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Hospital Psiquiátrico cobra “remuneração mais justa” do SUS

Saúde Comentários 31 de outubro de 2014

Instituição hospitalar aponta déficit de R$ 180 mil, que é sanado graças a convênios feitos com os governos Estadual e Municipal. Para diretor do Hospital, transferência dos recursos do Governo Federal é “perversa, injusta” e não permite a criação de uma reserva técnica, contratação de profissionais e tratamento mais humanizado


A direção do Hospital Espírita de Psiquiatria de Anápolis (Sanatório Espírita) cobra do Ministério da Saúde um aumento do valor do repasse feito à instituição feita por meio do Sistema Único de Saúde. De acordo com o diretor administrativo da unidade psiquiátrica, Cauby Moreira, 338 pacientes se encontram atualmente internados no Hospital. Destes, 138 são dependentes químicos em tratamento.
Ele entende que é preciso haver uma “remuneração mais justa” por parte do Ministério, o que “possibilitaria uma melhor estruturação” física, contratação de mais profissionais, qualificação dos colaboradores e um tratamento mais humanizado aos pacientes. Atualmente, o Hospital Psiquiátrico recebe R$ 33,95 da Pasta de Saúde por paciente internado. O valor gasto por cada interno chega a R$ 65,00.
“A diária tem que ser no mínimo de R$ 150,00”, acrescentou, explicando que este valor seria utilizado para estancar o déficit da instituição e criação de uma “reserva técnica”. Conforme pontuou o diretor Cauby Moreira, o Hospital Espírita de Psiquiatria consegue sanar seu déficit mensal de R$ 180 mil mensais graças aos convênios que mantém com o Governo de Goiás, no valor de R$ 100 mil, e outro com a Prefeitura de Anápolis, no mesmo valor.
Ele chamou de “perversa e injusta” a remuneração do Ministério da Saúde. Cauby Moreira explicou e indicou a importância do Hospital Espírita. A entidade atende, conforme demonstrou, a, aproximadamente, cem municípios do Estado de Goiás. Os pacientes recebem cinco refeições por dia, as medicações necessárias e tem direito a fazer exames na instituição. O diretor ainda afirmou que o Ministério da Saúde exige refeições variadas para os pacientes, com vários tipos de alimentos, mas os recursos são suficientes somente para um “prato feito”.
A instituição hospitalar possui 64 anos de existência, tendo sido criada no dia 23 de abril de 1950. Dados de 2013 apontam que três mil pessoas foram internadas na instituição, 16 mil consultas psiquiátricas foram ofertadas e 2800 exames de eletroencefalografia foram realizados naquele ano. A chácara Nosso Lar, situada na BR-153, saída para Belém, é ligada à Entidade. Ali, são mantidos 60 internos, com atendimento psicológico, social e médico.
Secretaria
O secretário municipal de Saúde, Luiz Carlos Teixeira, pontuou fatores que explicam a baixa remuneração por parte do Ministério da Saúde a hospitais psiquiátricos. “Existe uma política nacional que é contrária ao programa de hospitalização”, detalhou. A “política federal” é contra a hospitalização, continuou. E apontou que o Governo Federal incentiva um tratamento “mais humanizado”, permitindo que o paciente “entre para a sociedade novamente”.
Ele explicou, ainda, que o Governo tem buscado maneiras para que os pacientes sejam encaminhados para a Atenção Básica de Saúde, por meio da rede existente nos municípios. Em Anápolis, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) promovem o atendimento psiquiátrico na rede de saúde local. Estão em funcionamento, de acordo com a Secretaria, os CAPS ‘Vida Ativa’, ‘Álcool e Drogas’ e ‘Crescer’. Este último atende a crianças.
O secretário Luiz Carlos Teixeira afirmou, também, com relação ao repasse de recursos para o Hospital Psiquiátrico de Anápolis que “não há possibilidade de aumento para o momento”. Ele entende, entretanto, que o Hospital Espírita de Psiquiatria é “extremamente importante”, atendendo 50% dos pacientes psiquiátricos estaduais. E explicou que existe um diálogo entre o Município e aquela instituição hospitalar para “formar esta rede de proteção e atendimento”. “Nós somos favoráveis em manutenção, inserção do Hospital em uma rede. Achamos que o hospital é importante, desde que ele esteja inserido em uma rede”, concluiu.

Autor(a): Felipe Homsi

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