(62) 3317 5500 • comercial@jornalcontexto.net

Jornada Brasileira de Queimaduras é liderada por anapolino

Saúde Comentários 01 de junho de 2015

Evento será realizado em Brasília, com 80 palestrantes e a participação de profissionais de todo o País


A Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) está com inscrições abertas para o maior evento nacional ligado a pesquisas, prevenção, tratamento e reabilitação de queimaduras, trauma sofrido por cerca de um milhão de pessoas anualmente no Brasil. A IX Jornada Brasileira de Queimaduras, que marca o início das comemorações dos 20 anos de existência da SBQ, será realizada de 4 a 6 de junho, na Associação Médica de Brasília.


A programação terá 80 palestrantes de todo o País e convidados especiais dos países das Américas do Sul e Central. Além de conferências, mesas-redondas, mostra de produtos e homenagem aos profissionais que vêm se destacando nesta área, o evento engloba o I Simpósio Centro-Brasileiro de Feridas, o Curso de Qualidade de Vida no Paciente Queimado e o CNNAQ - Curso Nacional de Normatização de Atendimento ao Queimado.


À frente do evento, estará o médico anapolino Leonardo Rodrigues da Cunha, Presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras, que concedeu uma entrevista ao Jornal Contexto para falar sobre o evento e sobre os principais desafios enfrentados em Goiás e no Brasil, em relação ao atendimento a pacientes queimados. Segue:


 


O Brasil tem, hoje, uma rede de atendimento para atender a contento a demanda de pacientes queimados?


 


Leonardo Cunha - O atendimento a pacientes vítimas de queimaduras é regulamentado por Portarias do Ministério da Saúde/MS, que definem que a rede de atendimento deveria ser constituída por 68 Centros de Referência. Hoje existem 46 Unidades de Tratamento de Queimaduras distribuídos em 18 estados da Federação. A distribuição destes Centros não é homogênea e sua concentração é maior nas regiões Sul e Sudeste. Vários estados do Norte e Nordeste não dispõem de locais especializados para o tratamento e este modelo de gestão não garante atendimento integral e de qualidade a todas as vítimas de queimaduras.


 


Em Goiás, são poucas as unidades de referência nesta especialidade. Qual seria a solução para este problema?


 


Leonardo Cunha - Os estados do Centro Oeste e Norte oferecem poucas alternativas de tratamento para uma grande população, o que faz de Goiás uma referência para essa patologia. A demanda reprimida é significativa e não para de aumentar. Goiás, nas últimas cinco décadas, alcançou importante reconhecimento pela qualidade do tratamento das queimaduras o que aumenta a busca pelas soluções aqui propostas.


Nosso Estado não dispõe, até o momento, de unidades de saúde públicas para o tratamento especializado de pacientes vítimas de queimaduras. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras - SBQ e do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde - CNES/Ministério da Saúde, apenas dois serviços especializados estão localizados em Goiás, e, os dois, pertencentes à iniciativa privada. O Pronto Socorro para Queimaduras, hospital mais antigo e com sede na Capital, oferece 31 leitos no total, com 03 leitos em Unidade de Terapia Intensiva - UTI. Esse serviço tem contrato com a Secretaria de Saúde do Município de Goiânia para atendimento de pacientes pelo Sistema Único de Saúde. A segunda unidade especializada está em Anápolis, com estrutura de 34 leitos. Desses, 04 leitos em Unidade de Terapia Intensiva. Porém, após parceria com o Poder Público que durou mais de 37 anos, desde junho do ano de 2013 o hospital do interior não atende mais a pacientes do SUS, uma vez que teve seu contrato com a Secretaria de Saúde do Município de Anápolis – SEMUSA encerrado. Tal decisão foi motivada pelos constantes atrasos nos repasses dos pagamentos referentes aos tratamentos de pacientes queimados. Mesmo depois de Termos de Ajustamento de Condutas firmados entre as duas instituições, endossados pelo Ministério Público, não houve como sanar as dívidas do Governo Municipal para com o Hospital de Queimaduras.


Em resposta ao número crescente de pacientes, alternativas foram idealizadas e instituídas a fim de resolver o problema do atendimento. Pontuamos a criação de dois ambulatórios públicos, um em Goiânia e outro em Anápolis, capazes de resolver os casos de pequenas queimaduras com menor gravidade, uma vez que não possuem em sua planta física, setor de internação, ou mesmo, executam procedimentos cirúrgicos complexos inerentes, ao tratamento destes pacientes.


Como parte desta força tarefa, na Capital, hospitais públicos como o HUGO e o HGG tentam absorver, de forma profissional, mas dentro das suas limitações, casos mais graves ou que necessitam de UTI. Situação semelhante se repete no Hospital de Urgências Henrique Santillo - HUHS, em Anápolis.


Pacientes de cidades interioranas e de estados vizinhos são encaminhados, até mesmo sem regulação prévia, o que piora o problema das vagas.  As pactuações entre os municípios goianos e Estados são incipientes ou inexistentes, nas questão atendimento às queimaduras, fato que interfere negativamente na receita dos Municípios e dificulta novos investimentos como a ampliação da rede de atendimento.


