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Jaiara: Apesar do progresso, desafios sociais ainda são grandes

Cidade Comentários 18 de abril de 2015

População fala sobre o crescimento de uma das regiões que mais crescem no Município e cobra investimentos em Segurança, Educação, Saúde e Infraestrutura


A Vila Jaiara, localizada na região norte de Anápolis, a partir da década de 90, quando houve o fechamento da unidade da Empresa Têxtil Vicunha, precisou se reinventar. De acordo com relatos locais, a população do setor não tem preguiça de trabalhar e soube encontrar o caminho do desenvolvimento. Mas, este progresso trouxe consequências. O Jornal Contexto foi conferir o que a comunidade tem a falar sobre os principais desafios da região.
Romualdo Pedro de Paula é industriário. Trabalha por conta própria. Há 40 anos, mora na Jaiara. “O trânsito está complicado”, pontua. Para ele, é necessário fazer uma reformulação do tráfego local. Entre os problemas apontados, estão as ruas estreitas, os engarrafamentos nos horários de pico e uma engenharia de trânsito que foi feita, ao longo dos anos, de maneira equivocada. Ele entende que “está passando da hora de se fazer” uma reivindicação, cobrando maior atuação do poder público.
Romualdo reclama dos buracos nas ruas e indica que esta situação “agora está geral”. O asfaltamento do bairro, para o morador, “até que tem sido feito de uma forma melhor do que nos anos anteriores. Vêm com a máquina compactadora. Fazem, mas tem alguns lugares que faz em uma semana e, na outra, já está precisando fazer novamente”. O gerente de produção Vicente Gonçalves, 50, também, se queixa dos transtornos que o desenvolvimento causa. “A Jaiara cresceu. Hoje é uma cidade. Aqui tem de tudo. Mas, existem algumas coisas que estão deixando a desejar”, relata.
Para Vicente, a falta de segurança é um problema que atinge a população. Ele cita, ainda, a circulação de drogas o setor, que “está acabando com as famílias”. O reclamante reside na região norte há 35 anos. “Tem que corrigir mais (o uso de drogas), tirar estes traficantes das ruas”, acentua. E menciona que houve, nos últimos 15 dias, quatro assassinatos na ‘Grande Jaiara’. Conforme continua, “com o progresso tem o lado ruim. Quando cresce muito, cresce tudo. Cresce desorganizado”.
Mas esta não é o único problema apresentado pelo gerente de produção. “Está uma buraqueira danada aqui. Começa a chover e começam estes buracos”, continua seu relato, explicando que a ausência de asfaltamento gera, quase sempre, acidentes envolvendo veículos. Conforme disse, a Prefeitura tapa os buracos “de vez em quando”. Ele ainda cobra do Poder Público a colocação de mais quebra-molas para a diminuição das ocorrências de trânsito e estragos nos carros.
João Darcino da Silva, zelador de um campo de futebol utilizado pela Prefeitura para o ensino do esporte às crianças locais, disse que é preciso “investir mais na saúde, educação” e em políticas de segurança pública para a região.
Segurança e Educação
Carmelita Almeida de Oliveira é gestora do Colégio Estadual “Waldemar de Paula Cavalcanti”. Concirene Ribeiro Policarpo é secretária geral desta mesma instituição de ensino. Conforme citaram, professores e gestores de outras unidades educacionais da Jaiara relatam que alunos portam armas, como facas e canivetes, dentro de algumas instituições de ensino. Elas pontuam que, no bairro, há casos de uso de drogas e desrespeito aos professores. Na unidade em que atuam, elas disseram que há roubos de aparelhos celulares de alunos, no momento em que estes saem das aulas.
