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Luminária: Um ponto cultural escondido no centro de Anápolis

Cultura Comentários 13 de julho de 2012

Estabelecimento guarda as características dos famosos sebos, locais onde se encontram antiguidades literárias e musicais e onde se reúnem intelectuais anônimos da Cidade


O cheiro dos livros velhos, a decoração característica ao ambiente e a cortesia dos proprietários, fazem de um casarão antigo, na Rua Desembargador Jaime, no centro da Cidade, um espaço quase indescritível pelo misto de simplicidade e intelectualidade que ostenta.
Desde dezembro de 2009, a Luminária Livraria e Cafeteria é um ponto de encontro cultural que se constituiu numa referência em Anápolis. Lá existe um acervo com, aproximadamente, quinze mil livros, entre novos e usados, expostos em antigas prateleiras de madeira, compondo um cenário que objetiva incentivar a prática da leitura aos que não têm o hábito de ler.
É, mais especificamente, um sebo, ou seja, uma livraria que comercializa livros usados. Ela foi aberta por Carlos Lázaro e Manoel Messias, dois irmãos que apostaram na ideia de introduzir a leitura no cotidiano dos anapolinos, como conta Carlos que, na juventude, foi morar no Rio de Janeiro, onde conheceu sua esposa Vânia e lá ficou por 36 anos. “No Rio de Janeiro é comum ver muitos sebos que têm uma boa aceitação popular. Eu frequentei, bastante, esses locais e sempre tive vontade de abrir algo do gênero aqui na minha cidade”, disse ele. Carlos falou que quando voltou para Anápolis, há três anos, colocar a ideia em prática deu certo. “O casarão, num ponto estratégico, estava para alugar e a dona queria que fosse usado como ponto comercial. Também, um sebo estava vendendo seu estoque por que iria reduzir o tamanho da loja e nós compramos parte dele. Depois disso, começamos a colocar nossa ideia em prática”, disse.
É bastante comum que os frequentadores da livraria, ou até mesmo os que só passaram por ali uma única vez, comentem sobre a cortesia dos anfitriões, ‘Seu Carlos’ e ‘Dona Vânia’ que, sempre bem humorados e educados, recebem igualmente a qualquer pessoa que adentre ao estabelecimento, mesmo que por curiosidade. E, foi com essa cortesia descrita que eu, também, fui recebida. Antes de entrar lá, vi um cartaz anunciando a campanha “Circulendo”, que Carlos logo explicou que, certa feita um estrangeiro passou por lá e a Vânia lhe mostrou alguns livros. Quando ela disse o preço, o homem tomou um susto e falou: “Isso é um absurdo! Lá no meu país eu compro um livro por cinquenta centavos de dólar. Não vou levar nenhum livro!”. Esse episódio despertou neles a percepção de que as pessoas não compram livros e não adquirem o hábito de ler, por que os livros no Brasil custam, sim, muito caro. Assim, surgiu o “Circulendo”, que faz com que qualquer livro, exceto os dos autores anapolinos e de uma editora específica, custem de zero até, no máximo, quinze reais. “Isso faz com que o nosso principal objetivo, de incutir a leitura no dia-a-dia das pessoas, se torne concreto, pois todos podem ter acesso aos livros”, explica. “Cerca de 500 livros ficam à disposição, de forma gratuita, dos clientes, que após lerem-no, têm o compromisso de entregá-lo a outra pessoa que deve dar sequência a este circuito.”
Além do “Circulendo”, desde o fim do mês passado, a livraria criou o Clube de Leitura Luminária, em que todos os que têm interesse por literatura podem se associar. Funciona da seguinte forma: os clientes interessados assinam um termo de filiação e pagam um taxa de dez reais por três meses, se associando ao clube que dá 30% de desconto em qualquer livro ou disco vendido no sebo.
Embora seja aberta a toda a população, o público que se sente mais atraído pela Luminária é composto por jovens, principalmente os estudantes e universitários, como Karyna Pereira, 25. “Quase todos os dias estou aqui. Frequento desde quando abriu”, costuma dizer. Ela, além de usar do ambiente para fazer pesquisas, tanto na internet quanto no acervo, gosta de debater ideias. “Aqui é um ambiente cultural realmente. O Carlos e a Vânia são pessoas que sabem tratar bem o cliente e a gente acaba sempre tendo bons momentos”, concluiu.
Para os mais interessados em música, a Luminária têm incontáveis discos, os conhecidos LP’s, e Compactos de 33 RPM (rotações por minuto) em vinil, de diversos gêneros, como samba; MPB; tango; entre tantos outros, e claro, a um baixo custo.
Um detalhe importante é que no referido estabelecimento são promovidos, regulamente, saraus com a apresentação de instrumentistas; poetas, declamadores e cantores da região. Também, acontecem lançamentos de obras literárias e outros eventos ligados à arte e à cultura. Para quem pretende saber mais detalhes desta casa cultural, basta fazer uma visita. A Luminária Livraria e Cafeteria funciona, de segunda a sexta, das 9hs ao meio dia e das 13h30 às 18hs, e aos sábados das 9hs às 13hs.
Pequeno Quadro
LUMINÁRIA LIVRARIA & CAFETERIA
Rua Desembargador Jaime, 135 - Centro
Telefone: (62) 3702-3471
Site: www.agoranapolis.com.br
E-mail: luminarialivraria@gmail.com
Face book: Luminária Livraria & Cafeteria

A ORIGEM DOS SEBOS

Os sebos surgiram no século XVI, na Europa, quando os mercadores começaram a vender a pesquisadores, papiros e documentos importantes da época.
Segundo o historiador Leonardo Dantas Silva, esses mascates eram chamados de alfarrabistas, nome que os acompanha até hoje em países como França e Bélgica, onde essa atividade é considerada essencial para historiadores e pesquisadores em geral.
Existem algumas versões a respeito da origem do termo sebo. Uma delas diz que, no tempo em que não havia luz elétrica, as pessoas liam à luz de velas. As velas eram feitas de gordura, de sebo. Conforme iam derretendo, acabavam sujando os livros, que ficavam engordurados. Outros dizem que os estudantes e leitores vorazes por irem a todos os lugares com um livro embaixo do braço acabavam por torná-lo sujo, ensebado.
Os primeiros sebos no Brasil foram montados por intelectuais no Rio de Janeiro, no final do século XIX, e logo se espalharam pelo território nacional.

Autor(a): Carol Evangelista

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