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Hospital Espírita pede socorro

Geral Comentários 08 de maio de 2009

Um dos mais antigos estabelecimento para cuidar de doentes mentais no Brasil Central, está passando por momentos de grandes dificuldades


Fundado em 1950, o antigo Sanatório Espírita de Anápolis, hoje denominado Hospital Espírita de Psiquiatria, comemorou no último 23 de abril, seu aniversário de 59 anos. A instituição, que é referência no atendimento a pacientes com distúrbios psicológicos no Centro-Oeste, tem enfrentado dificuldades para se manter.
O hospital oferece assistência médica, social e humana a, aproximadamente, 350 pacientes com os mais variados tipos de transtornos da área mental. Atende, também, a outros 68 municípios do entorno e seis estados, que fazem fronteira com Goiás. Além da assistência às pessoas com transtornos psiquiátricos, o Hospital oferece tratamento para a recuperação de dependentes químicos. Desde a sua fundação, o HEP já realizou, aproximadamente, 500 mil consultas e 300 mil internações. O Sanatório tem sido campo de estágio para estudantes de fisioterapia, enfermagem, farmácia, entre outros. A partir de 2010, contará, também, com os alunos do curso de Medicina da Unievangélica.

Realidade
Na grande maioria das vezes, os pacientes são encaminhados para o Sanatório durante as crises. Quando chegam, são medicados e passam por um período de isolamento. Além da ministração dos remédios, durante a internação, que dura em média 45 dias, são desenvolvidas orientações de leitura e reuniões terapêuticas. Há atividades durante todo o dia, como esportes, terapia ocupacional e artesanato. Adilson Pinto, tesoureiro da instituição, conta que “muitos dos internos revelam dons extraordinários, e se uma vez fora do hospital, outras instituições estivessem dispostas a acolher essas pessoas e oferecer-lhes trabalho, seria muito mais fácil tirá-los do vício e evitar a reincidência”. A preocupação principal do Hospital tem sido preparar esses pacientes para que, uma vez fora, possam seguir com suas atividades normais e não reincidirem, principalmente, no caso dos dependentes químicos.
O pedagogo, Vicente Peixoto realiza, com os internos, trabalhos manuais, pintura, escultura, entre outras atividades e terapias ocupacionais. Segundo ele, “os pacientes sentem-se mais estimulados e úteis”. Além disso, as atividades ajudam na recuperação e desenvolvimento da coordenação motora, muitas vezes prejudicada pelos psicotrópicos.
Adilson acredita que a falta de estrutura familiar, falta de oportunidades e a má distribuição de renda são os grandes causadores da entrada no mundo da dependência química. E conta que, por essa razão, uma das ações realizadas, é orientar as famílias acerca de como receber o doente e ajudá-lo a prosseguir fora do ambiente hospitalar. Reuniões periódicas são realizadas por psicólogos que orientam aos familiares como agir, e a incentivar os ex-dependentes.



Finanças
Como 70% dos pacientes não têm recursos financeiros, o Hospital disponibiliza roupas, alimentos e remédios. Alguns, mesmo depois de receberem alta, continuam obtendo acompanhamento e medicação. A maioria das internações é autorizada pelo SUS, e a diária, que hoje não passa de R$ 31, é insuficiente para cobrir as despesas. São oferecidas duas refeições (almoço e janta) e três lanches, além das roupas de cama, toalhas, medicação e de transporte para exames em outros hospitais. A renda fica, assim, restrita à diária dos 24 apartamentos da rede particular e às consultas que o Hospital Espírita realiza. Entretanto, do valor cobrado nessas consultas, apenas 33% fica com a instituição.
E a dificuldade financeira pode acabar levando o Hospital ao fechamento. Atualmente, o déficit é de 30% das receitas. Uma área que pertencia ao hospital foi vendida para socorrer os compromissos e dívidas. Em dezembro do ano passado, foram grandes as dificuldades para pagar os salários dos funcionários. Segundo Roberto, “se as autoridades da saúde pública não tomarem a responsabilidade de bancar pelo menos parte dos custos, ou fazerem uma parceria com o hospital, ele não terá condições de continuar”.

Números
Para comportar o grande número de pacientes, o Hospital conta com três enfermarias masculinas, duas femininas e uma para dependentes químicos. Em cada enfermaria, podem ser alojadas, até, 40 pessoas. Estão à disposição dos internos, ainda, um campo de futebol - onde são realizados jogos regulares; quadra poliesportiva, piscina, biblioteca, auditório - onde acontecem as reuniões e são exibidos filmes, academia e duas salas de artesanato.
São, ao todo, 280 funcionários, entre plantonistas, psicólogos, psiquiatras, praxiterapeutas, professores de educação física, enfermeiros e prestadores de serviços. Estes trabalham em quatro períodos de seis horas, para que os atendimentos de urgência e emergência não parem. No ano de 2008, foram levados ao hospital 1.387 pessoas, somente pelo SAMU. Mas os pacientes chegam, também, trazidos pela Policia Militar, Polícia Rodoviária Federal e Corpo de Bombeiros.

“Nosso Lar”
Em 1986 foi criada uma extensão do Hospital Espírita de Psiquiatria para atender pessoas com problemas psiquiátricos crônicos. Em uma área de aproximadamente sete alqueires, em região afastada do centro, implantou-se a chácara “Antônio Pinto Pereira”. Apelidada carinhosamente de “Nosso Lar”, a unidade recebe pessoas encontradas nas ruas e que, geralmente, não sabem nada sobre si mesmas. Nem mesmo os próprios nomes.
São pessoas incapazes, que vieram de outras instituições quando fechadas, das ruas, ou até mesmo, pacientes abandonados pelas famílias. Em sua maioria, idosos e deficientes físicos, eles somam, atualmente, 68 pessoas e recebem o mesmo tipo de atendimento realizado no Sanatório. Alguns há mais de 20 anos.
O Hospital realizou, nos últimos anos, um trabalho junto ao Ministério Público, para registrar, civilmente, os pacientes da chácara “Nosso Lar”. Era grande a quantidade de pessoas indigentes - cerca de 40 pessoas - e muitas delas, além de desconhecerem suas origens, não tinham documento algum.

Autor(a): Carolina Umbelino

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