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“Lurdinha malagueta”

Boa Prosa Comentários 23 de julho de 2010

Final dos anos 60, início dos anos 70. A região da Avenida Brasil (centro), onde ficava a Estação Rodoviária (hoje uma revendedora de veículos) era tomada por muitas oficinas mecânicas. E, era muito comum, os profissionais daqueles estabelecimentos se reunirem para programas de lazer, como futebol, pescarias e outros


Final dos anos 60, início dos anos 70. A região da Avenida Brasil (centro), onde ficava a Estação Rodoviária (hoje uma revendedora de veículos) era tomada por muitas oficinas mecânicas. E, era muito comum, os profissionais daqueles estabelecimentos se reunirem para programas de lazer, como futebol, pescarias e outros. Por lá, esporadicamente, aparecia um senhor de nome Antônio, que todos chamavam de “Tonico”. Ele era uma espécie de mascate. Vendia tudo: botinas, roupas, relógios, etc. Acabou fazendo amizade com os mecânicos, pintores e lanterneiros. E, não se sabe como, alguém espalhou uma história de que o “Tonico”, de vez em quando, apanhava da mulher, de nome Lourdes, mas que os vizinhos chamavam de “Lurdinha malagueta”, possivelmente pelo seu temperamento meio explosivo.
Pois bem... Uma tarde, o pessoal se preparava para pescar às margens do Rio Corumbá, quando “Tonico” apareceu dizendo que ia também. Foi quando um mecânico chamado Luiz disse: “Primeiro você vai pedir à sua mulher. Ela pode não deixar você ir”. Ao que “Tonico” respondeu: “Lá em casa quem canta é o galo, meu chapa! Vamos parar lá e eu vou só trocar de roupa”.
Combinado o passeio/pescaria, a turma, a bordo de uma caminhonete Chevrolet, parou em frente à casa de “Tonico”, nas proximidades da Rua dos Carreiros, Bairro Jundiaí. E, Dona Lourdes estava, exatamente, na porta. Um metro e meio de pura encrenca. Antônio, de cima da camioneta, disse: “Meu bem... vou pescar com o pessoal. À noite a gente volta”. Sem esperar um segundo, Dona Lourdes respondeu: “Vai pescar conversa. Desce logo daí e vem bombear água da cisterna para a caixa d’água”.
“Mas, eu já combinei com a turma”, ponderou “Tonico”.
Dona Lourdes se aproximou da camioneta e “ordenou” que o marido descesse. Quando este tocou o solo, recebeu, imediatamente, dois belos bofetões no rosto. Foi caminhando rumo à porta da sala, virou-se para os colegas deu de ombros e disse: “Gente: vou ficar. Minha mulher tá meio nervosa hoje”. Nunca mais “Tonico” apareceu nas oficinas. Nem para vender suas bugigangas, nem para explicar o que aconteceu depois daquela tarde fatídica. Fato verídico. Com testemunhas.

Autor(a): Nilton Pereira

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