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Menina com paralisia cerebral tem leite especial garantido

Geral Comentários 08 de maro de 2013

O caso de Julia Gabrieli comoveu pessoas do Brasil e de outras partes do mundo, que se mobilizaram nas redes sociais para ajudar


Julia Gabriele, de apenas oito anos, por causa de uma paralisia cerebral, precisa seguir uma dieta diferenciada orientada por nutricionistas, onde tem que fazer o consumo de 12 latas de um leite especial por mês, sendo que cada lata custa, em média, R$ 40, o que todos os meses equivale a uma despesa de 500 reais. O valor é exorbitante dentro do orçamento da família da menina, uma vez que seus pais, que têm outros dois filhos pequenos - uma menina de 4 anos e um menino de apenas 10 meses- ganham cerca de 700 reais juntos, tendo que custear com os outros gastos do tratamento de Julia, que é alimentada através de uma sonda e depende de medicamentos de alto custo além de precisar fazer uso de fraudas antialérgicas. Apesar da importância fundamental do leite para a menina, há dois meses a secretaria municipal de saúde havia parado de doar o leite, que precisou ter um consumo racionado nos últimos meses, para a menina, que com oito anos de idade pesa dez quilos.
A avó de Julia, Dona Rute Alves, ficou preocupada com a situação. “Eu e meu esposo não sabíamos o que fazer para ajudá-los, porque a condição financeira deles é muito apertada e a nossa também”, conta. Por todos esses motivos, o caso de Júlia repercutiu na televisão, nos programas de rádio e nos jornais de diversos pontos do país. A família só pôde ficar mais aliviada desde que uma mobilização por meio de uma campanha nas redes sociais, alcançou pessoas de todo o país e até de países estrangeiros como Estados Unidos e Canadá, e até do continente africano, que comovidas começaram a enviar latas do leite especial para Júlia, entre outras doações. “As pessoas que viram o caso da minha filha na mídia vieram me procurar e pediram para iniciar campanhas nas redes sociais, e eu consenti”, explica Andreia Alves, a mãe de Julia.
Hoje, a mãe da meninaa garante que ainda tem problemas para custear os outros cuidados especiais que a menina necessita. "A sonda dela é muito cara. A última vez que comprei estava R$ 1 mil”. Ela acredita, entretanto, que o preço já deve ter aumentado.
A mãe conta que há cerca de sete anos está “lutando” com a secretaria de saúde, para garantir o leite para a filha. “Sempre falta leite lá e a única resposta que temos é essa: falta leite. Não tem alguém com maior preparo para conversar com a gente com um pouco mais de atenção, a única coisa que falam é que falta o leite e pronto”, conta. Andreia garante só ter uma resolução para o problema, quando o leva para o Ministério Público. “Quando eu recorro à promotoria, o problema é resolvido na hora”, ressalta.

Descaso
Andreia explica que o que a decepciona é o descaso com o ser humano. “Não se trata de qualquer coisa, se trata de vidas. É uma necessidade vital da minha filha, que ela precisa para o dia a dia. Infelizmente, esse é mais um retrato da nossa saúde pública”, lamenta.
Diante dessa repercussão, a Prefeitura de Anápolis informou que o fornecimento de leites especiais já foi normalizado e que a Secretaria de Desenvolvimento Social fará o acompanhamento da criança e da família em tempo integral. Além disso, a assessoria de imprensa da prefeitura garantiu que para os próximos meses de tratamento a assistência à criança está garantida.
A mãe conta não ter sido sua intenção conseguir doações de outras pessoas para a menina, mas sim, de denunciar o descaso que vive. “Mas Deus é tão bom, sabe da necessidade de cada um e isso repercutiu. Mas não fiz nada para aparecer ou com nenhum interesse e Ele utilizou dessa situação para nos ajudar”, comemora.
Ultimamente Andreia tem recebido pelo menos duas ligações por dia de pessoas com o interesse em ajudar Júlia. “As pessoas viram que foi uma coisa séria, elas realmente se comoveram com a situação, com a maneira como levamos nossa vida, por isso têm nos ajudado”, conclui.

Autor(a): Carol Evangelista

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