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Mãe busca justiça para morte do filho não cair no esquecimento

Geral Comentários 29 de janeiro de 2016

Paulo Gabriel Lopes Tonetto foi morto durante um curso de voluntariado numa fazenda localizada no Município de Girassol, no final de dezembro de 2014


Desde que perdeu o filho, Paulo Gabriel Lopes Tonetto, então, com pouco mais de 24 anos de idade, Elza Maria Parreira Lopes Tonetto, tenta buscar uma explicação convincente que a conforme sobre a morte do rapaz. E, mais do que isso, ela clama por justiça, pois não acredita na versão do inquérito policial apontando que Paulo Gabriel teria sido vítima de um disparo acidental de arma de fogo.
Sem dinheiro para custear as despesas de um advogado que possa acompanhar de perto o processo que tramita na Comarca de Cocalzinho de Goiás, Elza Maria já coordenou passeatas, anda com o carro plotado e distribui panfletos com os dizeres: “Acidente, brincadeira que deu errado, assassinato? Seja o que for, queremos respostas...”.
O caso que envolve a morte de Paulo Gabriel é, de fato, intrigante. O rapaz não tinha antecedentes criminais, estudou filosofia e frequentava cursos de uma conhecida instituição, chamada Nova Acrópole. Consta nos autos do processo (29319-19 2015), que no dia do fato, 28 de novembro ele estava em uma fazenda no Município de Girassol, onde acontecia um curso de voluntariado. No momento do tiro fatídico, o rapaz se encontrava num mirante e, daí, surge a primeira dúvida: ele estava, ou não, atuando como segurança armada?
Consta, ainda, que um colega, de nome Mateus foi quem ouviu o tiro vindo da guarita, sendo o mesmo responsável em sair para pedir socorro à vítima. Outro ponto não esclarecido é sobre a propriedade da arma encontrada no local: uma espingarda Valmet, calibre 22.
Outro ponto controverso é que foi anexado ao processo, um laudo de exame de corpo de delito (nº 51367/14), o qual aponta que Paulo Gabriel teria sido atingido por dois projéteis, um na mão direita e outro na face que perfurou o olho e penetrou no crânio. Porém, o delegado responsável pelo inquérito, Adriano Pereira Melo, solicitou ao Departamento de Polícia Judiciária, ligado à 17ª Delegacia de Polícia de Cocalzinho de Goiás, um pedido de “quesitação” relacionado ao exame cadavérico, perguntando se os orifícios encontrados no corpo da vítima poderiam ser originados por um único projétil de arma de fogo e se, em caso afirmativo, a trajetória do projétil poderia vir a alojar na cabeça da vítima. A resposta ao “aditamento” do laudo, conforme solicitada, indicou a possibilidade de as perfurações na mão e na cabeça serem originadas por um único disparo, mas apontou falta de elementos para afirmar que o tiro poderia se alojar na cabeça da vítima.
O delegado, também, requisitou perícia nas câmeras de vigilância que haviam no local. Porém, o laudo revelou não haver nada gravado no local e horário solicitados (17 horas do dia 28/11/2014), quando aconteceu o disparo. E, também, aponta não ser possível dizer se houve alguma imagem apagada.
O laudo de exame pericial de vistoria de local (nº 2739/2014), afirma que “não foi possível traçar uma dinâmica para o fato, pois as condições de preservação do local não foram satisfatórias”.
Conforme documentação anexada ao processo, no dia do ocorrido, 167 pessoas se encontravam na fazenda para participarem das atividades, entre elas, médicos que fizeram os procedimentos de primeiros socorros na vítima, que veio a óbito um dia depois num hospital de Brazlândia. Também, havia um policial federal no local, que produziu um relatório sobre o acontecido, peça juntada ao processo. Várias pessoas foram intimadas para prestarem depoimento.
O inquérito policial remetido ao Poder Judiciário da Comarca de Cocalzinho, pediu o arquivamento do caso “por inexistência de fato típico penal (materialidade delituosa), ou seja, qualquer conduta de terceiros relevante ao Direito Penal”.

Luta continua
Para Elza Maria, mãe de Paulo Gabriel, entretanto, o caso não pode ter este desfecho, ou seja, o arquivamento, pois segundo ela há muito ainda o que se esclarecer. Ela observa que tentaram denigrir a imagem de seu filho, mas não encontraram nada que o desabonasse.
Com frequência, Elza Maria comenta o caso nas redes sociais, com o objetivo de sensibilizar as pessoas. “Não posso deixar assim, senão não adiantaria tê-lo criado para ser um homem, deixaria ele ser bandido”, desabafou.
Agora, a decisão está com a Justiça e Elza Maria, mais uma vez, faz sua cruzada para que o caso da morte de Paulo Gabriel não seja tratado meramente como um número, uma estatística.

Autor(a): Claudius Brito

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