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Grupo Valor da Vida busca devolver valores a homens destruídos pela droga

Geral Comentários 26 de junho de 2014

Internação pode ser uma das melhores alternativas para o tratamento de dependentes químicos, mesmo quando eles não querem


“Eu não queria vir, foi meu pai quem me trouxe. Ele já não aguentava mais me ver naquela situação. Comecei a usar drogas com 13 anos e estou me recuperando. Quando cheguei aqui, estava em uma situação lamentável. Pesava 25 quilos a menos e não tinha perspectiva. Hoje eu quero tudo de melhor pra mim mesmo, quero sair daqui e reconstruir o que perdi. Meu emprego, que abandonei por causa das drogas, está me esperando. Mas, a maior satisfação que tenho é haver recuperado minha família. Hoje posso ver a alegria nos olhos deles”, contou Ivan Rocha, 25, que está, há quatro meses, se recuperando em uma das comunidades terapêuticas do Grupo Valor da Vida.
Como ele, muitos outros homens lutam com a ajuda da instituição para tentar resgatar a dignidade e dar um recomeço para suas vidas. Cada um tem uma história um pouco diferente, mas todos têm o vício em comum.
Eles dão sinais de que precisam de ajuda, mesmo quando se lhes é negado. Afastam-se da família e dos amigos; têm queda no rendimento escolar ou no trabalho, tornam-se agressivos e fazem qualquer coisa para sustentarem o vício. Nessa hora, a família precisa se manter firme e buscar ajuda.

Grupo Valor da Vida
Desde 2011 O Grupo Valor da Vida trabalha com a recuperação de homens, de 15 a 65 anos, usuários de drogas. Atualmente, são três unidades no Município, com cerca de 150 residentes. A instituição tem destaque nacional e é procurada por pessoas vindas de diversos estados brasileiros.
Os centros terapêuticos, do Grupo Valor da Vida, oferecem tratamento especializado com equipe multidisciplinar formada por psiquiatras; psicólogos; enfermeiros; terapeutas, fisioterapeutas, dentre outros. Os residentes, também, contam com o auxilio espiritual, onde são motivados a buscar a fé, independente de religiões.
O tratamento dura em torno de 180 dias. Na primeira parte, que leva 155 dias, os residentes participam do Programa Terapêutico que conta com grafoterapia; terapia ocupacional; reuniões de grupo e individual com psicólogo; musicoterapia; esportes como futebol e natação; consultas médicas; e terapia, também, para as famílias. Nos últimos 30 dias é iniciado um processo de ressocialização - período em que o residente passa alguns dias em casa e alguns dias na clínica.
O Grupo, também, tem a preocupação de ajudá-los a conseguir um emprego. Eles buscam cursos profissionalizantes e, ainda, contam com o apoio do Ministério Público e da Organização Não Governamental “Cruzada Pela Dignidade” para garantir o direito dos residentes.
O presidente do Grupo Valor da Vida, Wesley Miller, esclarece que a dependência química é considerada uma doença biopsicossocial pela Organização Mundial de Saúde. E que, para a recuperação de algumas pessoas, só a internação têm resultados. “Somo procurados, geralmente, pela família quando não há mais esperança e todos os recursos já foram esgotados. Aqui eles passam por uma desintoxicação e reinserção social”, disse.
Wesley explica que existem três tipos de internação: voluntária, quando o indivíduo aceita e busca a ajuda; involuntária, em que é atestado por um médico a necessidade da internação por riscos de morte para o indivíduo ou terceiros; e a compulsória, por determinação judicial. “A que mais funciona é a involuntária. Muitos chegam aqui contra sua vontade, mas logo começam a perceber que estavam no fundo de um buraco escuro e que realmente desejam uma mudança de vida”, falou.
São várias as drogas, lícitas e ilícitas, que levam as pessoas a tal situação. As mais comuns são o álcool; crack, maconha e cocaína. “A que temos mais sucesso de recuperação é o com o crack, por incrível que pareça. Outras drogas são mais complicadas por serem de mais facíl acesso como o álcool, que é encontrado em qualquer padaria. E, também, a maconha, porque o usuário acredita que seja uma erva natural. Mas, o que, muitas vezes, não se sabe é que estudos apontam o uso da maconha como uma das principais causas da esquizofrenia”, assegura.
Segundo Miller, o sucesso de recuperação das unidades terapêuticas do grupo é de 50%. Um número bem maior do que é estimado por outras clínicas de recuperação de todo o mundo em que o índice é estimado em 17%. “A única maneira de restaurar uma pessoa é com respeito; atenção; dignidade; reinserção social, amor e, principalmente, ensiná-la que o alicerce da vida é Deus. É o que oferecemos”, garantiu.
Apesar de a instituição ser particular, a cada semestre oferece-se, gratuitamente, o tratamento para uma média de 40 pessoas. Além disso, o acompanhamento para a família, também, é gratuito.

Autor(a): Wanessa Mereb

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