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Médico descarta omissão de informações

Saúde Comentários 18 de setembro de 2009

Marcelo Daher, especialista em infectologia, diz que não se pode confundir notificações com confirmações, que exiges exames clínicos. De qualquer forma, observa que não deve haver pânico


O médico infectologista Marcelo Cecílio Daher, descarta a possibilidade de estar ocorrendo qualquer tipo de manipulação de informações, visando encobrir a situação da gripe A (H1N1), em Anápolis. Insinuações neste sentido foram difundidas por alguns vereadores da cidade. Porém, disse o profissional - que é considerado um dos principais especialistas de sua área em Goiás – há na verdade uma demora na confirmação dos casos suspeitos, já que no país apenas três laboratórios realizam os exames que, segundo ele, são complexos. Em média- informou – os exames levam de três a quatro semanas para ficarem prontos.
Marcelo Daher, que atua como assessor técnico na Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), participou na última quarta-feira,16, de reunião com empresários na Associação Comercial e Industrial de Anápolis e, na oportunidade, em entrevista à imprensa e durante a sua palestra, fez questão de tranqüilizar a população. Segundo ele, há um alarde devido à proporção que a mídia deu ao alastramento da nova gripe no Brasil e, particularmente, em Anápolis, onde as pessoas que apresentaram qualquer sintoma de gripe, correram às unidades de saúde, em sua grande maioria sem haver esta necessidade.
O infectologista disse que as pessoas devem se precaver e devem procurar atendimento. Mas, segundo ele, não há motivo de pânico. Mesmo porque, o vírus não está se mostrando tão letal quanto parecia inicialmente. Além disso, observou, os estudos apontam que epidemias como esta se apresentam em ciclos, que duram em torno de 50 dias. A tendência agora, é que o número de casos diminua a partir do final deste mês de setembro. O tempo quente também ajuda, já que o calor faz com que os ambientes fiquem abertos para melhorar a ventilação, o que contribui para evitar a propagação.
Marcelo Daher observou que, hoje, os protocolos do Ministério da Saúde são bem mais claros e, em função disso, fica mais fácil lidar com a doença, seja em relação à prevenção, com as indicações de uso de máscara, permanência de mulheres grávidas no ambiente de trabalho, uso de álcool em gel. E, também, em relação às ações de tratamento, como a dispensação de medicamentos, como o Oseltamivir (Tamiflu), e as condutas para exames e internações de pacientes. Em relação ao medicamento, Marcelo Daher esclareceu que não há falta do remédio e que, quando é feita a prescrição pelo médico, a única burocracia é o preenchimento de um formulário por parte do profissional. Feito isso, com a receita, o medicamento pode ser obtido, gratuitamente, na farmácia popular. Ele lembrou que não há porque fazer uma distribuição maciça, mesmo porque a ação do remédio se dá nas primeiras 48 horas de manifestação. A partir daí, a carga viral é muito baixa e o medicamento deixa de agir. Quanto as internações, estas são feitas estritamente quando necessária, inclusive, como forma de não sobrecarregar o sistema de atendimento que, na sua opinião, está sendo dimensionado de forma correta.

Prevenção
Em relação às empresas, Marcelo Daher, citou como exemplo o caso de uma fábrica do Daia, onde um rapaz veio a óbito por complicações da gripe A (H1N1). Segundo ele, as equipes da Vigilância Sanitária fizeram um monitoramento em relação aos colegas de trabalho e também junto aos familiares da vítima. Mas, disse que o principal fator a ser observado é a prevenção, principalmente, a assepsia das mãos – que é o principal vetor de transmissão de qualquer doença. Segundo disse, o uso do álcool em gel nas empresas é recomendado quando não há lavatórios. “Água e sabão tem o mesmo efeito”, sublinhou.

Casos
O médico Marcelo Daher enfatiza que, hoje, há seis casos confirmados da nova gripe em Anápolis. Ele informou que os dados divulgados pela secretaria estadual da Saúde e o Ministério da Saúde são procedentes e que há desinformação sobre a diferença que há entre notificação e confirmação. Esta última, depende do exame laboratorial. No município, as notificações já chegaram a cerca de 3 mil, estão em 1,5 mil e este número deve continuar em queda nas próximas semanas. O infectologista pondera que a situação está sendo tratada com a atenção devida e observou que este tipo de epidemia pode durar de 3 a 4 anos, sendo que os países mais novos, como é o caso do Brasil, deve sofrer mais nas primeira onda do que os países mais velhos na Europa, por exemplo.
A grande preocupação da Organização Mundial de Saúde (OMS) seria ocorrer de o vírus H1N1 se juntar com o vírus da gripe aviária, o H5N1. O que poderia gerar uma epidemia de grande proporção e alta letalidade, já que o H1N1 é um vírus que tem transmissão mais fácil, porém menor letalidade. Ao contrário do H5N1, que provocou muitas mortes em países da Europa e Ásia.


