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Jovens em situação de conflito com a lei participam de oficinas de arte

Geral Comentários 25 de outubro de 2018

Medida deve elevar o nível de ressocialização entre os jovens que passam pelo Centro de Atendimento Socioeducativo


Pelo menos sete jovens que cumprem medidas de internação no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Anápolis estão participando semanalmente da oficina de pintura em tela, sob orientação da professora de artes e história, Adna Gomes. A oficina integra as atividades recreativas aliadas à promoção cultural. A medida faz parte das melhorias previstas no Case, projetadas pelo governo de Goiás.
De acordo com o titular da Secretaria Cidadã, Murilo Mendonça, o Case de Anápolis, que é gerido por uma organização social desde agosto último, passou por uma melhora exponencial, o que deve melhorar o índice de ressocialização entre os jovens que passam por lá. “É muito gratificante ver as mudanças pelas quais o socioeducativo está passando. O que estamos realizando, sob a orientação do governador José Eliton, iremos aplicar nas demais unidades [do socioedutcativo]”, adiantou.
O adolescente que cumpre medida socioeducativa na unidade, Paulo*, apoiou a iniciativa e disse que a atividade proporciona um momento de relaxamento e distração. “A gente ficava muito tempo dentro do alojamento e sempre queremos sair, respirar um ar puro e aprender alguma coisa nova”, relatou.
Ao explicar sobre a pintura que estava desenvolvendo durante a oficina, Paulo chamou a atenção da educadora e dos participantes. “Estou pintando a história da minha vida e meu desejo para o futuro. Desde a escolha ruim que fiz lá atrás até o destino que eu quero chegar um dia, me tornar um agrônomo e mudar minha história. A cor preta representa meu passado escuro e ruim, a vermelha o amor e a cor verde que me traz a esperança e onde quero chegar”, contou emocionado.
A professora Adna Gomes explicou que a arte permite aos socioeducandos um momento de reflexão e de alívio das tensões, além de proporcionar o desenvolvimento de novas habilidades. “Percebo que eles gostam muito, estão sempre ansiosos para a próxima oficina. Muitos querem levar os quadros para os alojamentos para continuar a pintura. É um instante único para eles porque aqui estão vivendo a prática da arte e, posso garantir, temos muitos artistas aqui dentro”, enfatizou.
Ricardo* é um exemplo de quem já apresentou aptidão para as artes. Desde o início do mês ele está caprichando na tela que mostra uma mulher de costas e disse que quer mostrar o trabalho para a família. “Pintei o que me veio na cabeça primeiro, vou ter uma explicação sobre ela quando eu terminar e quando isso acontecer quero mostrar logo para os meus pais o que eu fiz aqui dentro”, disse.
As oficinas ocorrem semanalmente como parte da atividade recreativa, cultural e educacional.
O Case de Anápolis já está disponibilizando aos adolescentes atividades em várias modalidades esportivas (futsal, karatê, futevôlei e judô), todos os dias no contraturno escolar, e recreativas (xadrez, dominó, videogame com óculos de realidade virtual).
Integrando também as ações de socialização e interação entre os adolescentes e colaboradores da unidade, o Case promove toda última sexta-feira do mês uma confraternização para celebrar os aniversariantes – é um momento de integração e uma oportunidade de harmonizar e festejar.

Profissionalização
Foi instalada na unidade no início desse mês uma sala de informática com 13 computadores para o início do curso de informática básica, previsto para ser iniciado na próxima semana. O Juizado da Infância e Juventude de Anápolis, juntamente com o Ministério Público do Trabalho, e entidades do Sistema S (Sesc, Senac e Sebrae), institutos de educação (IFG e Itego), Acia, Base Aérea de Anápolis, Grupo Executivo de Apoio a Crianças e Adolescentes (Gecria), órgãos do executivo municipal e estadual, dentre outras entidades públicas e privadas de Goiás, criaram o grupo Rede Jovem Aprendiz para a realização de ações de reinserção, com a execução de projetos de profissionalização e encaminhamento ao mercado de trabalho dos adolescentes em medida no Case.
*Nomes fictícios em obediência ao Estatuto da Criança e do Adolescente


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