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Mais de 200 mil veículos nas ruas e índice cada vez maior de acidentes

Trânsito Comentários 25 de setembro de 2011

A Semana Nacional de Trânsito lançou uma meta, para 2020: reduzir em 50% o índice de acidentes. Mas, este desafio não é fácil com o crescimento da frota e a desobediência às leis


A Semana Nacional do Trânsito que se encerra neste domingo, 25, tem uma tema: "Década Mundial de Ações Para a Segurança do Trânsito - 2011/2020: Juntos, Podemos Salvar Milhões de Vidas". E uma meta estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que é reduzir os acidentes em 50%, até o ano de 2020. Em Anápolis, esse desafio não será fácil. Atualmente, segundo os últimos dados da Circunscrição Regional de Trânsito (CIRETRAN), são quase 200 mil veículos licenciados. E o que é pior: cerca de dois mil novos licenciamentos são feitos a cada mês, ou 66,6 por dia, em média. Obviamente, muitos desses veículos vão para outras localidades. Mas, e os que vêm de outras cidades para cá? Em suma, é muito carro para uma cidade que não foi projetada para este movimento.
Dados fornecidos ao CONTEXTO pela Divisão de Estatística da Companhia Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT) demonstram que a preocupação das autoridades tem a sua razão de ser. No ano de 2010 foram contabilizados, em Anápolis, 5.177 acidentes de trânsito, o que resulta em uma média mensal de 431,4 acidentes. Este ano, de janeiro a julho, o total de acidentes é de 3.583, com média mensal de 511,8. O número de vítimas fatais foi de 15 em 2010 (média de 1,25) e de 10, de janeiro a julho deste ano (média de 1,4). O número de vítimas lesionadas, exceto pedestres, foi de 2.814 em 2010 (média de 234,5) e de 2050 este ano de janeiro a julho (média de 292,8). Os acidentes com vítimas lesionadas envolvendo pedestres somaram 237 em 2010 (média de 19,75) e 154 este ano de janeiro a julho (média de 22). Já o número de acidentes sem vítimas lesionadas, ou seja, apenas com danos materiais, somaram 2.645 em 2010 (média de 220,4) e de 1.769 de janeiro a julho deste ano (252,7).
De acordo com Luciana Nunes Diniz Vento, do Departamento de Estatística da CMTT, os dados são de informações repassadas pelos 4º e 28º batalhões da Polícia Militar, pelo 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros e também pelo SAMU. Portanto, são números bem próximos da realidade e que servem não só de alerta, mas também para a reflexão da sociedade.
Outro dado importante, revelado nas estatísticas, é quanto aos tipos de veículos envolvidos nos acidentes de trânsito. De acordo com os dados da CMTT, a reportagem colheu as informações dos principais tipos e fez a média mensal, comparando o resultado do ano de 2010 (12 meses) e deste ano (de janeiro a julho). Os acidentes envolvendo automóveis somaram 4228 em 2010 (média de 402,3) e 3223 em 2011 (média de 460,4); acidentes envolvendo motos somaram 2411 em 2010 (média de 200,9) e 1655 em 2011 (média de 236,4); com caminhões, 504 em 2010 (média de 42) e em 2011, 378 (média de 54); com bicicletas, 250 acidentes em 2010 (média de 20,7) e 143 em 2011 (média de 20,4); os acidentes envolvendo ônibus totalizaram 225 em 2010 (média de 18,7) e 179 em 2011 (média de 25,5) e os outros veículos, incluindo: motonetas; caminhonetas; trator; semi-reboque, ciclomotor e, até, carroça e carro de mão, somaram 9591 em 2010 (média de 799,2) e 6.623 (média de 946,1). Em praticamente todas as avaliações, como se pode observar, houve uma alta no comparativo do ano passado com este ano.

Só educar para o trânsito não basta
Na última terça-feira, 19, a Campanha Nacional de Trânsito foi aberta oficialmente em Anápolis, durante solenidade realizada na Praça Dom Emanuel, no Bairro Jundiaí. No final da tarde, enquanto uma blitz educativa era realizada nas imediações, voltada para os motociclistas, no centro da praça, autoridades e populares se concentravam em torno da mobilização organizada pela Companhia Municipal de Trânsito e Transporte.
O diretor geral da CMTT, tenente-coronel Sidney Pontes, disse ao CONTEXTO, ao ser questionado sobre o que tem acarretado o número elevado e crescente de acidentes, destacou que o principal fator é o grande número de veículos, aliado ao desrespeito às normas reguladoras do trânsito. Além disso, ele reconheceu que pode, também, estar havendo deficiência no processo de formação dos condutores de veículos, o que, segundo ele, já demanda outra análise mais aprofundada. E, finalmente, ponderou que as campanhas educativas de trânsito são eficientes, mas por si só elas não bastam. “O motorista-cidadão tem que ter uma educação que vem da família. Primeiro, as pessoas têm que ter o respeito umas com as outras, isso é um princípio básico para que tenhamos a paz no trânsito”, salientou. O problema, reforçou, não é cumprir as normas de trânsito, apenas para não ser multado, “mas, sobretudo, porque o cumprimento das leis vai garantir a integridade da pessoa e do patrimônio, ou seja, é um benefício que ela faz a si mesma e a outras pessoas que podem eventualmente estar envolvidas num acidente”, ponderou, acrescentando que a parte educativa desenvolvida pelo órgão é contínua, “mas as próprias pessoas têm de contribuir, trazendo bons valores para as ruas”, reforçou.
O presidente do Conselho Estadual de Trânsito, Anicésio Afonso Miranda, que veio de Goiânia para participar do evento, trouxe mais alguns números que incomodam: no ano passado, em Goiás, foram registrados mais de 91 mil acidentes e 228 vidas foram ceifadas no trânsito. Segundo ele, é mais do que hora de a sociedade se envolver numa grande mobilização para coibir os abusos e preservar vidas. O vice-prefeito João Gomes afirmou que a Prefeitura tem feito um trabalho grande em relação à sinalização e intervenções para melhorar o fluxo de veículos nas ruas, principalmente, na região central. No entanto, observou que a população também precisa fazer a sua parte, cumprindo a legislação de trânsito e buscando evitar os acidentes.


Acidentes envolvendo motos preocupam
O diretor geral da CMTT, tenente-coronel Sidney Pontes adiantou que, este ano, o foco da campanha estará voltado principalmente para o motociclista, já que é uma frota que cresce ininterruptamente e, com isso, também cresce o número de acidentes, incluindo os de maior gravidade e envolvendo vítimas fatais.
Para isso, a CMTT está distribuindo durantes as blitzens, um folder informativo trazendo, na capa, uma indagação: “Você sabe pilotar?”. Dentro, o conteúdo enfoca os principais motivos de acidentes. Os principais são: colisão durante a conversão à esquerda em via de mão dupla, quando o motociclista pára bruscamente ou se esquece de acionar a seta ou, então, quando o motorista que vem em um veículo atrás está desatento. Outra situação é quando o motociclista é fechado por outro veículo. Neste caso, ocorre de a moto circular pelo canto esquerdo e não ser vista no “ponto cego” do retrovisor. Há, ainda, a colisão no cruzamento, quando um dos veículos avança a faixa de “pare” ou o sinal vermelho; a colisão durante a manobra de mudança de faixa, quando o motociclista se esquece de acionar a seta eou de checar quem vem atrás pelo seu retrovisor e, finalmente, o atropelamento na faixa de pedestre, quando o motociclista não respeita o direito de travessia de quem está á pé.

Autor(a): Claudius Brito

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