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Inclusão social é o objetivo

Comportamento Comentários 29 de maio de 2009

Projeto decorrente de legislação nacional emprega excepcionais nos mais diferentes setores do mercado de trabalho em Anápolis.


A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE, de Anápolis, vem desenvolvendo um projeto de inserção de alunos no mercado de trabalho. Mais de 20 deles já foram contemplados e hoje ocupam cargos em empresas e repartições na cidade. O resultado, segundo os pais, é maior autonomia e responsabilidade, além do exercício da cidadania.
Marcelo Mello Barbosa é coordenador de educação profissional da Escola “Maria Montessori”, uma das três unidades da APAE Anápolis. Ele explica que o projeto nasceu no ano de 2003, em decorrência de legislação nacional que determina cotas para deficientes no mercado de trabalho - de 2 a 5% das vagas nas empresas com mais de 100 funcionários. Segundo ele, no início, a entidade buscava vagas junto às empresas. Com o passar do tempo, foram as empresas que passaram a procurar a Associação. Hoje, elas entram em contato com a APAE através de seus departamentos de recursos humanos e repassam um perfil, a partir do qual são selecionados os alunos. Posteriormente é feito o encaminhamento. Para realizar o trabalho de seleção a entidade conta com o apoio de uma psicóloga.
Além do perfil sugerido, a seleção é feita, também, com base nas atividades que esse aluno desempenhará dentro da empresa. “Buscamos um aprendiz de nossas oficinas que preencha o perfil. Daí, acontece uma visita à empresa para a verificação do espaço de trabalho e a descrição da atividade que será desempenhada pelo excepcional”, explicou o coordenador.
Preparação
A preparação que os alunos recebem para ingressarem no mercado de trabalho se dá através de oficinas profissionalizantes. Estas, proporcionam a possibilidade do aprendizado de um ofício, além das dinâmicas do processo de trabalho, onde estão inseridas questões relativas como horários; uso de uniformes; comportamento; ética e etiqueta profissional; relacionamento inter-pessoal, higiene e segurança no trabalho. A escola oferece as oficinas para a formação de auxiliares de administração e produção; serigrafia; corte e costura; culinária, papel reciclado e horta e jardinagem.
O projeto tem repercussão extremamente positiva. O professor Marcelo contou que muitas famílias não acreditavam no potencial dos filhos, mas essa perspectiva foi modificada depois que eles entraram para o mercado. “Os alunos têm muita vontade. Eles são capacitados pela escola e ficam extremamente ansiosos para que as vagas apareçam”, disse.
Hoje são mais de 20 jovens empregados, e aproximadamente 14 empresas colaboram. Alguns alunos trabalham durante meio período e no outro estão na escola. E existem aqueles que cumprem regime de oito horas e, por isso, continuam os estudos na rede regular.
Muitas vezes após o processo de seleção, as empresas solicitam a participação da APAE para ajudar a envolver os demais funcionários no processo de inclusão. Geralmente são feitas discussões, apresentação de dados e instruções em como lidar com o deficiente. Segundo o coordenador isso tem contribuído bastante para o trabalho junto às instituições. Além de constituírem grandes oportunidades de se falar sobre inclusão. Depois que o aluno é empregado, durante os três primeiros meses (período de experiência do trabalhador), a Associação avalia o seu desempenho através dos coordenadores e/ou psicólogos. Há um acompanhamento sistematizado, e após o término do período, faz-se o contato com a família e com a empresa por telefone.
Para o professor Marcelo Barbosa, o projeto é a oportunidade de tornar os alunos cidadãos completos e plenos, através do direito ao trabalho, garantido pela Constituição Federal. “A cidadania do indivíduo se fortalece. Há a valorização e o reconhecimento dessas pessoas especiais”, comentou. Os depoimentos de pais, colegas de serviço e dos próprios alunos, mostram que o trabalho os têm estimulado. Alguns disseram, até, que seu vocabulário aumentou, assim como as possibilidades de relacionamento inter-pessoal. Hoje, eles sentem-se valorizados pela sociedade e enobrecidos. Alguns desses alunos estão empregados há mais de cinco anos. E, curiosamente, empresas que, por lei, não precisariam contratar excepcionais, têm feito isso.