Município descentraliza ações
O secretário municipal de Saúde, Wilmar Alves Martins, que também participou da reunião com empresários na Acia, antecipou as medidas adotadas pela Pasta para a prevenção e o controle da gripe A (H1N1) em Anápolis. Até então, tanto o atendimento ambulatorial quanto as internações, estavam concentradas na precária estrutura do Hospital Municipal.
De acordo com o secretário, o atendimento será feito a partir de agora de forma descentralizada e regionalizada. Para isso, foram estabelecidas como unidades de referência o Hospital Municipal (região central), que funcionará em regime de plantão, bem como o Cais do Jardim Progresso. Na primeira unidade, foi contratado um reforço de quatro médicos e, o Cais, oito médicos foram contratados também exclusivamente para receber pacientes com gripe. Além disso, haverá atendimento com equipes médicas e farmacêuticas nas Unidades de Saúde da Jaiara, Bairro de Lourdes e Paraíso. Em todos este locais, sendo necessário, haverá dispensação do medicamento Oseltamivir.
O secretário anunciou ainda a criação da Câmara Técnica de Discussão da Crise, que terá representações da própria Semusa, da 3ª. Regional de Saúde, Ministério Público e a Base Aérea, que está atuando em cooperação com a secretaria, dispondo de profissionais médicos para apoio nas unidades de saúde.
No caso das internações, o Hospital de Urgências de Anápolis (Huana), tem à disposição quatro leitos de UTI. Há também leitos de internação no Hospital Evangélico Goiano, Santa Casa de Misericórdia e no Hospital Municipal. Ainda conforme relatou Wilmar Martins, nos últimos dias foram distribuídos nas escolas e em locais de grande aglomeração, folhetos informativos sobre a prevenção da nova gripe. Ele ponderou que apesar dos atropelos causados pela grande demanda por atendimento nos serviços de saúde, a ações estão sendo bem conduzidas.


Protocolo do Ministério da Saúde
Como qualquer infecção por influenza, o quadro clínico inicial da doença em questão é caracterizado como uma síndrome gripal (SG) que por sua vez é definida como “doença aguda (com duração máxima de cinco dias), apresentando febre (ainda que referida) acompanhada de tosse ou dor de garganta, na ausência de outros diagnósticos”.
Contudo, diante da situação atual de pandemia por Influenza A (H1N1) e do seu potencial de agravamento, o profissional de saúde da APS deve estar atento tanto para critérios clínicos quanto epidemiológicos, além de condições sociais, culturais, econômicas e de ocupação, entre outros, para o adequado e oportuno diagnóstico.
Síndrome respiratória aguda grave (SRAG)
Todo paciente com quadro gripal deve ser avaliado de modo a descartar síndrome respiratória aguda grave, que é caracterizada em qualquer idade por presença de febre acima de 38ºC, tosse E dispnéia, acompanhada ou não por manifestações gastrointestinais ou outro sinal de gravidade, como por exemplo, taquipnéia (FR>25irpm), hipotensão (em relação à pressão arterial habitual do paciente), e quadro clínico, laboratorial ou radiológico compatível com pneumonia. Durante a avaliação inicial, o profissional de saúde deve observar, sobretudo, se existem fatores de risco que podem contribuir para o agravamento do quadro gripal por influenza. (Fonte: Ministério da Saúde)

Sinais de Alerta
Presença de pelo menos um dos critérios a seguir:
• Agravamento dos sinais e sintomas iniciais (febre, mialgia, tosse, dispnéia);
• Alteração do estado de consciência;
• Desidratação;
• Convulsões;
• Taquipnéia (crianças: até 2meses: FR>60 irpm; >2m e <12m: >50 irpm; 1 a 4a:
• >40irpm; > 4 anos FR >30irpm; adultos: FR >25irpm);
• Batimento de asa de nariz; tiragem intercostal, cornagem;
• Alteração dos sinais vitais: hipotensão arterial (PAD<60mmHg ou PAS<90mmHg); FC elevada (>120bpm);
• Febre (T>38 graus) persistente por mais de 5 dias.
• Oximetria de pulso: saturação de O2<94% (somente se disponível na UBS);
• Crianças: Cianose; incapacidade de ingerir líquidos ou qualquer um dos
sintomas anteriores.
(Fonte: Ministério da Saúde)

Polêmica sobre a distribuição de medicamentos
Durante a semana, os vereadores Carlos Antônio (PSC), Amilton Batista (PTB) e Míriam Garcia (PSDB) fizeram críticas contundentes sobre a forma como a epidemia de gripe vem sendo tratada no município.
Uma das críticas é sobre a falta do medicamento Oseltamivir nas farmácias, para que as pessoas que tenham a prescrição para uso possam ter a liberdade de adquirir. Entretanto, a este respeito, o Ministério da Saúde esclarece, em nota oficial, que “não há proibição da venda do medicamento nas farmácias brasileiras. O fato é que o único laboratório fabricante do remédio deu prioridade total aos pedidos de compra feitos pelo Ministério da Saúde. Essa medida é necessária para que o governo federal cumpra a sua missão de oferecer o medicamento gratuitamente à população em caso de necessidade”.

Autor(a): Claudius Brito

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