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Historiadores divergem sobre data do aniversário da Cidade

Geral Comentários 30 de julho de 2015

Alguns defendem que a emancipação política de Anápolis aconteceu em 15 de dezembro e não em 31 de julho


Dia 31 de julho de 2015. Anápolis comemora 108 anos de história. Não para alguns historiadores que contestam essa data. Para eles, a verdadeira data a ser comemorada deveria ser 15 de Dezembro, dia em que houve a emancipação política do Município, até então, ligado a Pirenópolis.


Esta tese é defendida por alguns historiadores anapolinos e se baseia na Lei nº 811 de 15 de Dezembro de 1887. “Eleva a categoria de Villa a freguesia de Sant’Anna das Antas. Artigo 1º. A freguesia de Sant’Ana das Antas, do município de Meia Ponte, fica elevada à categoria de Villa, com a mesma denominação e limites. Artigo 2º. A Villa será instalada depois que forem construídas ou adquiridas, à custa dos povos, cadeia e a Casa da Câmara, assim como, casa para escola”.


A lei só vigorou cinco anos mais tarde, em 10 de março de 1892. De acordo com o historiador Daniel Araújo Alves, desde essa época, Anápolis já se tornou independente de Pirenópolis, tendo sua primeira junta administrativa nomeada.


Daniel defendeu esta tese em sua monografia de conclusão de curso e até lançou um livro onde fala do possível equívoco envolvendo a data de comemoração da emancipação política de Anápolis. “Em 1893, o Município da Vila de Sant’Ana das Antas já estava consolidado, seja no aspecto político-administrativo, como também no econômico. Só faltava resolver a questão da disputa territorial com Pirenópolis. A primeira eleição municipal ocorreu em 24 de abril, para os cargos de intendente e conselheiros municipais, elegendo Lopo de Souza Ramos como intendente”, retrata Daniel em seu livro: “De Antas a Anápolis: A história de formação do município”.


Outros historiadores estão junto com ele nesta defesa, entre eles Jairo Leite e Tiziano Mamede. Tiziano defende que, na época, apenas as capitais de estado eram chamadas de cidade. Por isso, mesmo emancipada, Anápolis continuou tendo o nome de Vila. “Isso não significa que a Vila de Sant’Ana era dependente de Pirenópolis, na época, Meia Ponte”, explica.


Jairo Leite, também, é enfático ao afirmar que o que aconteceu em 31 de Julho de 1907, foi só uma mudança na nomenclatura do Município. “Em 31 de julho de 1907, Vila de Sant’Ana passou a ser chamada de Anápolis. Mas, não mudou nada em relação ao que já era o município”, defende.


 


Linha oposta - O maior defensor da linha oposta, que mantém o 31 de julho de 1907, como verdadeira data de emancipação política de Anápolis é o professor e escritor João Asmar. Aos 94 anos, dono de uma memória invejável, João Asmar lembra datas e fatos históricos como poucos.


Discorda dos historiadores que dizem que a emancipação política de Anápolis só aconteceu em 1907 porque, segundo ele, Anápolis ainda era um núcleo semi-independente. “Na época, a Vila era dependente em parte do município. Ela tinha poder judiciário, tinha certa autonomia, tinha câmara, mas estava em parte dependente do município Meia Ponte, hoje Pirenópolis. Então, o nome cidade só aparece em 1907, com o nome Anápolis, que era novidade. Foi primeiramente sugerido por Moisés Santana que era um jornalista aqui radicado. Então, Anápolis ficou independente em 1907”, diz.


Seguidor de João Asmar, o atual secretário de desenvolvimento econômico de Anápolis, Mozart Soares Filho (bisneto de Zéca Batista, tido como o fundador de Anápolis), também, diz não ter dúvidas em relação à data comemorativa. "Se nós formos mudar essa data, teríamos que ver que até o descobrimento do Brasil aconteceu em outra data. Então, essa é a minha data, essa é a minha bandeira”, enfatiza.


João Asmar, também, chegou a publicar um livro intitulado “Anápolis e a Associação Comercial e Industrial de Anápolis - Breves Históricos”, onde conta fatos históricos da cidade, entre eles, sua emancipação. O escritor dedica, inclusive, um espaço para fazer a distinção entre vila e cidade. Segundo o livro, foi pela lei nº 320, de 31 de julho de 1907, em seu artigo 1º, que fica clara a emancipação do município de Anápolis. “A Vila de Santana das Antas fica elevada à categoria de cidade, com a denominação de Anápolis”, diz o livro.


“Esses argumentos não têm sustentação. A emancipação política total, completa só aconteceu nesta data, em 31 de julho de 1907. A cidade nasceu sobre uma filosofia diferente. Em 1904, chegou o primeiro imigrante estrangeiro. Um árabe que veio de Pirenópolis. Ele montou um comércio e o sucesso desse comércio trouxe outros imigrantes árabes pra cá”, conta.


 


Discussão - A discussão é longa. Daniel Alves defende sua tese e diz que tudo está documentado. “Eu consegui reunir uns 30 documento de época que evidenciam que a data está errada. O 31 de julho, a primeira vez que foi comemorado foi em 1957. Elevou a Vila de Sant’Ana das Antas para a categoria de cidade em 31 de julho e isto está correto. O que não está correto é falar que é esta a data da emancipação política de Anápolis. 108 anos de cidade está correto, mas não são 108 anos de emancipação política”, diz.


Os historiadores que defendem que a data de emancipação política do Município está errada, dizem que é preciso corrigir esse equívoco histórico. “Nós queremos que mude a data do aniversário de Anápolis”, diz Jairo Leite.


“Em 1937, já se comemorou o cinquentenário do município da Vila de Sant’Ana das Antas. Nós temos mais história pra contar”, completa o diretor do museu histórico de Anápolis, Tiziano Mamede.


“O que é mais importante se comemorar? É quando o município recebe um título a mais e muda de nome ou quando ele é criado, ele surge? A meu ver é a criação. Então, essa comemoração deveria ser no dia 15 de Dezembro”, diz Daniel Alves.


O professor João Asmar defende sua teoria e não acha que a data deva ser mudada. Mas pede para falar um pouco da cidade de Anápolis no futuro. “Anápolis hoje é uma cidade com características de uma metrópole. É uma cidade independente graças a sua posição privilegiada no cenário geopolítico. É um núcleo de concentração de estradas e tem a sua vocação industrial herdada desde as primeiras indústrias que aqui se estabeleceram. É uma cidade voltada para o futuro promissor”, finaliza sabiamente a entrevista.

Autor(a): Ana Cláudia Oliveira

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