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Henrique Santillo: Dez anos sem o estadista anapolino

Especial Comentários 29 de junho de 2012

Se vivo estivesse, completaria, no dia 23 de agosto próximo, 75 anos de idade. Mas, há, exatos, dez anos morria o homem público que, com toda a certeza, foi o maior benfeitor de Anápolis em todos os tempos.


Henrique Antônio Santillo era filho dos imigrantes italianos (Virgínio Santillo e Elydia Maschietto Santillo) e nasceu na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A família tinha mais dois filhos: Ademar (ex-deputado estadual e federal; ex-prefeito, ex-secretário Estadual da Educação) e Romualdo (advogado; radialista; deputado estadual, secretário municipal de Comunicação) e se instalou em Anápolis no ano de 1942. Seu pai era um pequeno comerciante de cereais. Henrique, ainda criança, começou a trabalhar para ajudar no orçamento familiar. Estudou em várias escolas de Anápolis, até o científico. A partir de então, passou a ser um jovem interessado pela política, da qual nunca mais se separaria.
Entretanto, apesar da vocação para a política, Henrique Santillo sempre, foi um aluno brilhante. Tanto é assim que em 1957 passou, em primeiro lugar, no vestibular para Medicina na consagrada Universidade Federal de Minas Gerais. No mesmo ano ficou em terceiro lugar no vestibular da Universidade Católica. Na Capital Mineira ele conciliava seu curso com as aulas que ministrava em cursinhos preparatórios, uma forma de conseguir o sustento enquanto estudava medicina. Sua influência nos meios acadêmicos de Belo Horizonte foi tão forte que, já no segundo ano, conseguiu a proeza que era dada, somente, aos alunos do quinto ano: ser presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina. Em seguida, elegeu-se Presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Universidade Federal de Minas Gerais e, depois, da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais. Em 1960, quando fazia residência médica, foi eleito conselheiro da UNE (União Nacional dos Estudantes).
Assim que concluiu o curso de Medicina, Henrique Santillo retornou a Anápolis e começou a clinicar, dividindo seu tempo entre a Santa Casa de Misericórdia (atendendo como voluntário) seu modesto consultório particular e, seis meses depois, nos plantões do SAMDU (Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência), equivalente ao SAMU de hoje.

Trajetória política
Mas, o jovem médico tinha ideais políticos irreversíveis. Logo, entrou para a atividade, sendo um dos fundadores do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) de Anápolis, quando da instituição do bipartidarismo. Incentivado por um grupo de amigos, ele se dispôs a concorrer ao cargo de vereador em 1966. Obteve mais de 10% dos votos entre 60 concorrentes naquele ano. Na Câmara Municipal, Henrique Santillo se destacou como um dos mais ferrenhos críticos do regime militar, sendo autor, ainda, de vários e importantes projetos que se transformaram em leis, até hoje, em vigor no Município. Três anos depois, candidatou-se a Prefeito, obtendo dois terços dos votos válidos, numa disputa contra as forças estaduais e federais. Na Prefeitura de Anápolis Henrique Santillo em, apenas, três anos, implantou um sistema inovador de administrar as coisas públicas, destacando-se as chamadas “ações concentradas”, que se constituíam no deslocamento da máquina administrativa para as periferias da Cidade nos finais de semana, oferecendo uma considerável gama de serviços públicos às populações do setor. Era uma grande festa democrática/popular, com máquinas consertando ruas, médicos e dentistas atendendo à população e o oferecimento de milhares de refeições, com todos os ingredientes ofertados, gratuitamente, por comerciantes, fazendeiros e admiradores. Em sua administração foi construído o Palácio 31 de Julho, que passou a sediar o Governo Municipal. Hoje, o prédio serve como sede para a Câmara Municipal.
Ao deixar a Prefeitura de Anápolis, após eleger seu sucessor, José Batista Júnior (cassado oito meses depois pelo regime de exceção), Henrique Santillo não tinha, sequer, um carro próprio. Seus amigos e correligionários cotizaram e adquiriram um veículo Opala, com o qual lhe presentearam. Nas eleições de 1974 concorreu a uma vaga de deputado estadual e foi o mais votado em Goiás. Também, no Parlamento Goiano, Henrique Santillo teve uma atuação destacada, sobressaindo-se no debate com antigos e famosos políticos do Estado.

O Senado
Com uma carreira política promissora, chegou a hora de tentar voos mais altos. Outra vez, incentivado pelos amigos e correligionários, Henrique Santillo decidiu concorrer a uma das vagas de senador por Goiás em 1978. Mesmo com poucos recursos financeiros, enfrentando adversário de alto poder aquisitivo, foi à luta. Venceu os candidatos da Arena (Aliança Renovadora Nacional), com mais de 100 mil votos de frente. Na chamada Câmara Alta (Senado da República) Henrique Santillo repetiu o brilhantismo da Câmara Municipal e da Assembleia Legislativa e, em pouco tempo já era um dos mais respeitados parlamentares do Congresso. Com o prestígio conquistado em curto período, foi eleito Primeiro Secretário e Presidente da Fundação “Pedroso Horta”, instalando o órgão de estudos do PMDB em todos os Estados. Trabalhou, muito, pela redemocratização do País, destacando-se na defesa das riquezas naturais, dos produtores rurais; de reserva de mercado para a indústria nacional, por justiça social e principalmente, pela volta das eleições diretas.

