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Inacessibilidade é uma barreira para cadeirantes no Município

Infraestrutura Comentários 10 de fevereiro de 2017

Calçadas desniveladas, carros estacionados em locais inadequados, falta de rampas, e principalmente a falta de consciência estão entre os principais problemas encontrados por portadores de deficiência física


“É provisório”, “este prédio é muito antigo”, “vamos reformar” – é o que Juliana Quintaes Dias, 30 anos, sempre escuta quando tenta entrar em um estabelecimento de Anápolis que não possui adequações para sua cadeira de rodas. Segundo ela, isto ocorre em nove de cada 10 prédios da cidade sejam lojas, igrejas, salões de beleza, mercados, bancos e, pasmem, até mesmo em clínicas de saúde e a sede do Ministério Público Estadual.
O drama vivido por Juliana se repete com todas as pessoas que possuem alguma deficiência ou dificuldade de locomoção temporária. Anápolis é uma cidade extremamente inacessível. O problema começa nas calçadas, que são irregulares, poucas possuem rampas de acesso e são usadas frequentemente como estacionamento de veículos, depósito e vitrine onde comerciantes expõem seus produtos. As vagas prioritárias representam outro desgaste, já que a população não respeita e utiliza mesmo não portando nenhuma necessidade especial.
A equipe do Jornal CONTEXTO acompanhou Juliana durante um passeio na cidade. A primeira parada foi o petshop onde ela costuma levar seus animais de estimação. Ela sai sempre acompanhada do seu irmão, André Quintaes Dias, ou de outro membro da família. Logo que estacionou o carro na rua paralela ao estabelecimento veio a primeira dificuldade: não havia rampa de acesso à rua. Portanto foi necessário suspender a cadeira e cautelosamente descer o degrau. A manobra é um risco, qualquer passo mal calculado do irmão de Juliana poderia jogá-la no chão. O próximo obstáculo foi atravessar a rua, pois se fez necessário desviar de vários buracos.
Já dentro do estabelecimento, um alívio, haviam rampas de acesso tanto da calçada para a entrada da loja quanto no interior da loja de um ambiente para o outro. Mas nem sempre foi assim. O veterinário e proprietário do petshop, Marcos Paulo Costa, construiu a rampa para atender à Juliana. “Quando ela vinha aqui tinha muita dificuldade, daí percebi que era necessário construir a rampa para atendê-la. Foi muito bom, acabei atendendo também outras pessoas como idosos, gestantes ou até um acidentado que chega usando muletas”, explicou.
O passeio foi estendido ao centro da cidade. Logo na chegada, Juliana apontou para um carro estacionado na vaga exclusiva para desembarque de pacientes de um hospital, onde ela é paciente. “Todas as vezes que venho ao hospital tem um carro aí e preciso parar todo o trânsito e descer no meio da rua. Eles ficam parados aí por muito tempo, já aconteceu de o motorista estar dentro do carro falando no celular e nem se tocar”, contou. Dessa vez não foi diferente. O carro permaneceu na vaga por, pelo menos, 20 minutos. Mais à frente a calçada do hospital contava com rampa de acesso para a rua, mas a calçada da rua em frente, não. Então foi necessário que Juliana passasse pelo meio da rua entre os carros até encontrar outro acesso para a calçada, correndo perigo mais uma vez.
Quase todas as lojas daquela rua têm degraus. Por esse motivo, Juliana evita ir ao centro da cidade. “Eu não gasto meu dinheiro em nenhum estabelecimento que não tenha preparo para me atender”, ressaltou. Ela coleciona situações de constrangimento e passou a consumir apenas em estabelecimentos que possuem no mínimo uma rampa para que ela consiga adentrá-lo. “Uma vez fui comprar uma blusa e minha cadeira não entrava no provador. A vendedora me sugeriu que eu me trocasse ali no meio da loja em uma “cabaninha” improvisada. Me recusei”, lembrou.
Procurado pelo Jornal CONTEXTO, o presidente da Câmara de Lojistas de Anápolis (CDL), Wilmar Jardim de Carvalho, explicou que cabe ao município realizar a fiscalização e fazer cumprir a lei de acessibilidade. “Não temos como obrigar os lojistas a cumprir a lei. Além disso, o problema não está só no comércio, mas também nas calçadas e nas ruas”, disse. Mas para Wilmar, a CDL pode fazer uma campanha educativa e acredita que o caso de Juliana levado até ele serviu como um alerta. “Essa reclamação veio para nos despertar. Vamos procurar um meio de ajudar e buscar uma solução”, concluiu.

Autor(a): Wanessa Mereb

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