O tratamento das queimaduras é lento e peculiar, não se compara a outros traumas na magnitude das despesas e custos, ou, ainda, na gravidade das sequelas e limitações impostas, bem como no interesse e formação incomum dos especialistas da equipe multidisciplinar, mas certamente é dos “acidentes” mais frequentes e trágicos que podem acometer o ser humano. Juntos, o Hospital de Queimaduras em Anápolis e o Pronto Socorro para Queimaduras em Goiânia, atendem a mais de 15.000 pacientes vítimas de queimaduras a cada ano. As queimaduras são comuns e menosprezadas, tanto por profissionais da saúde quanto pela sociedade civil. Rotuladas como uma simples lesão na pele a qual no pior cenário resultará em uma mancha como cicatriz, sendo seu tratamento relegado a pequenas salas de Ambulatórios e Hospitais Gerais por todo o país.


A inauguração do HUGO 2, em Goiânia, reacende a esperança de novos leitos, uma vez que em sua estrutura há uma Unidade de Tratamento de Queimaduras, inclusive com UTI. Certamente estes leitos salvarão muitas vidas e solucionarão por hora o problema dos queimados em Goiás.


 


 


Qual a expectativa do senhor, sobre este evento que a SBQ realizará em Brasília, reunindo profissionais de várias partes do País?


 


Leonardo Cunha - A expectativa é sensacional! A Comissão Científica se empenhou em selecionar temas inovadores e contemporâneos na esfera das queimaduras e feridas. Esta troca de experiências e as conversas com profissionais pelos “corredores” muito engrandecerá aqueles que, na próxima semana, prestigiarem o evento em Brasília. Será uma semana intensa de atividades voltadas ao paciente com queimaduras e suas interfaces. No dia 03 de junho acontecerá o Curso Nacional de Normatização de Atendimento ao Queimado, com ensinamentos focados na capacitação de profissionais para o atendimento destas lesões nas primeiras 24 horas após o trauma. Duas outras atividades paralelas disputarão a atenção dos congressistas neste dia: o I Simpósio Centro Brasileiro de Feridas e o Curso de Qualidade de Vida Pós Queimaduras. Dando continuidade às comemorações do Dia Nacional de Luta Contra as Queimaduras e dos 20 anos da SBQ, será realizado, no dia 02 de junho, terça-feira, o mutirão de cirurgias em pacientes portadores de sequelas de queimaduras no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). O mutirão atenderá cerca de 25 pacientes selecionados do Cadastro existente naquela Unidade. Tanto cirurgias menores quanto procedimentos de alta complexidade serão realizados por uma equipe de cirurgiões plásticos de renome nacional e internacional, divididos para ocuparem quatro salas cirúrgicas simultaneamente.


 


 


Embora seja uma jornada técnica, a SBQ pretende, também, chamar a atenção das autoridades em relação aos problemas que envolvem o atendimento a queimados no Brasil?


 


Leonardo Cunha - Ações de prevenção apoiadas por profissionais e instituições das várias unidades da Federação serão realizadas neste período ressaltando cuidados simples e a importância de medidas governamentais voltadas para a redução do número de acidentes com queimaduras bem como envolvendo a Sociedade Civil e o Estado laico para que, unidos pelo mesmo ideal, garantam cidadania aos nossos pacientes. A Primeira Dama do DF e também o Secretário de Saúde confirmaram presença na abertura do mutirão e da Jornada. No Programa Científico estão previstas mesas redondas e conferências voltadas à discussão de políticas públicas, prevenção e educação. Certamente, a realização da Jornada em Brasília foi intencional, exatamente esperando a sensibilização das autoridades constituídas em todas as suas esferas.

Autor(a): Claudius Brito

Comentários


Deixe seu comentário Dê sua opinião a respeito desta notícia. Seu e-mail não será publicado.


Código Anti Span Incorreto!
Obrigado! Seu comentário foi postado com sucesso!
Falhou! Preencha todos os campos obrigatórios (*)

+ de Notícias Saúde

Mudanças no programa Farmácia Popular preocupam vereadores

22/06/2017

O Vereador Antônio Gomide (PT) falou na tribuna, na última segunda-feira, 19, sobre o possível fechamento da Farmácia Pop...

Município anuncia importantes reformulações na área da saúde

15/06/2017

Uma das áreas mais sensíveis da Administração, a pasta da Saúde, tem desafios que extrapolam os limites do Município. P...

Anvisa ouve reivindicações dos laboratórios goianos

15/06/2017

Anápolis recebeu, no último dia 09, a presença do médico sanitarista e epidemiologista, Jarbas Barbosa da Silva Júnior, ...

Projeto atende a quase 800 pacientes que estavam na fila

26/05/2017

Há dois anos, a auxiliar de limpeza, Lídia dos Reis, 38, sentia fortes dores de vesícula. As pedras acumuladas no órgão ...