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Hospital decidirá sobre continuidade de paralisação em assembleia

Cidade Comentários 15 de janeiro de 2016

Com as portas fechadas para novos atendimentos, Hospital Espírita Psiquiátrico avalia propostas de negociação de dívidas para decidir se reabre ou não na semana que vem


A exemplo do que aconteceu em março do ano passado, o Hospital Espírita Psiquiátrico (HEP) de Anápolis, interrompeu o atendimento para novos pacientes. A paralisação foi anunciada na segunda-feira, 11. O motivo, a baixa remuneração paga pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o atraso no pagamento de convênios firmados com os governos Municipal e Estadual, através das respectivas secretarias de saúde.
Na ocasião, o diretor administrativo do HEP, Cauby Moreira Pinheiro, relembrou o fechamento de março do ano passado e, inclusive, fez a mesma colocação em relação ao fato, dizendo que a “culpa maior não é nem do Governo do Estado e nem da Prefeitura, a culpa maior é do Ministério da Saúde”, disse, ponderando que a política do Governo Federal faz ações no sentido de desestabilizar os hospitais psiquiátricos sem, entretanto, apontar um caminho mais claro sobre o que fazer com os pacientes que necessitam de internação clínica, muitos, encaminhados por meio de decisões da Justiça (internação compulsória).
Além disso, Cauby Moreira informou que o SUS paga uma diária por paciente de apenas R$ 33,95 e, isto, com preço congelado já há oito anos. Os poucos mais de R$ 30 são para custear cinco refeições diárias; medicamentos, exames e outros tipos de procedimentos. Uma situação que, pode-se dizer, é surreal.
Para se manter, o hospital já se desfez de bens, inclusive, um grande terreno em área fronteiriça à sua sede e tem feito empréstimos em instituições financeiras. Um deles, recente, de mais de R$ 600 mil, foi para cobrir pagamento de folha e uma parcela do décimo terceiro salário dos funcionários.
Para funcionar, o HEP tem convênios com o Estado e o Município, o que garante repasses de recursos financeiros. Mas, esses compromissos não têm sido honrados em sua totalidade, como ocorreu em março do ano passado e, agora, novamente. O hospital tem quatro parcelas vencidas do convênio com a Prefeitura, no valor de R$ 100 mil cada, totalizando R$ 400 mil e seis parcelas em atraso do convênio com a secretaria Estadual da Saúde, também no valor de R$ 100 mil cada, totalizando R$ 600 mil. O HEP ainda não pagou a folha de dezembro e nem a segunda parcela do 13º salário.
De acordo com Cauby Moreira, tem ainda os fornecedores. Por dia, são consumidos no HEP cerca de 90 quilos de carne, um fardo de feijão, um fardo de açúcar, cerca de mil pães e por aí afora. O hospital, também, administra uma chácara, onde ficam internados pacientes que foram abandonados pelos seus familiares e não têm para onde ir, nem contam com o apoio do Estado. Sem fins lucrativos e com 66 anos de serviços prestados à comunidade, o Hospital Espírita conta com a abnegação dos seus diretores, médicos, enfermeiros e pessoal administrativo, para dar assistência a pacientes que enfrentam problemas psíquicos ou ocasionados pelo uso de drogas e álcool, problemas que em geral acabam por afetar, também, as estruturas familiares. O HEP atende a pessoas de 104 cidades de Goiás e de outros estados e do Distrito Federal. “Não podemos negar este atendimento”, disse Cauby.

O HEP paralisou o atendimento, apenas, para novos pacientes. Os já internados, conforme a diretoria, continuarão recebendo a devida assistência, até que as equipes médicas liberem a alta, quando for o caso.

Novo acordo
Na manhã da última quinta-feira, 14, por meio de uma reunião convocada pelo Ministério Público, através do Curador da Saúde, Marcelo Henrique dos Santos, aconteceu, em Goiânia, na Secretaria Estadual da Saúde, uma reunião com o titular da Pasta, Leonardo Vilela, representantes da Secretaria Municipal de Saúde e a direção do Hospital Espírita, com o intuito de chegar a um acordo que possibilite a reabertura do hospital.
A reunião durou cerca de duas horas e, ao final, o diretor administrativo do HEP, Cauby Moreira, informou que a Secretaria Estadual apresentou proposta de liquidar as parcelas em atraso em dois pagamentos de R$ 300 mil, um agora e o outro no próximo mês.
O representante da Secretaria Municipal de Saúde, Ruiter Silva, ficou de encaminhar proposta semelhante para análise do Prefeito João Gomes. No caso, a dívida do Município seria, também, paga em duas vezes, cada qual no valor de R$ 200 mil.
Para Cauby Moreira, a proposta não resolve o problema financeiro do Hospital. Mas, a decisão sobre a retomada ou não do atendimento, deverá ser tomada somente neste domingo, 17, quando será realizada uma assembleia da diretoria para discutir o assunto. A decisão, portanto, será de colegiado.
Cauby Moreira disse também ser fundamental para que o HEP continue a funcionar, o complemento do valor da diária de R$ 33,95, com mais R$ 42 (R$ 21 do Município e R$ 21 do estado). Em Goiânia, três hospitais psiquiátricos já firmaram este convênio. Somente o HEP, que tem uma classificação “A”, que atesta a boa qualidade do seu atendimento, está fora deste convênio, não se sabe por qual motivo. Sem esta complementação, pode ocorrer como vem ocorrendo, de novamente os repasses atrasarem e o hospital agravar ainda mais a sua situação. O que é um prejuízo para a sociedade.

Autor(a): Claudius Brito

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