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Mãe se diz punida, apenas, pelo seu inconformismo

Geral Comentários 20 de abril de 2018

Elza Tonetto enfrenta novo processo, mas diz que segue com esperança de que a morte do filho seja esclarecida


Desde a morte do filho, Paulo Gabriel Lopes Tonetto, ocorrida em novembro de 2014, quando o mesmo contava, então, com 24 anos de idade, Elza Maria Parreira Lopes Tonetto, busca respostas para aliviar o peso dessa perda. Para chamar a atenção das autoridades e da sociedade sobre o caso, ela iniciou campanhas nas redes sociais, notadamente no Facebook e através de peças de outdoor.
Nesta batalha, que envolve uma conhecida instituição, chamada Nova Acrópole, Elza Tonetto já acumula dois processos. Em maio de 2017, ocorreu uma audiência judicial, na qual firmou-se um acordo pelo qual a mãe de Paulo Gabriel excluiria todas as publicações no Facebook envolvendo a Organização Nova Acrópole, além, ainda, do compromisso de não mais fazer postagens ofensivas à instituição, sob pena de pagamento de R$ 150,00 por publicações indevidas. No mês de novembro, a escola conseguiu a expedição de um mandado de citação cobrando de Elza Tonetto o pagamento de suas publicações feitas no Facebook, em desconformidade com o que havia sido acordado, totalizando, portanto, R$ 300,00. O processo de execução correu na 3ª Vara Cível.
No próximo dia 26, Elza Tonetto deverá se apresentar à Justiça novamente, no Juizado Especial Criminal, para responder a uma ação peticionada pela defesa da Nova Acrópole, referente à publicação de um outdoor, no qual aparecem fotos de Paulo Gabriel em eventos da escola, com o seguinte texto em destaque: “O único erro do meu filho, foi a busca incessante pelo conhecimento”. A defesa da Nova Acrópole argumenta que a referida postagem foi ofensiva diante do contexto apresentando, passando mensagem de descrédito ao relacionar a morte do ex-aluno com a imagem da escola, “ofendendo a reputação que a escola constrói há anos”.
Num outro processo, no âmbito da Justiça Trabalhista, Elza Tonetto e seu outro filho, Sylvio Tonetto, conseguiram reconhecimento do juízo, de que Paulo Gabriel, mesmo prestando trabalho voluntário, estaria atuando, na época do ocorrido, com a atividade de vigilância, sem, no entanto, ter qualificação para executar a função que, supostamente, teria lhe sido atribuída pela escola. Nesta ação, passível de recurso, o juízo estabeleceu indenização por danos morais nos valores de R$ 80 mil e R$ 20 mil para Elza e o filho Sylvio. Porém, foi negado o pedido de pensionamento que eles haviam solicitado.
Elza Tonetto diz que, por conta dos acontecimentos, teve de vender o carro para pagar contas e que sobrevive com uma pensão de R$ 690 reais. Ela pondera que, no caso em questão, ela é a vítima e não o contrário. “Estão tentando inverter os papéis”, pontua.
O caso que envolve a morte de Paulo Gabriel é, de fato, intrigante. O rapaz não tinha antecedentes criminais, estudou filosofia e frequentava cursos da escola Nova Acrópole. Consta nos autos do processo (29319-19 2015), que, no dia do fato, 28 de novembro de 2014, ele estava em uma fazenda no Município de Girassol, onde acontecia um curso com a presença de muitas pessoas. No momento do tiro fatídico, o rapaz se encontrava num mirante e, a partir daí, as circunstâncias do fato que o vitimou nunca foram muito claras.
O inquérito policial remetido ao Poder Judiciário da Comarca de Cocalzinho, pediu o arquivamento do caso “por inexistência de fato típico penal (materialidade delituosa), ou seja, qualquer conduta de terceiros relevante ao Direito Penal”.

Autor(a): Claudius Brito

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