Vivência
Alba Aparecida dos Santos Estrella é professora da Escola “Maria Montessori” e mãe de Thamara Elena Santos Estrella, 21 anos, ex-aluna da escola contemplada pelo projeto. Ela conta que a filha já está há um ano e meio empregada e desde que começou a trabalhar se mostra mais responsável, independente e autônoma. Alba disse que a considera uma lição de vida, pois a jovem não falta ao trabalho e nem se permite chegar atrasada.
Como mãe, a professora contou sente-se vitoriosa diante das conquistas da filha, que almejou e conseguiu muitas coisas; venceu muitas barreiras como o preconceito e discriminação. Alba brinca que Thamara ama tanto trabalhar que é difícil convencê-la até mesmo a tirar férias. “O contato com as outras pessoas faz com que qualquer ser humano cresça. Isso aconteceu com minha filha. Ela aprendeu a conviver”, declarou.
Segundo Alba Aparecida o que mais estimula a filha é o sentimento de utilidade. É ela saber que faz parte de uma equipe de trabalho. “O salário também é um grande estímulo, pois ela compra as próprias coisas e está aprendendo a gerenciar o dinheiro que recebe”, disse. A professora confessou que teve medo de a jovem sofrer preconceito ao ingressar no mercado de trabalho. Mas acredita que a discriminação diminuiu e a deficiência está sendo desmistificada, graças à informação.

A escola
A Escola “Maria Montessori” é uma das três unidades da APAE Anápolis, que conta, ainda, com o laboratório e o ambulatório multidisciplinar especializado. Atualmente, o foco da escola tem sido a inclusão. No aspecto pedagógico dos 40 anos da escola está a busca pela autonomia do aluno. Todo o trabalho realizado tem por objetivo conscientizar o excepcional acerca do mundo e de suas possibilidades. O processo de trabalho é adaptado a cada aluno, dentro dos contextos básicos da educação.
Segundo Renata Augusta Rodrigues Araújo Holanda, coordenadora técnica da Escola, dentro da instituição há procura pela formação de uma visão crítica sobre o preconceito, através de discussões sobre o assunto. Ela acredita que essa é uma preparação necessária, para também gerar consciência das próprias limitações. “E através dessa consciência os nossos alunos poderão lutar para superar barreiras e conseguir melhores condições para si mesmos”.
Vem sendo desenvolvido pela Escola um projeto piloto de Atendimento educacional especializado, o AEE. Ele visa a formação de um centro de apoio ao excepcional entre 7 e 14 anos que estuda na rede regular de ensino, e no outro período do dia está na instituição. O objetivo é fazer uma ponte de aprendizagem entre aluno e a educação na escola. “Outras maneiras de experimentar e aprender”, explicou Renata. A coordenadora alerta, ainda, que os excepcionais estão envelhecendo e que não existem instituições preparadas para receber o portador de deficiência intelectual idoso. Por isso o AEE também terá entre seus objetivos dar maior qualidade de vida para esses alunos. Aqueles acima de 17 anos e que não têm perfil para oficinas, realizam atividades em sala de aula, onde são trabalhados aspectos básicos do dia-a-dia - a chamada estimulação permanente.

A unidade conta, ainda, com serviços de educação precoce - acompanhamento do bebê; pré-escola; escolarização inicial; escolarização para jovens e adultos; educação profissional; estimulação pedagógica; brinquedoteca; educação física e motora (futebol, natação, handball, atletismo); recreação aquática; capoeira; artes plásticas; cênicas, e musicais; informática educativa; clube de mães - reuniões de orientação e atendimento à comunidade.
A Escola Maria Montessori foi fundada oficialmente em 6 de setembro de 1969, mas só começou a funcionar em março do ano seguinte, em instalações provisórias da Igreja Presbiteriana de Anápolis. Hoje, localizada na Rua Dr. Zaqueu Crispim, no Bairro Bougainville, são 456 alunos matriculados e o corpo de profissionais é capacitado para atender aos portadores de necessidades especiais em seus mais diferentes níveis de comprometimento. A unidade mantém convênios com a Secretaria Estadual de Educação e com a Secretaria Municipal de Educação na cessão de funcionários da área pedagógica.

Autor(a): Carolina Umbelino

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