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Judiciário quer ações práticas para reduzir criminalidade em Anápolis

Violência Comentários 02 de junho de 2017

Onda crescente de violência preocupa juízes, promotores e demais autoridades ligadas à segurança pública.


A busca de soluções para o crescente aumento do índice de criminalidade em Anápolis foi debatida no final da tarde da última quinta-feira, na sala de reuniões do Fórum, em um encontro que contou com a presença do secretário estadual de Segurança Pública do Estado, Ricardo Balestreri, a alta cúpula da Policia Militar e da Polícia Civil, juízes, promotores de justiça, prefeito Roberto Naves, presidente da Câmara Municipal, Amilton Batista Filho, vereadores e outras autoridades ligadas à segurança pública de Anápolis e do Estado.
O encontro foi uma iniciativa conjunta do juiz da Infância e Adolescência, Carlos Limongi Sterse e do diretor do Fórum, juiz Ricardo Silveira Dourado, mas reflete a preocupação de todo o Poder Judiciário e do Ministério Público com o aumento da criminalidade no Município. Esta semana ocorreram dois duplos homicídios na cidade, um deles em um bar no Bairro Jundiaí e outro no pátio do Juizado da Infância e Adolescência, na área central da cidade, onde dois vigilantes foram assassinados a tiros. Os quatro homicídios estão sendo investigados pela Polícia Civil, mas até o fechamento desta edição ainda não havia pistas sobre seus autores.
Durante a reunião, os juízes Carlos Limongi e Ricardo Silveira fizeram um amplo relato sobre a criminalidade no Município, afirmando que onda crescente de violência vem aumentando a cada dia, preocupando não apenas as autoridades do Judiciário e do Ministério Público, mas, sobretudo, toda a população que se sente amedrontada e insegura com o elevado índice de roubos, furtos, assaltos e homicídios. “Hoje o cidadão de bem se tornou refém de bandidos, forçando-o a ficar praticamente preso em casa com medo das violentas ações que eles praticam na cidade”, disse o juiz Carlos Limongi.
AFRONTA
Ele considerou uma afronta ao Judiciário o assassinato de dois vigilantes na sede do Juizado da Infância e Adolescência, afirmando que os criminosos perderam o receio e o limite para afrontar a própria justiça. “Queremos uma apuração rigorosa desses e de muitos outros homicídios que vem ocorrendo com freqüência em Anápolis”, frisou o juiz Carlos Limongi pedindo ao secretário de Segurança Pública o aumento do policiamento ostensivo nas ruas da cidade, do número de viaturas e do efetivo das polícias Militar e Civil. “os criminosos, sem nenhum limite, já estão batendo na porta do Judiciário”, acrescentou o juiz se referindo ao duplo homicídio ocorrido na sede do Juizado da Infância e Adolescência. Ele reivindica também um melhor aparelhamento da polícia civil para que as investigações de crimes de homicídios sejam bem sucedidas, aumento do número de agentes responsáveis por investigações e de peritos da Polícia Técnico Científica.
De uma maneira geral os juízes acham que o número de viaturas e do efetivo está hoje aquém das necessidades de Anápolis. “Isso facilita ação dos criminosos”, afirmou o diretor do Fórum, juiz Ricardo Silveira atribuindo também para o aumento da criminalidade o desemprego, a crise financeira, a falta de programas sociais e a localização geográfica de Anápolis, situada entre o Distrito Federal e as cidades do seu entorno e a capital do Estado. Segundo ele, hoje a cidade recebe muitos moradores do entorno, atraídos pelas facilidades de cometer crimes em Anápolis.
O juiz Carlos Limongi defendeu também uma ação mais rigorosa no combate ao tráfico de drogas. Segundo ele, hoje, a grande maioria dos homicídios praticados na cidade tem envolvimento com o tráfico de drogas. Outra questão que levantou muitos debates foi a transferência de presos do complexo prisional de Aparecida de Goiânia para o presídio inacabado de Anápolis. De acordo com os juízes presente no encontro, essa transferência foi feita sem comunicado prévio ao Judiciário.
ESTRUTURA
Os juízes acham que junto com os presos, deveriam também ter vindo para Anápolis uma estrutura de pessoal, veículos e armas de combate para garantir segurança à cidade e sua população. Para eles, a presença destes presos na cidade aumenta a criminalidade porque acabam atraindo parceiros de crimes e seus familiares, mudam para Anápolis para ficarem mais próximos.
A resposta do secretário de Segurança Pública, Ricardo Balestreri a todas estas questões não foi muito animadora, apesar de sua promessa de atender as reivindicações “dentro do que for possível”. Ele se justificou afirmando que depende de outras secretarias para viabilizar os recursos e atender as demandas. “Vamos analisar todas as reivindicações com muito cuidado”, disse o secretário antecipando que considera difícil aumentar o efetivo policial da cidade porque o efetivo de todo o Estado está aquém de suas necessidades.
“Só com a realização de concurso público que poderemos atender essa demanda”, acrescentou Ricardo Balestreri explicando que para destinar mais viaturas e equipamentos, a Secretaria de Secretaria de Segurança Pública depende de recursos que não constam de seu orçamento. Sobre os presos que estão provisoriamente no presídio inacabado de Anápolis, o secretário afirmou que as obras no presídio de Goiânia, que teve uma ala destruída em uma rebelião de presos, está sendo acelerada, mas não antecipou quando será concluída.
Segundo o secretário, do total de 558 presos transferidos para Anápolis, restam hoje 364. “Paulatinamente estamos fazendo o retorno desses presos”, acrescentou Ricardo Belestreri, revelando que 112 presos devem ser transferidos ainda este mês, restando, portanto, outros 252 para retornar ao presídio de Aparecida de Goiânia. Sobre o acordo firmado com o Ministério Público para que a transferência seja concluída até o início de agosto, o secretário preferiu não fazer nenhum comentário.

Autor(a): Ferreira Cunha

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