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Gina Tronconi: “A voz que clama no deserto?”

Política Comentários 17 de setembro de 2011

Vereadora do PPS disse não se incomodar com o fato de fazer críticas à atual administração que, conforme se divulga, teria mais de 80 por cento de aprovação popular


“Não me elegi vereadora para dizer amém ao Prefeito. Para isso não precisaria ter me candidatado. O Prefeito tem de entender a importância do contraditório. Aliás, quando ele era vereador, o que mais fazia era isso. Ia às rádios; aos jornais; berrava; esbravejava; fazia protestos, comandava passeatas e, nem por isso, perdeu o respeito da comunidade”. São declarações da vereadora Gina Tronconi, do PPS, que está cumprindo seu primeiro mandato e que se mostra segura, mesmo sendo, hoje, a principal voz a contradizer os atos do Executivo no Plenário “Teotônio Vilela”, da Câmara Municipal de Anápolis. Quanto aos outros vereadores, integrantes de partidos, teoricamente, opositores ao Governo do PT (mais especificamente Mirian Garcia e Fernando Almeida Cunha, do PSDB), Gina Tronconi diz não se preocupar. “Cada um tem seu jeito de agir. Eu ajo assim. Não quero dizer, entretanto que tudo o que o Prefeito faz está errado. Muito pelo contrário. Quando ele encaminha projetos de interesse comum, eu voto a favor, sem problemas. Mas, quando há dúvidas, quando não concordo, exerço o direito sagrado de defender meu ponto de vista”, alega a vereadora.
Perguntada se seu comportamento não estaria sinalizando uma antecipação do debate político, principalmente o embasamento de uma campanha para a reeleição no ano que vem, Gina Tronconi é enfática ao afirmar que sua reeleição, caso seja candidata, não depende dela. “O que vai acontecer com minha carreira política depende mais dos eleitores. Eles é que vão julgar meu trabalho”, disse. Para Gina Tronconi, existem muitos acertos na Administração de Antônio Gomide, “mas existem falhas também e ele tem de admitir isso. Mas, sua assessoria prefere falar que tudo o que eu faço, principalmente as críticas, tem objetivo político. Não é assim. Faço as críticas e caso achar conveniente, vou procurar o Ministério Público, a Justiça, o que for. Não posso concordar com atos irregulares. Fui eleita para isso. Quanto a tirar proveito político, acho que se formos dar uma olhada mais aprofundada, vamos ver que do lado de lá é que estas coisas estão acontecendo”, declarou a vereadora do PPS.

Desgastes
O desgaste entre a vereadora e a Administração Municipal floresceu, principalmente, depois que ela fez críticas à entrega que considerou precipitada, das 1125 casas do Conjunto “Copacabana”, dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal. Segundo a vereadora, o núcleo residencial foi inaugurado “com muito discurso, com muito foguete, com muita festa, mas sem as condições básicas de habitabilidade. Lá não havia creche; posto de saúde; as mulheres não podem abrir um salão de beleza para ajudarem no orçamento doméstico e ninguém falou nada. Eu fui lá, pessoalmente, e vi aquele estado de coisas. Naquele momento fui a única voz a questionar a situação. O Prefeito e sua assessoria não gostaram. Mas, depois que a coisa foi para a mídia, eles correram para consertar alguns dos defeitos que haviam lá. Para Gina Tronconi, “o Prefeito está realizando um bom trabalho em diversas áreas, contudo, deixando outras sem cobertura”.
Outra crítica feita pela vereadora é em relação ao abastecimento de água potável na Cidade. “Quando era vereador, o Prefeito não dava sossego à Saneago. Todo dia ele criava um fato e cobrava da empresa uma atenção especial para Anápolis. Depois que ele assumiu, fez um contrato com essa empresa no qual se garantia que não faltaria mais água em Anápolis. E isto não ocorreu. Agora mesmo, estamos vendo reclamações de todos os cantos, quanto à falta de água. De esgoto, nem precisa falar. Mas, ele (o Prefeito) fica calado, não se manifesta. Isto é muito estranho. A prova maior disso é que, apressadamente foi criado um conselho municipal para cuidar do assunto. Enquanto isso, a Saneago faz buracos por toda a Cidade e ninguém assume a responsabilidade” diz a parlamentar.

Os gastos
A vereadora Gina Tronconi questiona, também, os gastos da Prefeitura com praças e parques na Cidade. “Já recebi manifestações contrárias e favoráveis a este meu posicionamento. Não tenho dúvidas quanto à beleza das praças e dos parques. O Parque Ipiranga, por exemplo, ficou maravilhoso. Não há o que contestar. Realmente ele é o principal cartão postal de Anápolis. Mas, foi uma obra que custou nove milhões de reais. É um valor extraordinário para a nossa realidade. Lá existem dois lagos; bancos; grama, paredes com desenhos artísticos e aparelhos para ginástica. Tenho muita experiência com construção e, embora saiba que a obra foi feita através de licitação, vejo que poderia ser gasta uma quantia bem menor. Quanto às praças é a mesma coisa. Ninguém está tendo o cuidado de saber se, realmente, o valor pago é o valor de mercado, e se todas as obras estão sendo licitadas ou se são feitas pelo sistema de inexigibilidade”, alegou a parlamentar.
Outra polêmica levantada pela vereadora a respeito da administração Antônio Gomide é em relação à contratação de um escritório de advocacia para impetrar mandado de segurança contra ato do Co-índice que havia reduzido a cota de Anápolis no repasse dos recursos oriundos dos tributos estaduais, principalmente o ICMS. “A Prefeitura pagou cerca de R$ 70 mil para um escritório de Goiânia fazer o que a Procuradoria Municipal poderia ter feito. Aliás, existem bons advogados lá, ganhando por mês, justamente para defenderem os interesses do Município. Por que, então, contratar um escritório particular, e, o que é pior, sem licitação, aplicando o recurso da inexigibilidade? E, será que em Anápolis não teríamos um escritório para fazer a mesma coisa, até por um valor mais em conta? É isso que me preocupa em relação ao Governo Municipal”, disse Gina Tronconi.
A parlamentar do PPS rechaça a ideia de que esteja fazendo oposição sistemática ao Prefeito. “Não é isso. Acontece que como oposicionista, em muitos casos, presto melhor serviço ao Governo do que os que somente ficam aplaudindo e bajulando, mesmo quando as coisas estão erradas. Faço uma oposição responsável, construtiva, em busca da verdade e da ética. Não me importo em, às vezes, estar sozinha nesta luta. Sei que dificilmente vencerei nas votações em plenário, já que o Prefeito tem uma maioria esmagadora, massacrante, o que provoca uma extraordinária blindagem de seu governo. Mas, vou continuar gritando, enquanto voz eu tiver. Se estiver errada, o tempo dirá. O que não posso, e não vou fazer, é me quedar ante o poder quase que absoluto, que passa por cima de tudo e faz parecer que está tudo às mil maravilhas na Prefeitura. Definitivamente não está. A diferença é que eu tenho a coragem cívica de questionar”, disse Gina Tronconi.

Autor(a): Nilton Pereira

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