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Inundações e alagamentos castigam a cidade e a população

Cidade Comentários 19 de fevereiro de 2016

Com uma infraestrutura antiga e ultrapassada e sem um sistema de drenagem eficiente, as fortes chuvas dos últimos dias provocaram muitos prejuízos para uma parte da população e também para o poder público


Os alagamentos e as inundações se constituem num problema crônico que ocorre em muitas cidades brasileiras e que voltou a se repetir em Anápolis neste período de chuvas mais intensas, transformando, infelizmente, em algo comum na vida da população. Isso porque elas (as chuvas) são esperadas todos os anos entre os meses de dezembro e fevereiro quando elevam o nível dos cursos d’água, inundando e alagando casas e ruas, desencadeando, como consequência, muitos prejuízos para uma parte da população e também para o poder público municipal.
Embora não tenha sido a primeira grande precipitação pluviométrica da temporada, as fortes chuvas que caíram na cidade nos dias 13 e 14 afetaram a vida de centenas de pessoas, que tiveram suas casas alagadas, provocando perdas de móveis, eletrodomésticos, roupas, alimentos e outros produtos. Para a Prefeitura, os estragos causados, também, não foram poucos, com destruição de galerias de captação de águas pluviais, de parte do asfalto em várias regiões, além do aumento da quantidade de buracos em toda a malha viária pavimentada, deixando ainda mais crítico o tráfego de veículos em alguns setores.
Nas regiões ainda não asfaltadas o estrago também foi grande, com o aumento do processo erosivo em quase todas as ruas que não contam com o benefício, principalmente em vias com aclives e declives mais acentuados. Hoje, por conta dessa situação, muitos desses bairros estão praticamente isolados, impedindo a livre circulação de veículos, especialmente de ônibus do transporte coletivo e de caminhões de coleta de lixo. Nestas mesmas regiões, em muitas ruas os buracos e erosões impedem os moradores de colocar seus veículos nas garagens, além de outros transtornos.
Impacto
“O impacto das fortes chuvas que caíram na cidade nos últimos dias foi muito grande”, reconhece o secretário municipal de Obras, Serviços Urbanos e Habitação, Leonardo Viana revelando que em dias de chuvas mais intensas uma equipe do órgão se encarrega de detectar o início de inundações em áreas de risco e agir de imediato para minimizar os seus efeitos. Ele reconhece, também, que o problema não é fácil de ser solucionado, ao explicar que suas causas são muito variadas passando pela falta de conscientização de parte da população, de empresas e órgãos que contribuem para elevar o índice de poluição, a ineficiências no sistema de coleta de lixo, a ocupação desordenada e irregular dos espaços urbanos, o crescimento das áreas de solo impermeabilizadas por causa da pavimentação de ruas e a cimentação de quintais e calçadas.
Soma-se a tudo isso, as deficiências da infraestrutura da Cidade, principalmente do seu sistema drenagem. “Mas a causa principal de alagamento e inundações é a impermeabilização do solo”, garante o secretário, observando que ela impede a penetração de água das chuvas no solo, que acaba escorrendo pela superfície, provocando aumento das enxurradas e a elevação dos cursos d’água. Lembrou também que a impermeabilização contribui para aumentar a velocidade do escoamento, provocando erosões, buracos no asfalto e estragos ambientais.
Leonardo Viana afirmou que nos últimos sete anos a Prefeitura Anápolis executou muitas obras de contenção e de controle das águas das chuvas e que continua em busca de recursos federais para a execução de projetos semelhantes nas bacias dos córregos João Cesário e Góis e outros que cortam a área urbana para auxiliá-los em suas vazões em dias de chuvas mais fortes. Paralelamente a isso, a Prefeitura trabalha na atualização do Plano Diretor, com a inclusão de novas exigências para as novas construções, além da busca de meios de controle nas áreas mais críticas, como por exemplo, a construção de estruturas de contenção de águas das chuvas.
Monitoramento
Ele acha, porém, que sem a participação da população a situação fica mais difícil de ser resolvida, mesmo mantendo uma estrutura de monitoramento permanente em pontos da Cidade que exigem intervenções imediatas da Prefeitura e a execução de obras que facilitam o escoamento das águas das chuvas. “Isso por causa do acelerado crescimento da Cidade e o aumento da área impermeabilizada”, justifica o secretário lembrando que todo o resíduo sólido mal acondicionado é levado pelas enxurradas, entupindo galerias, bueiros, além de contribuir com o assoreamento dos cursos d’água e a poluição ambiental.
Segundo o secretário, hoje os pontos mais críticos são as Avenidas Brasil Norte, no trecho entre o Posto São Cristovão e o Brasil Park Shopping; na Avenida Universitária, região das ruas Isidoro Sabino e José Martins Brito; no Bairro São Joaquim; Parque das Primaveras; ruas transversais do Bairro Nações Unidas próximas ao Central Parque; Vila Brasil, Avenida Pedro Ludovico e Avenida Fernando Costa. Revelou que esta semana a Prefeitura assinou convênio com a Caixa Econômica Federal para a execução de obras complementares nestas regiões, incluindo também a Avenida JK, onde será ampliado o sistema de captação de águas pluviais e o número de bocas de lobo.
De acordo com o secretário, os investimentos feitos nos últimos sete anos na Avenida Fayad Hanna, na ponte sobre o Córrego das Antas, na Avenida Ana Jacinta, nas avenidas Universitária, JK e José Sarney reduziram os impactos causados pelas fortes chuvas, apesar da cidade não ter se livrado de inundações e alagamentos. “Por isso precisamos de ações rápidas na área de captação de águas pluviais e drenagem para que os graves problemas causados pelas chuvas sejam reduzidos”.

