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Goiás melhora posição no ranking, mas taxa de homicídios está acima da média nacional

Segurança Comentários 30 de novembro de 2012

Estudo amplo sobre a violência no País, realizado por um órgão especializado, revela as faces da interiorização homicida e da vitimização juvenil


O “Mapa da Violência 2012- Os novos padrões da violência homicida no Brasil”, elaborado pelo Instituto Sangari, traz uma análise bem acurada sobre o problema da violência no País. O estudo mostra estatísticas e gráficos com dados dos últimos 30 anos, disponíveis, mas de forma mais detalhada, da última década - 2000 a 2010.
A publicação, não pretende realizar um diagnóstico das causas da violência no País. “Além de não ter essa pretensão, seria impossível para nós abranger a realidade diversificada de 5.565 municípios; 27 Unidades Federadas, 27 Capitais e 33 Regiões Metropolitanas. De forma bem mais modesta, pretendemos apresentar dados em condições de subsidiar objetivamente esse diagnóstico. Assim, esperamos que as informações, aqui oferecidas, possam servir de base para estudos mais aprofundados sobre o tema, para discussões locais e, fundamentalmente, para diagramar políticas e estratégias que permitam reverter o quadro observado”, assegura a apresentação do trabalho.
Os dados entabulados, baseados no Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, já de início, revela que o Brasil passou de 13.910 homicídios em 1980 para 49.932 em 2010, um aumento de 259%, equivalente a 4,4% de crescimento ao ano. Considerando o número para cada grupo de 100 mil habitantes, no mesmo período, a taxa de homicídios saltou de 11,7 para 26,2, sendo que os dados referentes a 2010 são preliminares. O aumento na taxa foi de 124% na década, ou de 2,7% ao ano. Mas, segundo os censos nacionais, a população do País, também cresceu, embora de forma bem menos intensa. Passou de 119,0 para 190,7 milhões de habitantes, um crescimento de 60,3%.
Em Goiás, o número de homicídios, em 2000, era de 1.011, chegando a 2010 com 1.766 registros, uma variação de 74,7%, portanto, bem abaixo do crescimento nacional. A taxa de homicídio (por 100 mil habitantes), que era de 20,2 evoluiu para 29,4, com uma variação de 45,6% e, nesta avaliação, ficando acima da média nacional, de 26,2. Com esses números, Goiás, que era o 13º no ranking das unidades da federação com maior taxa de homicídios em 2000, recuou para a 15ª. posição em 2010.


Interiorização homicida e vitimização juvenil
Segundo a pesquisa, nos estudos publicados a partir de 2004, começou-se a verificar uma mudança nos padrões de evolução da violência homicida no País. “Desmembrando (a série analisada 1993/2002) em dois períodos, no primeiro, de 1993 a 1999 os índices de crescimento dos homicídios nas capitais e municípios das regiões metropolitanas mais que duplicam os índices de crescimento do interior dos estados. Já nos segundo período - 1999 a 2002 - aumentam efetivamente as taxas anuais de crescimento dos homicídios no interior para 8% ao ano, caindo de forma drástica os índices das capitais e regiões metropolitanas. Isso estaria indicando uma forte tendência de interiorização da violência homicida”. O fenômeno, por assim dizer, foi batizado pelos pesquisados de “disseminação” e é explicado pelo fato de que as capitais e regiões melhoraram o nível de aparelhamento de segurança, dessa forma, a violência migrou para regiões menos protegidas dos estados. A título comparativo, o Mapa indica que em 1980 a taxa de homicídios no Brasil era de 11,7 saltando para 23,8 em 1995 e, em 2010, descendo para 26,2. Nas capitais e regiões metropolitanas, a taxa era de 17,9 em 1980, subindo para 40,1 em 1995 e fechando 2010 em 33,6. Já, no interior, a trajetória é mais ascendente: em 1980, a taxa estava em 7,5, pulando pata 11,7 em 1995 e para 20,1 em 2010.
O Mapa da Violência trata ainda da vitimização juvenil, destacando que “as taxas mais elevadas concentram-se na faixa dos 15 aos 24 anos se estendendo, de forma, também intensa, até os 29 anos. A partir dessa idade as taxas vão declinando progressivamente”.
Diz o estudo: “Esses elevados níveis de vitimização juvenil constituem um fato relativamente recente, mas não se originaram na última década. As características da mortalidade juvenil não permaneceram congeladas ao longo do tempo, mas mudaram radicalmente sua configuração a partir do que poderíamos denominar novos padrões da mortalidade juvenil”, acrescentando que em 1980 as causas externas já eram responsáveis por 52,9% do total de mortes de jovens no País. Em 2010, alcançou 73,2%, ou seja, 34 da mortalidade juvenil deve-se a causas externas, ou causas violentas como costumam ser denominadas. “E o principal responsável por essas taxas são os homicídios, as quais foram responsáveis por 38,6% de todas as mortes de jovens no ano 2010”. O número de homicídios de jovens com idade entre 15 e 24 anos no Brasil era de 17.501 em 2000 e em 2010, ficou em 17.923, sofrendo uma variação de 11,1%. Em Goiás, no ano de 2000, foram 355 homicídios de jovens, subindo para 657 em 2010, uma variação ascendente de 44,9%. A Taxa de homicídios de jovens (por 100 mil habitantes) no Brasil era de 51,4 em 2000 e passou para 52,4 em 2010, com aumento de 1,9%. Já em Goiás, a taxa era de 34,6 e saltou para 60,4, registrando incremento de 74,4%.
Em relação aos municípios do interior, os dados são generalizados, mas uma leitura num dos mapas da publicação, é possível identificar, em relação a Anápolis, uma questão que chama a atenção. No ano de 2000, o Município se situava entre as cidades com taxa entre 10 e 26, sendo tratado este grupo, na pesquisa, como “Municípios acima do nível epidêmico, mas, ainda, abaixo da média nacional”. Já em 2010, Anápolis passou a figurar entre as localidades, em Goiás, com taxa de homicídios acima de 26, ou seja, acima da média nacional. O que, portanto, pressupõe-se que o Município seja vítima desses fenômenos da interiorização e da disseminação.

Autor(a): Claudius Brito

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