Governador Santillo
Com a chegada das eleições de 86, o nome de Henrique Santillo era tido como candidato natural do Partido (PMDB) para disputar a Governadoria do Estado. Mais uma vez, teve de lutar contra as oligarquias e o poderio econômico dos adversários. Foi quando se deu o fenômeno social conhecido por “caminhadas”, com Santillo percorrendo cidades inteiras, rua por rua, no contato direto com o eleitor. Outra inovação de sua campanha foi a distribuição de formulários com pedido de sugestões dos eleitores para a adoção de projetos administrativos no Estado. O programa obteve mais de 100 mil respostas que foram a base do programa administrativo. Santillo venceu as eleições para Governador em 235 dos 244 municípios que Goiás tinha à época (ainda não havia sido criado o Estado do Tocantins). Foram quase um milhão de votos e uma vantagem de mais de 400 mil sobre o segundo colocado.
Como Governador de Goiás, Henrique Santillo adotou um sistema de administrar voltado, prioritariamente, para o social. Ele implantou redes de saúde pública e de saneamento básico em todas as regiões. Este projeto foi reconhecido, à época, pelo Ministério da Saúde, como modelo para outros estados. A área social, também, foi marcada por programas como a cesta básica para famílias carentes; núcleos de apoio à comunidade, construídos pelo Estado e entregues às associações de moradores; escolas profissionalizantes e ações pontuais de apoio à mulher, idoso e criança carente. Durante seu mandato Santillo enfrentou muitos problemas decorrentes de vários planos econômicos do Governo Federal e que não obtiveram sucesso na luta contra a inflação, além do acidente radioativo com o césio 137, em Goiânia que, por algum tempo, estigmatizou Goiás junto à comunidade nacional.

O Ministro
Ao concluir seu mandato de Governador, Henrique Santillo deixou o PMDB e foi para o PP (Partido Progressista). Em setembro de 1993, foi convidado pelo, então, Presidente Itamar Franco para assumir o Ministério da Saúde. Naquela pasta ele consolidou o projeto de implantação dos medicamentos genéricos no Brasil e adotou mudanças importantes no sistema de saúde, que se achava em crise. Foram ações que visavam priorizar a atenção à saúde, com ações e programas de medicina preventiva; controle social sobre o SUS; agentes comunitários de saúde; combate a antigas endemias, dentre elas, febre amarela, dengue e cólera, além de outros. Foi, também, em sua gestão como Ministro que o Brasil recebeu, em 1994, da Organização Mundial de Saúde e da Organização Panamericana de Saúde, o certificado de erradicação da poliomielite (Paralisia Infantil).
Ainda, quando comandou o Ministério da Saúde, Henrique Santillo implantou diversos programas que, até hoje, estão em pleno funcionamento, como o Saúde da Família; Ambulatórios de Alta Resolutividade 24 Horas; Resgate a Acidentados em Rodovias; Disque Saúde; Assistência Integral à Saúde da Mulher e da Criança; Incentivo ao Aleitamento Materno, de Prevenção e Combate à AIDS e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis.
Com o fim do Governo Itamar Franco, Henrique Santillo retornou a Goiás e aceitou os apelos de antigos companheiros filiando-se ao PSDB, concorrendo à Prefeitura de Anápolis, não obtendo sucesso. Depois disso, voltou a clinicar em sua especialidade, pediatria. E da forma como começou: atendendo gratuitamente, em um modesto posto médico da Vila Jaiara, próximo à chácara onde passou a residir (Setor Jandaia), na Região Norte de Anápolis. Esta atitude comoveu a muita gente, pois, para a mídia, era inconcebível um ex-ministro de estado atender às comunidades carentes em um posto de saúde na periferia de uma cidade do interior do Brasil. Santillo nunca ligou para isso e trabalhava, literalmente, o dia inteiro. E, de graça. Tempos depois, ele retornaria à lida político/partidária, agora, no comando da campanha do, então, deputado federal Marconi Perillo ao Governo de Goiás, quando se registraram as vitórias no primeiro e segundo turnos, colocando um fim no ciclo de 16 anos de domínio dos governos do PMDB em Goiás.
Henrique Santillo ocupou, ainda, as secretarias estaduais da Saúde e de Articulação Política do Governo de Goiás, em 1999, desligando-se, em definitivo, da política partidária no final daquele ano, quando foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Sua indicação para o cargo foi aprovada pela unanimidade dos partidos representados na Assembleia Legislativa. Naquela corte, foi diretor da Sexta Auditoria Financeira e Orçamentária; Corregedor-Geral; vice-presidente e presidente, em 2002. Henrique Santillo morreu, aos 65 anos, no Hospital Evangélico de Anápolis, no dia 25 de junho de 2002. Foi casado com Sônia Célia Santillo, com quem teve dois filhos e três filhas.

O que Santillo fez por Anápolis (obras maiores):
Sistema de captação e tratamento de esgoto sanitário em 80 por cento da região urbana
Construção de 05 feirões cobertos
Construção do Kartódromo Internacional
Construção da Estação Rodoviária
Construção do Fórum Municipal
Implantação do ‘Teste do Pezinho’ no Laboratório da APAE
Ampliação da Santa Casa de Misericórdia
Implantação da Unidade Oncológica (Hospital do Câncer)
Pavimentação de dezenas de bairros e rodovias na região
Ampliação da Emater (hoje Agência Rural)
Ampliação da OSEGO
Ampliação da Uniana (hoje UEG)
Construção de várias escolas estaduais
Implantação de várias delegacias distritais da Polícia Civil
Resumo político/administrativo
Formado em Medicina em 1963 na Universidade Federal de Minas Gerais
Vereador em Anápolis (1965-1969)
Prefeito de Anápolis (1969-1972)
Deputado estadual mais votado (1975-1979)
Senador da República por Goiás (1979-1987)
Governador do Estado de Goiás (1987-1991)
Ministro da Saúde (1993-1995)
Secretário de Saúde de Goiás (1999)
Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (1999-2002)
Presidente do TCE-GO(2002)

Autor(a): Nilton Pereira

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