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Mais de 80 casos de estupros já foram registrados este ano

Violência Comentários 28 de junho de 2014

Muitos dos agressores fizeram mais de uma vítima. A maior parte dos casos foi registrada pela Delegacia Especializada da Infância e Juventude


O número de estupros ocorridos no primeiro semestre de 2014 assusta moradores de Anápolis. Vários casos que foram divulgados pela mídia local mostram que mulheres, crianças e adolescentes são alvos de criminosos em série. Muitos suspeitos, presos pelo crime de estupro, tinham mais de uma vítima. A crueldade e a frieza como agem os agressores chocam, até mesmo, aqueles que trabalham todos os dias combatendo crimes. No total, foram 81 casos registrados, sendo 11 pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e 70 pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente.
Estupro em série
De janeiro a maio, foram registradas 11 ocorrências de estupro pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). O último caso aconteceu neste final de semana, quando uma moça saiu por volta das 23 horas, sozinha, na região central da Cidade, para comprar um sanduíche e no caminho foi abordada por um indivíduo que cometeu o crime. As investigações ainda não foram concluídas.
De acordo com a delegada titular da DEAM, Aline Vilela, em Anápolis, têm ocorrido muitos casos de estupros em série. Segundo ela, muitas vezes, quando o estuprador é preso por um crime, aparecem outras vítimas e, também, o reconhecem como seus agressores. Um dos casos mais marcantes, relembra, ocorreu em 2012, a prisão de um indivíduo que cometeu o crime contra, pelo menos, nove mulheres, com exames positivos de DNA. Em 2013, a prisão do “maníaco da máscara”, suspeito de roubar e estuprar um grande número de mulheres ao abordá-las, trafegando em uma bicicleta, usando máscara cirúrgica e ameaçá-las com uma faca, garantiu certo alívio à população feminina que tinha medo de sair de casa pela manhã quando o criminoso costumava agir.
Além disso, há cerca de um mês, também foi presa pela polícia uma dupla, formada por um jovem de 21 anos e um menor, suspeitos de estuprar e roubar mulheres que estavam em um ponto de ônibus próximo ao Residencial Morumbi. Eles confessaram ter roubado seis mulheres e estuprado duas delas em uma única noite. Outra vítima, uma senhora, reconheceu o jovem por tê-la assaltado e estuprado uma semana após o primeiro delito.
Segundo a delegada, esses crimes de estupro em série são uma peculiaridade de Anápolis. “Peritos de Goiânia, que são responsáveis pelos exames de DNA, comentaram que esses crimes em série não acontecem na Capital ou em Aparecida de Goiânia. Essa característica, do crime praticado em série, só se tem visto aqui”, contou.
Para ela, o crime de estupro deixa sequelas emocionais gravíssimas nas vítimas. Algumas mulheres, muitas vezes, não procuram a delegacia ou não seguem adiante com a denúncia. “Várias preferem não falar sobre o assunto. Deseja, de alguma forma, esquecer. Um sintoma que deixa claro o malefício que foi causado pelo ocorrido. Mas, para que a justiça possa punir, é necessário que essas mulheres façam a denúncia”, apontou.

Vítimas não buscam apoio
Quando a denúncia é feita, as vítimas são encaminhadas para o Centro de Referência da Mulher para que possam receber apoio e tratamento para superar o trauma. Na unidade, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, elas encontram atendimento na área jurídica, de assistência social e psicológica. Mas, o serviço para vítimas de estupro tem baixíssima procura.
Atualmente, apenas uma mulher, com esse perfil, frequenta a unidade. De acordo com a advogada do Centro de Referência da Mulher, Beatriz Alcântara, por diversos motivos as mulheres não buscam apoio na unidade. Para tentar quebrar o silêncio das vítimas de estupro e de todos os outros tipos de violência contra a mulher, a equipe tem levado o atendimento para mais perto da população. Uma vez por semana, nas quartas-feiras, o social móvel visita bairros e distritos, a fim de quebrar essa barreira. “Atendemos a muitas mulheres que vêm encaminhadas da Delegacia da Mulher. Mas, de uma média de 200 atendimentos que realizamos por mês, apenas uma mulher que realiza acompanhamento aqui é vítima de estupro”, falou.
Nas próximas semanas, o atendimento volante do Centro de Referência da Mulher estará nos seguintes locais: Parque São João (02/07); Aldeia dos Sonhos (09/07); Calixtópolis (17/07); Vila Formosa (23/07) e Santos Dummond (30/07).

