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Modernidade acaba com diversas profissões, depois de décadas

Comportamento Comentários 14 de setembro de 2012

As mudanças de hábito da sociedade atual e a chegada da tecnologia resultaram no desaparecimento ou na transformação de alguns ofícios que eram considerados insubstituíveis


A partir da revolução industrial, que ocorreu no século XIX, incontáveis profissões foram surgindo. Isto, devido a muitos fatores, dentre eles, a migração dos moradores do campo para as cidades (êxodo rural) com o objetivo de se formar mão de obra para as indústrias. Outro fator foi o aumento das produções que resultou no crescimento da economia. Assim, à medida que a indústria foi evoluindo e as fábricas foram aparecendo, surgiram novas profissões que, por sua vez, provocaram o desaparecimento de outras. O trabalho manual deu lugar à maquinização fazendo com que muitas profissões evoluíssem e outras ficassem esquecidas até desaparecerem completamente. Atualmente, no século XXI, é possível constatar esse quadro ainda em evolução. A tecnologia fez desaparecerem diversas profissões até, relativamente, por pouco tempo, mas por outro lado fez surgir outras que giram em torno dela.
Um exemplo clássico é o computador. Se há 30 anos ele era praticamente desconhecido no País, nos dias de hoje existem cursos superiores para a montagem e a manutenção deles. Entre esses cursos estão, sistemas de informação, que faz programas específicos para os computadores; ciências da computação, que produz a execução desses programas e é responsável pela parte física do aparelho, tendo forte embasamento em cálculos; engenharia de software, que é voltada de forma, ainda, mais específica para os programas do computador, além de outros. A demanda de computadores se tornou grande na última década. E, em quase todos os domicílios existe, ao menos, um aparelho, sem contar nas ramificações dos primeiros computadores, como, os notebooks; tablets, ultrabooks e os próprios aparelhos celulares. Daí não é difícil identificar porque as profissões na área cresceram e tendem a ser, ainda mais, valorizadas nos próximos anos. Os computadores são usados como meio de entretenimento e/ou ferramenta de trabalho.

Inovações
Por causa do frenético crescimento do computador, que veio aliado à praticidade deste, uma das profissões que deixou de existir foi a de datilógrafo, nome dado a escrivães de máquinas para escrita mecânica. Estas, eram muito comuns nos cartórios, escritórios, repartições públicas e empresas em geral. Mas, se alguns defendem o desaparecimento da profissão, outros defendem a transformação dela. O então datilógrafo se tornou o digitador dos dias atuais. A mudança que ocorreu foi na sua ferramenta de trabalho: a máquina de escrever deu lugar ao já tão comentado computador.
Entretanto, se a contínua evolução da indústria e o aperfeiçoamento da tecnologia resultaram na transformação de alguns ofícios, os mesmos também ocuparam o lugar de alguns que deixaram de existir.
"Há alguns anos, era muito comum vendedores dos mais diversos produtos (chamados mascates) bateram à porta da minha casa, hoje eles desapareceram", conta Elizabeth Pereira, 54, dona de casa. Elizabeth associa esse desaparecimento dos vendedores porta-a-porta aos novos recursos que podem ser usados por meio da tecnologia. "A falta de tempo faz com que os consumidores na hora de descanso se conectem à internet, em sites específicos de compra, e solicitem tudo o de que precisam, ou algo que, por exemplo, esqueceram de comprar na última vez que foram ao mercado. Eu já fiz isso em casos assim", explica. A dona de casa, também, associa o desuso dessa profissão a outros fatores. "As pessoas andam cada vez mais com medo de abrirem as portas de suas casas para desconhecidos, devido à insegurança que a população tem vivido. Também, existem tantas lojas de departamentos e lojas que vendem produtos a baixo custo, que o consumidor acha tudo o que quer comprar no momento de suas visitas a esses estabelecimentos", opina.
Outra profissão que nos últimos anos diminuiu de forma considerável, foi a de capinadores; roçadores; de terrenos. José Ferreira, 49, trabalhou por mais de dez anos limpando terrenos baldios. "Era costume bater à porta de quem morava ao lado desses terrenos e oferecer o serviço e, quase sempre, as pessoas queriam que eu capinasse os lotes por que o mato ficava denso e invadia suas casas. Era perigoso deixar o mato alto", diz. José chegava a trabalhar cerca de nove horas por dia e não faltava trabalho, mas com o tempo esse cenário mudou. "Anápolis cresceu muito, em todos os lugares tem casas ou alguma construção, mato é coisa rara. Por isso, com o tempo, fui aprendendo outras práticas e hoje não trabalho capinando mais", explica. Desapareceram (ou se acham em extinção), ainda, profissões como ferrador de animais; amoladores de facas e tesouras; funileiros, ajudante de caminhão, etc.