Arquiteta diz que população terá de conviver com o problema ao longo dos anos
A arquiteta e professora do curso de Arquitetura da UEG, Maria Luísa Adorno, concorda com as colocações feitas pelo secretário de Obras, Serviços Urbanos e Habitação, mas acha que a Prefeitura precisa implementar ações complementares para tentar solucionar o problemas dos alagamentos e inundações em dias de chuvas fortes. Ela lembra que o problema sempre existiu, principalmente nas regiões das bacias dos córregos Antas e Catingueiro e defende o ponto de vista, segundo o qual é preciso urgentemente atualizar a infraestrutura da Cidade, com a construção de bacias de drenagem para que as águas das chuvas sejam levadas ao lençol freático.
“É preciso, também, exigir mais estudos para a aprovação de novos loteamentos”, acrescenta Maria Luísa, lembrando que a maioria dos loteamentos aprovados obedece a um traçado único, semelhante ao tabuleiro de jogo de xadrez. Ela defende o uso de curvas de nível em novos loteamentos, semelhante as que são feitas na zona rural para reduzir a velocidade das enxurradas. Disse que com poucas exceções, os loteamentos foram aprovados sem um estudo técnico adequado de suas interveniências, reduzindo as áreas de drenagem, e facilitando a impermeabilização do solo, o que aumenta a velocidade das enxurradas. Para a arquiteta, um sistema de drenagem mais eficiente envolve o uso de técnicas tradicionais e compensatórias.
Explicou que as técnicas tradicionais envolvem a construção de bocas de lobo para captar as águas das chuvas e reduzir a sua velocidade até sua chegada aos cursos d’água, a construção de grandes piscinas para retardar a chegada das águas nos cursos hídricos e a exigência para que cada dono de lote seja responsável pela água das chuvas em seus terrenos com a construção de pequenos tanques individuais e poços de recarga. “Tudo isso reduz a quantidade e a velocidade das águas”, garante Maria Luíza para quem a Prefeitura deveria exigir o uso de tecnologias compensatórias na aprovação de loteamentos para minimizar os efeitos das intervenções no solo feitas pelo homem e também pelo processo de urbanização e ocupação urbana.
Planejamento
“Mas não é só a Prefeitura que é responsável pelas inundações e alagamentos”, sentencia a arquiteta afirmando que toda a população precisa tomar iniciativas e fazer suas tarefas para evitar o problema e, depois, cobrar providencias do poder público. Para ela, uma soma fatores contribui para solucionar ou agravar o problema, principalmente em uma cidade centenária como Anápolis. “É preciso refazer todo o sistema de saneamento da região central, hoje com as bocas de lobo totalmente entupidas, vale ressaltar, com a ajuda da população, redimensionar a tubulações das galerias de águas pluviais e aplicar um eficiente plano de drenagem”, defende Ana Luísa para quem estas ações precisam, primeiro, serem bem planejadas e só depois executadas.
A arquiteta acha que a legislação que trata do assunto mostra caminhos a serem seguidos, mas acredita que ela não resolve o problema. “Não existe plano emergencial para o problema, mas soluções planejadas em toda a sua totalidade”. Acha, também, que não haverá solução rápida e que a população enfrentará o problema ao longo de muitos anos. Maria Luísa, no entanto, entende que a população precisa ser protagonista e participante de conselhos populares para ter a força de exigir soluções do poder público. “Só assim modificaremos os resultados históricos do caos provocado pelas intervenções urbanas”, concluiu.

Autor(a): Ferreira Cunha

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