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Insegurança nos parques e praças gera muita reclamação

Cidade Comentários 18 de janeiro de 2015

Falta de segurança, áreas de lazer e, até, de irrigação das plantas estão entre os itens apontados por pessoas ouvidas pelo Contexto. Secretário citou melhorias promovidas nos locais e afirmou que “é o que foi possível fazer”.


As praças e parques anapolinos são frequentados por pessoas que buscam um passeio com a família, sair com os amigos e curtir o tempo ocioso fazendo exercícios físicos, tomando uma água de coco, ou mesmo lendo um livro. Mas, nem toda a população está satisfeita com a situação. Algumas ouvidas pelo Jornal Contexto apresentaram reclamações vivenciadas nestes locais. A falta de guardas e policiamento, que diminui a segurança da população; de estrutura e espaços de lazer foram mencionados por pessoas ouvidas pela reportagem. Fora estes aspectos, a morte por afogamento, na semana passada, do jovem Bruno Gomes da Silva, no Parque da Cidade, próximo ao DAIA, levantou a questão: estes locais são realmente seguros?
Na 1ª etapa da Vila Formosa, o Contexto visitou duas praças e um parque, para verificar as condições destes locais. Na Rua 07, uma das praças foi reformada recentemente pela Prefeitura, com a instalação de mais pontos de luz; pintura, poda das árvores, além da reestruturação do pavimento. Mas para Wanessa de Matos Leones, 29, nem tudo são flores na localidade. Ela qualificou a segurança como “péssima”. “Eu mesma, quando passo por aqui, às nove da noite, fico com medo. Neste horário não tem policiamento nenhum” e indicou que existem muitos roubos e assaltos na praça.
Wanessa disse que ali, onde leva as filhas de 11 e três anos para passear, não tem área de lazer para as crianças: “Falta demais. Até então, eu pensei que ia construir um parque aqui. Mas, não construíram nada”, relatou. A Praça Ferroviária, localizada, também, na 1ª etapa da Vila Formosa, cuja reforma foi concluída em 2013, seria uma opção para as suas filhas brincarem, mas Wanessa diz não ter “coragem mais de levar” para lá, pela falta de segurança.
Dificuldades
O Jornal Contexto verificou, também, as condições da Praça Ferroviária. Uma mãe que estava com sua filha no local, não querendo se identificar, relatou que ouve falar de assaltos na localidade. Umas de suas amigas, conforme pontuou, teve que abandonar o emprego em uma empresa da região, após ter sido assaltada nas proximidades. Uma mata ao fundo da Praça indica a existência de um ambiente propício para que criminosos se escondam.
As reclamações continuam em outras localidades da cidade, como no Parque Ipiranga. Uma fonte que não quis se identificar afirmou que o sanitário feminino ficou por, aproximadamente, um mês interditado, período em que homens e mulheres tiveram que compartilhar o mesmo sanitário. Recentemente, de acordo com a fonte, a Prefeitura consertou os estragos. A mesma pessoa ainda abordou que a Prefeitura deixou de alimentar os peixes com ração, alegando que os animais poderiam se alimentar do lodo que é produzido no lago.
A administração do Parque Ipiranga informou que o sanitário feminino, realmente, ficou fechado, para o conserto de um vazamento interno. Entretanto, foi disponibilizado o sanitário de pessoas com deficiência para as mulheres, e não o masculino, como relatado pela fonte. Quanto aos peixes, “eles não precisam de uma ajuda externa para se alimentarem”, conforme indicou o gerente de Educação e Proteção Ambiental do Parque Ipiranga, Renan Machado. Frutas, óvulos de peixes e peixes vivo, plantas, insetos são suficientes para isso.
A praça sem sombra
Ainda, na Vila Formosa, a situação das praças incomoda a uma moradora local, que preferiu não se identificar. Na praça que fica entre as ruas 11 e 12 da 1ª etapa do bairro, ele informou que foram feitas obras no local em 2014. Entretanto, conforme seu relato, a Prefeitura deixou estragos, como calçadas quebradas, e não reparou os danos. Apesar de a iluminação ter melhorado, ainda é perigoso frequentar ali, de acordo com a moradora. Ela reclamou também que foram arrancadas as árvores antigas, muitas em bom estado de conservação, para o plantio de mudas novas, o que deixou os frequentadores sem sombra. E, acrescentou que as novas árvores foram plantadas em baldes e que, desta maneira, “vão morrer todas”.
“Está faltando água, que eles cortaram”, continuou, afirmando que, antes da reforma na praça, em 2014, havia condições de os próprios moradores regarem as plantas. Reclamou, também, que a Prefeitura não vai ao local para cuidar das árvores e relatou que ela mesma se encarrega deste serviço, utilizando a água de sua casa, para que as plantas não morram. E, afirmou que falta uma área de lazer no local, o que foi confirmado por outra moradora da região. Uma das opções seria levar as crianças até Praça Ferroviária, na Vila Formosa, mas “pouca gente vai lá. E ainda está cheio de ‘malas’ (maus elementos)”.
Secretaria