Desaparecendo
O motivo dessas profissões e tantas outras estarem perdendo espaço na sociedade de forma geral, se deve ao já citado mercado de trabalho que evolui rapidamente. O setor têxtil é outra área que tem experimentado essas alterações. Nunca se comprou tanta roupa quanto hoje em dia. Costumes como o de engraxar os sapatos, ou pintar uma calça desbotada se perderam e, por consequência, os engraxates e tintureiros foram desaparecendo. Um reflexo do capitalismo. Se algum produto que tenho se estraga, vou à loja ou ao mercado e compro outro novo, substituo, a época dos reparos foi ficando lá atrás. Os sapateiros também se enquadram nessa perspectiva. As grandes redes de calçados já têm todos os tamanhos e modelos de calçados de que o consumidor precisa. As promoções realizadas por essas mesmas lojas aceleram, ainda mais, esse processo de substituição, porque as pessoas têm diversos tipos de sapato guardados em casa, até mais que o necessário. E, assim que um estraga, a lógica da substituição entra em ação.
Esse reflexo se deu em uma profissão que há algumas décadas era fundamental: a costura. As grandes redes do setor têxtil, especialmente as lojas especializadas em vendas de peças por valor único, por volta de dez reais, implicaram diretamente na desvalorização da profissão. Os alfaiates e costureiras, que não prestam serviços para as indústrias desse setor, sentiram essa desvalorização. Maria do Socorro Santos, 47, que há quase 30 anos trabalha no ramo, aliou a costura á prestação de serviços para determinadas lojas. "Também presto serviço para o público em geral. Faço desde reparos a fabricação completa das peças", conta. A costureira conta que aprendeu o oficio com a mãe e em seguida fez cursos na área para se especializar. "Mas ultimamente procuro inovar na fabricação das peças a fim de acompanhar o mercado", esclarece.

Novidades
Mas se algumas profissões acabaram ou tiveram que se adaptar à nova forma de vida das pessoas, isso significa que essa mudança é contínua, tende a ser assim. Portanto, isso anuncia a criação de novas profissões que hoje não são, ainda, necessárias.
Uma pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) descobriu que a maioria das empresas brasileiras pretende contratar mais funcionários nos próximos anos. As vagas abertas revelam quais são as profissões do futuro.
Uma pesquisa feita em 402 indústrias de todo o Brasil revelou as nove profissões do futuro. Todas elas têm ligação com engenharia, automação e conhecimentos de informática: supervisor de produção em indústria de transformação de plástico; engenheiro de petróleo; técnico em sistema de informação; trabalhador de superfície de metais; engenheiro de mobilidade; técnico em mecatrônica; biotecnologista; engenheiro ambiental e sanitário; desenhista técnico em eletricidade, eletrônica e eletromecânica.
“A perspectiva é mais positiva na área de produção, mas na área de gestão também está bastante intensa”, avalia Hilda Alves, gerente de pesquisas da Firjan.
Essa projeção de crescimento traçada pelas empresas é um cenário que deve se estender até 2020, segundo a pesquisa.

Autor(a): Carol Evangelista

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