seja, quando ele começou, o tempo, o lugar, quem são os prepostos que estão trabalhando (no local), qual é a finalidade”, explicou, sobre o processo investigativo. Conforme indicou ainda, os indícios são suficientes para sustentar o inquérito policial que está sendo realizado.

Autor(a): Felipe Homsi

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