O secretário municipal de Meio Ambiente, Francisco Carlos Costa, respondeu ao Jornal Contexto sobre a situação de praças e parques na Cidade. Quanto à segurança, ele afirmou que, em 2014, foi rompido um contrato com a empresa Alcatraz Segurança, que cuidava da conservação do patrimônio dos parques. Ele explicou que “não é um serviço de segurança pública, de coibir roubo, de coibir assalto, de coibir marginais, de coibir consumo de drogas”. Estas atribuições, conforme pontuou, seriam do Governo do Estado, por meio da Polícia Militar.
Os mesmos vigias da empresa que teve o contrato rompido em 2014 foram substituídos por outros que estavam alocados na área da Educação da Prefeitura e são efetivos do Município. Esta mudança de funcionários foi possível, informou o secretário, pela instalação de câmeras de vigilâncias nas proximidades das escolas, o que fez com que não fosse mais necessária a presença destes agentes nestas áreas, tornando possível sua transferência. Ele assegurou que o número de vigilantes nos parques, aproximadamente 60, permaneceu o mesmo nestes locais depois do fim do contrato com a Alcatraz e declarou que a meta é dobrar este número ainda neste semestre. A reportagem do Contexto verificou que, na quinta-feira, pela manhã, não havia vigilantes no Parque Ipiranga.
Nas praças, de acordo com Francisco Carlos Costa, não é possível alocar estes “guardas ambientais”, uma vez que de acordo com o Ministério do Trabalho, estes profissionais precisam ter acesso a banheiros e abrigo, estrutura não proporcionada na Praça Dom Emanuel, por exemplo. Ele citou parceria entre a Prefeitura e a Polícia Militar, além da existência na cidade do Gabinete de Gestão Integrada do Município (GGIM), o que promove a segurança e “reforça o policiamento nesses lugares”. Quanto à morte de Bruno Gomes da Silva, citado no início desta reportagem, o secretário Francisco afirmou que “aquilo foi uma fatalidade. Não foi falta de vigilância, foi um acidente”. “Não deu tempo de chegar lá”, acrescentou.
Improcedência
“Essa reclamação da Vila Formosa não procede”, afirmou quanto às informações apresentadas por usuários das praças daquele setor. Ele citou como melhorias a inauguração, em 2013, da Praça Ferroviária e defendeu que, em 2014, foram feitas obras nas duas praças citadas nesta matéria. “É o que foi possível fazer. É humanamente impossível”, destacou, ao fazer referência aos pedidos que são feitos de revitalização e reforma destes locais. “A Cidade tem mais de 300 bairros. São 300 pedidos de praças, de revitalização, de limpeza. A Prefeitura não consegue estar, ao mesmo, em todos estes lugares. Ela tem que priorizar para alguns. Então, o trabalho é feito por prioridades”, explicitou.
“A Vila Formosa foi muito bem atendida já na administração passada (de Antônio Gomide) com essas praças. Nós precisamos, agora, atender as outras regiões que estão muito mais carentes, com muito mais problemas do que a Vila Formosa”, abordou Francisco. Ele citou bairros como o Recanto do Sol, São Jose e Vila Brasil como estas “regiões que não receberam nenhum benefício”. Ele citou a cifra de R$ 6 milhões, que foram utilizadas nos parques e praças da cidade em 2014. Os valores para 2015 ainda não foram estabelecidos.
Algumas reclamações de usuários de praças foram relatadas ao secretário de Meio Ambiente pelo Contexto. No Parque JK, localizado no Bairro JK, a iluminação é insuficiente. Com relação a este assunto, o secretário afirmou que será feita uma averiguação. No Parque Ipiranga, usuários relataram que os banheiros eram fechados entre 19 e 20 horas. Muitos frequentadores passeiam no local depois deste horário. A administração do Parque informou que o horário de fechamento, durante os dias úteis, é entre 21h30 e 22 horas. Já, nos finais de semana, os banheiros são fechados por volta das 22 horas.
Francisco Carlos Costa, afirmou que irá verificar as condições dos sanitários da Praça Bom Jesus. Usuários reclamam de não haver, ali, este locais para o uso do público. Ele informou que existe uma parceria com a Secretaria da Cultura, localizada na Praça, o que permite o uso de sanitários pela população. E acrescentou que dois funcionários da Secretaria do Meio Ambiente atuam na Praça.
Sobre o fato de os parques de regiões como o Jundiaí, considerado nobre, serem maiores e mais modernos do que aqueles localizados em áreas mais populosas, porém mais carentes, ele afirmou: “A Prefeitura, também, tem cuidado da periferia, mas dentro das suas limitações”. “A Administração investiu em mais de 60 praças. Hoje, nós temos dificuldades em fazer uma manutenção adequada em toda a Cidade. Porque a gente tem limitações”, destacou. Ele exaltou a existência do Parque da Cidade, próximo ao DAIA, um “grande investimento”, de 22 alqueires e mais de um milhão de metros quadrados. E citou que, em 2015, deverá ser lançado, na Região Norte, o Parque da Reboleira, “que tem todas as condições” de ser construído no mesmo padrão do Parque Ipiranga.

Autor(a): Felipe Homsi

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