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Mãe, três meses após morte de filho: “não posso ficar sem resposta”

Violência Comentários 13 de maro de 2015

Caso ocorrido em 28 de novembro de 2014, durante retiro de escola de filosofia reconhecida internacionalmente e com sede em Anápolis, continua sem resposta. Elza Maria Parreira Lopes Tonetto, mãe de Paulo Gabriel Lopes Tonetto, que morreu após disparos de arma de fogo, iniciou campanha pessoal para tentar descobrir o que realmente aconteceu naquele dia. Nem autoridades, nem escola dão respostas adequadas, conforme ela afirma.


Um rapaz novo, com apenas 24 anos, cursando o 5º período do curso de História, professor de Filosofia em uma escola reconhecida nacionalmente, com unidade em Anápolis. O futuro esperava muito de Paulo Gabriel Lopes Tonetto, morto, segundo a mãe, Elza Maria Parreira Lopes Tonetto, no dia 28 de novembro de 2014, durante um retiro realizado no distrito de Girassol - Cocalzinho de Goiás. Ele foi encontrado, conforme o relato de Elza, aproximadamente às 17 horas, com sinais de tiro na mão e olho direitos.
Apesar de a mãe acreditar que o filho tenha morrido na hora do ocorrido e que a escola de filosofia tenha atrasado a dar informações para a família sobre o estado da vítima, a certidão de óbito aponta que ‘o falecimento ocorreu entre o dia 29/11/2014, às 17 horas, e o dia 30/11/2014, às 23h00’. “Eu não sei o que eles (escola) estão escondendo. Alguma coisa deve ter acontecido”, declara. Esta indagação sobre o que, realmente, ocorreu tem levado a mãe de Paulo Gabriel Lopes Tonetto a empreender uma busca por respostas, o que inclui a mobilização de veículos de comunicação locais, anúncios em jornais e auxílio da família na busca.
“Eu só faço isso”, declara em prantos. “Eu só faço isso da minha vida. Eu passo o dia pensando, passo a noite sonhando”, continua seu relato sobre a busca de uma solução para a morte do filho. O caso foi registrado no Centro Integrado de Operações de Segurança de Águas Lindas de Goiás, às 03h46 do dia 29 de novembro de 2014. Causa estranhamento a ela o fato de a família, por meio do seu filho mais velho, Sylvio Tonetto Netto, ter sido avisada do que ocorreu apenas às 00h20, aproximadamente seis horas depois que o fato ocorreu.

Sem respostas
A falta de respostas, tanto por parte da escola de filosofia, quanto das autoridades competentes, gera a angústia na mãe: “Eu não tenho mais o que fazer. Acabou. Acabou minha vida. Eu só tenho que descobrir o que aconteceu com meu filho. Só isso. Eu prefiro descobrir o que aconteceu com ele. Eu estava preparando um menino para a vida, não preparando para a morte. O certo seria eu ir primeiro. Existem mortes piores do que a dele? Sim, existem. Mas a dele foi a mais estranha, porque o menino estava em uma escola, ele dava aula também”.
“A escola não fala no assunto, ninguém que é de lá pode falar no assunto”, aborda sobre a atitude da instituição de ensino quando questionada sobre o fato. Para pagar o custo da campanha que ela realiza, Elza deixa de pagar algumas contas pessoais e utiliza recursos próprios. “Eu quero saber o que aconteceu”, continua. Ela menciona ainda que irá “até o fim” para saber o que ocorreu e que tem sofrido ameaças por parte da escola na qual o filho estudava. Por conta deste fato e por ela ter citado que veículos de comunicação da Cidade também foram ameaçados, esta matéria não citará o nome da referida escola.
“Vai processar, vai levar o que? O gato, o periquito, o meu carro que eu ainda pago por ele? Não vai levar nada, eu não tenho nada”, diz, apresentando, ainda, os sinais da tristeza pelo fato. Conforme também detalhou, sua saúde está debilitada desde que perdeu o filho.

Detalhes
Paulo Gabriel Lopes Tonetto, de acordo com a mãe, frequentava de 15 em 15 dias uma fazenda no Distrito de Girassol - Cocalzinho de Goiás, para atividades da escola de filosofia na qual ele trabalhava. Na data do ocorrido, era realizado no local um encontro mundial de damas. A mãe afirma, citando relatos de pessoas que estavam no local, que o rapaz estava em uma espécie de mirante com guarita, fazendo a guarda do retiro. “Meu filho não era guarda, ele não tinha porte de arma. Ele nem tinha idade para ser um guarda”, diz, abordando que a arma foi disponibilizada pela escola.
Quanto a este fato, ela afirma que “a escola muda a opinião”, ora declarando que no local havia armas, ora afirmando que não. Ela não tem dúvidas: a arma, supostamente uma espingarda Valmet número 16.777 Urava M49, calibre 22, “é da escola”. “Ele não era guarda, ele era um estudioso”, acrescenta ao lamento. Paulo Gabriel foi levado ao Hospital das Forças Armadas, em Brasília. A causa da morte, que consta na Certidão de Óbito, lavrada em 1º de Dezembro, indica ‘traumatismo cranioencefálico, ação de instrumento perfuro contundente, disparo de arma de fogo’. As informações sobre a arma foram repassadas pela sobrinha de Elza, a advogada Karla Andrade Costa Lacombe, que registrou o boletim de ocorrência.

A morte
Elza Maria Parreira relata a cena que viu no hospital: seu filho entubado, com ferimentos e curativo na mão e olho direitos. “Cheguei lá, eu falei: ‘eu quero ver meu filho’”, destaca. “Fui lá, olhei meu filho. Falei: ‘não, meu filho está morto’”, indica, ao mencionar que continua acreditando que Paulo morreu na hora do ocorrido. Pessoas que estava na fazenda e que, depois, foram para o Hospital disseram, conforme citou Elza, ter escutado um “estampido” e um “gemido”. “E, não me dão mais satisfação”, lamenta.
“Ninguém me dá atenção. Não me dá atenção porque a escola é forte. Eu não sei o que eles estão escondendo. Alguma coisa deve ter acontecido”, repete. Ela tem suas próprias conclusões sobre o fato: “Eles falaram que foi um acidente dele com ele mesmo. Só que é mentira, porque se não teria pólvora no corpo do meu filho”. Elza entende que “não pode ter sido um acidente” e diz que aguarda exame de balística, que “está demorando demais”. Seu relato continua, com o sentimento da mãe que busca respostas: “Era um menino bom”.
Ela ainda declara que sua procura por informações continuará. “Eu não vou parar não”, aborda. Muito mudou na sua maneira de ver a vida, desde que perdeu seu filho. “Todas as noites eu rezo pelas mães de todo mundo, pelos filhos”, relata. E diz, ainda, surpresa e chocada com a situação, como tem sido duro sentir na pele ter perdido seu rapaz: “Hoje, aconteceu com meu filho”.

Autor(a): Felipe Homsi

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