Crueldade contra crianças e adolescentes
Os crimes sexuais cometidos contra crianças são ainda mais chocantes. E, infelizmente, os números são maiores. Este ano, já foram registrados 70 casos na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e Adolescente. As meninas somam o maior número de vítimas.
Na última sexta-feira, 20, a Polícia Militar flagrou uma cena desprezível. Um homem, estudante de Direito, abusava de uma menina de 10 anos. Os militares suspeitaram quando viram o carro parado em um lote baldio. Ao se aproximarem, a criança saiu correndo do carro aos prantos.
O suspeito abordou a criança em uma rua da Vila Fabril, dizendo que a mãe o havia mandado para buscá-la. Segundo relatos, a criança se apavorou quando notou que ele estava em uma rota oposta à sua casa e percebeu que seria abusada. Após a prisão do indivíduo, outras cinco meninas o reconheceram também. Todos os crimes foram cometidos esse ano, na região da Vila Fabril.
De acordo com a delegada substituta, Emili Bailoni, o suspeito já foi recolhido no presídio de Anápolis e vai responder por estupro a vulnerável. “Ele sempre agia dessa forma. Abordava as meninas de idade entre 10 e 11 anos, na rua. Tentava persuadi-las a entrar no carro dizendo uma vez que a mãe havia pedido ele para buscá-la, para outras, que ele tinha uma encomenda de cosméticos para entregar à mãe da criança. Outras vítimas, ele forçou entrar no carro. Algumas até conseguiram fugir”, descreveu.
Outros casos estarrecedores ocorreram na Cidade. Em março, cinco menores foram apreendidos suspeitos de estuprar uma menina de 13 anos no interior de uma construção. Um homem, que passava pelo local, chamou a polícia ao ouvir os gritos da vítima. Os adolescentes foram levados e negaram o crime. Segundo eles, a menina havia consentido. Entretanto, a menina por ser menor de 14 anos não pode consentir com o ato sexual, de acordo com a legislação brasileira. Os menores foram ouvidos e liberados por não haver vagas no Centro de Internação de Menores de Anápolis.
No dia 10 de junho, também, foi preso por estupro, um homem suspeito de abusar de cinco netas e de uma afilhada. A mãe de uma das meninas, que fez a denúncia à polícia, filha do suspeito contou que, também, era abusada pelo pai na infância. A neta, de 13 anos, resolveu contar tudo a ela por não aguentar mais sofrer abusos. O crime vinha acontecendo desde que a garota tinha 09 anos.
A delegada faz uma alerta aos pais, para que tomem cuidado com seus filhos. “A maioria dos crimes acontecem dentro de casa. Esses que aconteceram nas ruas são números bem menores. Então, os pais não devem deixar as crianças sozinhas com qualquer pessoa, mesmo que sejam próximas da família. Esses crimes acontecem em minutos”, disse.

Recuperação de crianças e adolescentes
Essas crianças e adolescentes vítimas de abuso e exploração sexual são encaminhadas para o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). De acordo com a coordenadora da unidade, Andréa Lins, a situação não é crescente. O que acontece, segundo ela, é que as pessoas têm denunciado mais. “Infelizmente, a violência é um ato real, mas, muitas vezes, por repugnar a situação, não falamos sobre. As denúncias estão crescendo em virtude das campanhas que fazemos. As crianças e suas famílias precisam de atendimento para superar o trauma”, disse.
O Creas oferece atendimentos de psicólogos e assistentes sociais. “O maior objetivo é dar um significado diferente pós-trauma àquelas crianças”, observa Andréa Lins. Ela explica que as vítimas têm uma série de perdas. “Geralmente, elas se isolam e, dentre outras coisas, têm queda no rendimento escolar. Por isso, é importante que os pais se atentem a sinais de que a criança pode estar sendo vítima de alguma violência”, acrescenta.
Para Andréa, toda a família precisa de acompanhamento quando um caso desses ocorre. “Muitos dos atendimentos que fazemos aqui, descobrimos que a mãe sofria violência também. Essa questão vai se perpetuando na família. É preciso romper esse ciclo. É fundamental que as pessoas denunciem”, concluiu.

Autor(a): Wanessa Mereb

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