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Mães querem que a Prefeitura mantenha seus filhos na Escola

Educação Comentários 01 de novembro de 2014

Secretaria de Educação colocou outras unidades de ensino à disposição para que os alunos sejam transferidos. Embora tenha causado descontentamento, a medida visa atender cobranças do TCM e do Ministério Público


Mães de alunos da Escola Municipal Bom Samaritano, que funciona em um prédio mantido pela Associação Cristã Bom Samaritano, na Vila Brasil, são contra o fechamento desta instituição de ensino. A Prefeitura determinou que as crianças, do 1º ao 5º ano, sejam transferidas para a Escola Municipal São José ou para outras instituições, conforme a necessidade.
Suélida Soares dos Santos tem um filho, Wellington de Freitas, no segundo ano da instituição. Conforme explicou, “ele não anda, é um cadeirante”. Seu filho, conforme afirmou, já sabe escrever e conhece todas as vogais. “Ele vai regredir, porque ele custou se adaptar aqui, como todo mundo sabe”, declarou, acrescentando que Wellington rejeita a ideia de sair da unidade. “Ele não aceita sair daqui. Eu falo com ele, ele balança a cabeça, negativamente. Eu acho que eu vou ter um prejuízo, sobretudo, com a locomoção, porque nós não temos condições de ir para o Bairro São José. Como que eu faço com a cadeira de rodas, levar?”, indagou.
Suélida informou que houve a promessa da Secretaria Estadual de Educação de fornecer o transporte para alunos com deficiência, quando for feita a transferência para outra escola. Conforme disse, “esse transporte não existe”. “Meu filho não vai estudar mais, porque eu não tenho condições de levar ele todo dia para a outra escola”, continuou. “Vou estar junto com as outras mães. Eles não podem fechar esta escola aqui de jeito nenhum”, exclamou.
A mãe de Wellington narra que ele tem dez anos de idade e “evoluiu bastante” na Escola Bom Samaritano. “Meu filho quer vir para a escola, quer aprender. Ele mostra os cadernos, as coisas que estão fazendo, os amiguinhos dele”, relata Suélida, sobre o envolvimento do menino nos estudos. “Como ele vai ficar psicologicamente? Ele não aceita”, indagou, entristecida. Além de Wellington, Suélida ainda cuida de outros dois filhos e uma filha. Seu marido trabalha em montagem industrial para o sustento da família.

Luta
Ezenralda de Castro possui dois filhos na instituição de ensino, um no segundo e outro no terceiro ano infantil. Juntamente com outras mães, conseguiu reunir mais de 150 assinaturas de pais de alunos e representantes da comunidade. Um documento foi enviado ao Ministério Público (MP), exigindo a manutenção da Escola Municipal Bom Samaritano. O MP, de acordo com Ezenralda, pediu dez dias para apreciação do caso. Ela lidera um grupo que vai tentar reverter o fechamento até antes do início das matrículas, previsto para o dia 05 de novembro.
Ela entende que “tem que ter uma escola para atender à população mais próxima” e que a Bom Samaritano “dá tudo” de que os alunos necessitam. Ela indicou que a Prefeitura “não está oferecendo alternativa” para as famílias. Ela está preocupada com a chegada do período da rematrícula, no próximo dia 05, e teme que não dê tempo de reverter a decisão. “Já estamos com os bilhetes (da rematrícula) em mãos”, destacou. Ela reclama que, para alguns pais, será difícil transferir os filhos para outras escolas do Município, pela distância a ser percorrida e pelo tempo gasto para o trajeto.
Quando transferidos, conforme constatou, seus filhos, um de 8 e outro de 9 anos, no segundo e terceiro ano, respectivamente, terão que estudar em turnos separados, o que aumentará ainda mais as suas dificuldades. Conforme informou, eles irão para a Escola São José, localizada no bairro de mesmo nome. “A comunidade não aceita a escola fechar”, exclamou.

Bom Samaritano
William Baird Fanstone é diretor da Associação Bom Samaritano, mantenedora do prédio onde fica a escola que carrega o nome da entidade. O convênio entre a Prefeitura e a Associação já dura seis anos. No prédio, funcionam uma Escola Estadual, para alunos do 6º ao 8º ano; e a Escola Municipal, do 1º ao 5º ano. Ao todo, 198 alunos estudam na instituição municipal. Ele lamenta que o prédio “fica sem uma perna”, se referindo ao fechamento da escola. E acrescentou que no local são realizados projetos sociais que beneficiam as crianças e que também serão comprometidos.

Secretaria
A Secretária Municipal de Educação, Virgínia Melo, explicou a Prefeitura tem um convênio com a Associação Bom Samaritano, o qual foi feito quando as escolas municipais não tinham condições de atender a todos os alunos. Com a reforma e ampliação da Escola São Jose, explicou, houve a decisão do Poder Público Municipal de fechar a Escola Bom Samaritano.
A decisão foi tomada, informou, para “otimizar os recursos públicos”, uma vez que o Tribunal de Contas e do Ministério Público tinham “cobrado” da Prefeitura o cumprimento desta exigência legal. Conforme explicou a secretária Virgínia Melo, as prefeituras não podem fazer convênios desta natureza em regiões que têm condições de abrigar os alunos na rede municipal de ensino.
Conforme informou, a Prefeitura paga atualmente a água, luz e telefone do prédio onde fica a Escola Bom Samaritano e oferece a merenda escolar. Os professores, equipe gestora e colaboradores da escola fazem parte dos efetivos do município. Ela acrescentou que os pais que acharem a Escola São José longe, poderão escolher entre outras instituições da rede. Os professores serão também transferidos para a São Jose. “Professor só não vai, se não quiser”, afirmou. O restante dos colaboradores, da mesma forma, também poderão ser transferidos para esta ou para outras unidades.
Ela ainda destacou que a Secretaria tem “conversado com as famílias” dos alunos. E explicou que está sendo avaliada uma maneira de fazer a transferência das crianças gradativamente. Conforme explicou, a ideia é fazer, a partir de 2015, a retirada dos alunos de uma série a cada ano. A primeira a ser retirada seria a turma do 1º ano, no ano que vem, e assim sucessivamente, até a retirada definitiva.

Autor(a): Felipe Homsi

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