As servidoras acrescentam que falta estrutura de esporte e lazer na Jaiara. A quadra do Colégio onde trabalham recebeu, recentemente, do Governo Estadual recursos para a cobertura. Mas, o dinheiro não foi suficiente para iluminar, pintar e demarcar o local. Outro problema apontado é a falta de vagas. Neste ano, por exemplo, não foi possível ao Colégio “Waldemar de Paula Cavalcanti” atender à demanda de estudantes do 1º ano do Ensino Médio, que foram remanejados para outras instituições.
Maria Clarete Silva confirma a situação. Ela tem uma filha de 14 anos que estuda na rede pública de ensino. “Sempre, no início de ano, nós vemos a luta dos pais, madrugando nas escolas. É muita criança”, diz. Para ela, “tem que aumentar, mesmo, a oferta de vagas”. Maria, ainda, pontua que foi difícil conseguir um lugar para sua filha. “Tem todo um desgaste”, reclama.
Problemas relacionados à segurança pública, também, são relatados pela moradora. Perto de onde mora, na Rua T, a sede de um conselho comunitário de segurança pública desativado explicita o problema. O local está abandonado há quase dez anos. Ela reclama da presença de usuários de drogas no prédio. O posto comunitário de segurança pública foi fechado por mudanças de estratégia da PM. Informações da corporação indicam que a modificação aconteceu na década de 90, para que o patrulhamento fosse feito diretamente nas ruas, por viaturas.
A Polícia Militar explica, ainda, que desconhece o destino que será dado ao prédio abandonado pela Prefeitura. Sobre a quantidade de viaturas da PM que passam pelo local, a moradora Maria Clarete é enfática: “Nem tem tanta circulação mais. Teve uma época em que a gente via mais a presença delas”.
A Nova Jaiara
Os problemas decorrentes do desenvolvimento não conseguiram parar o progresso de uma comunidade que nasceu para o trabalho. Gilberto Pereira da Silva, 31, possui uma empresa produtora de doces à base de leite. Ele, sua esposa e dois funcionários, trabalham no empreendimento. Aproximadamente 15 toneladas são produzidas por mês por seu negócio, atendendo aos estados de Goiás; Mato Grosso; São Paulo, Pará e Maranhão. Há seis anos, resolveu arriscar. E, deu certo.
Sua fábrica começou em casa. Após muito trabalho, conseguiu financiamento por meio da Goiás Fomento e pode comprar seu maquinário. “O Bairro desenvolveu muito depois que a Vicunha fechou. Porque o pessoal tem força de vontade”, destaca sobre o fechamento da fábrica têxtil e a consequente recuperação econômica da Jaiara, uma vez que, aproximadamente, 1700 trabalhadores foram demitidos na década de 90 da antiga fábrica de tecidos. E, o que ele acha de trabalhar no ramo de doces? “Eu gosto”, responde.
“O objetivo da gente é trabalhar e melhorar de vida”, destaca. E, acrescenta que a Jaiara é um bom local para o estabelecimento de pequenas indústrias como a sua. Mas ele expressa o desejo de sair do bairro futuramente. Sua vontade é se transferir para o Distrito Agro Industrial de Anápolis. Ele fala do orgulho de trabalhar por conta própria, mas assume que “é um desafio, para quem gosta disso”. Gilberto revela que muitos moradores estão seguindo o mesmo caminho, o do empreendedorismo. “A Jaiara é um local muito bom, porque tem de tudo. Tem banco, tem hospital, muitos mercados. Tem muita gente aqui”, relata sobre o crescimento e presença de um grande mercado consumidor na localidade.
Mesmo que mude sua fábrica para outro local, ele não pretende se mudar com sua família para um bairro diferente. “A minha vida é toda aqui. Comércio, moradia, as vendas”, destaca. E exalta a grandeza do seu bairro: “é tipo uma cidade”. “É bom ficar no lugar em que a gente conhece todo mundo”, conclui.
Até o final desta reportagem, a Secretaria de Educação e a de Obras, Serviços Urbanos e Habitação não retornaram o contato do Jornal Contexto para explicar sobre questões ligadas ao asfaltamento e à falta de vagas em escolas na Jaiara.

Autor(a): Felipe Homsi

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