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Gesto solidário que não pode tirar férias

Saúde Comentários 09 de julho de 2010

Bancos de sangue, dentre eles o Instituto Onco-Hematológico, registram queda nos estoques durante o mês de julho


Com a chegada do mês de julho e a incidência do período de férias, surge uma preocupação no Instituto Onco-Hematológico de Anápolis: a redução do número de doadores de sangue voluntários. É justamente em épocas em que as pessoas viajam mais, como as férias do meio e final de ano e o período de carnaval, que os estoques registram as quedas. A agravante é que, nesses períodos, aumenta a procura por bolsas de sangue nos hospitais, devido ao maior número de acidentes nas estradas. Segundo a biomédica Cleonice Maria Garcia de Souza, o Instituto conta com cerca de 1200 doadores por mês, mas nessa fase de baixa dos estoques, a quantidade ideal de 50 doadores por dia é reduzida a quase que pela metade. Para aumentar o número de interessados em doar vida, o Ministério da Saúde realizou, durante o mês de junho, a campanha “Doe sangue, faça alguém nascer de novo”, mostrando depoimentos de pessoas que foram salvas com a transfusão de sangue. Segundo dados do Ministério, no Brasil, 1,9% da população doa sangue, mas a meta é aumentar o número de bolsas coletadas por ano, de 3,5 milhões, para 5,7 milhões. O aumento de doações é necessário devido ao crescimento da população e a alta de 58,3% no número de transplantes realizados no País nos últimos seis anos.
O diretor administrativo do Instituto Onco-Hematológico, Eli Rosa, acredita que, paralelamente às campanhas de conscientização promovidas pelo Ministério da Saúde, é essencial a realização de parcerias entre os bancos de sangue e instituições como a Base Aérea de Anápolis, o Corpo de Bombeiros e as empresas da Cidade. O Instituto, também, mantém ativo um banco de dados com aproximadamente 42.000 doadores cadastrados, para ser acionado quando determinados tipos sanguíneos registram queda considerável, como é o caso do sangue de fator RH negativo, considerado o mais raro nos estoques. Eli avalia que a população anapolina costuma ser solidária, mas em caso de uma demanda maior, o banco de sangue precisaria de reforço. “Trabalhamos com uma matéria-prima perecível, já que as bolsas de sangue só podem ser guardadas durante um mês. Se ocorresse um acidente coletivo com grande número de vítimas, em Anápolis, seria necessário haver um intercâmbio com outros bancos de sangue. Nossa demanda é grande, principalmente, porque junto com o Hemocentro de Goiânia, damos suporte ao Huana - Hospital de Urgências de Anápolis”, ressalta o diretor.
Salvar vidas em poucos minutos Joel Santana da Silva, de 23 anos, mora em Jaraguá e veio a Anápolis com o primo para realizar um gesto solidário que, segundo ele, não dói nada. “Sempre vejo pela televisão que o sangue doado por uma pessoa pode salvar várias vidas. No futuro, eu ou alguém da minha família podemos precisar de transfusão. Ajudar ao próximo é bem fácil e rápido”, garante o doador voluntário. De acordo com a biomédica Cleonice de Souza, todo o procedimento de doação dura, em média, 30 minutos. Inicialmente, a pessoa interessada em doar sangue deve levar o documento de identidade e se cadastrar na recepção do Instituto. Em seguida, ela passa por uma triagem técnica que avalia alguns dados como peso, altura, pressão e temperatura. A próxima fase é a triagem clínica, quando são seguidos diversos procedimentos de proteção do doador e do sangue que será, posteriormente, encaminhado ao receptor. O processo de doação em si dura, no máximo, 15 minutos, quando são coletados de 405 a 450 ml de sangue. Por último, o doador recebe um lanche e fica em repouso por cerca de 10 minutos. A biomédica faz questão de ressaltar que é importante que o doador compareça ao banco de sangue mais de uma vez por ano. “Os homens podem doar de três em três meses e as mulheres de quatro em quatro meses. Os idosos, também, podem doar, desde que tenham até 65 anos 11 meses e 29 dias. Quem tem idade acima de sessenta anos deve doar observando o intervalo de seis meses entre uma doação e outra. Seguindo esses prazos, a medula do doador terá tempo para repor o sangue e esse voluntário estará, sempre, beneficiando a quem precisa da doação para sobreviver”, orienta Cleonice de Souza.

PARA DOAR SANGUE BASTA:
- Sentir-se bem e com saúde;
- Apresentar documento com foto, válido em todo o Território Nacional;
- Ter entre 18 e 65 anos de idade;
- Ter peso acima de 50 KG.
NÃO PODE DOAR:
- Quem teve diagnóstico de hepatite após os 10 anos de idade;
- Mulheres grávidas ou que estejam amamentando;
- Pessoas diagnosticadas como doenças transmissíveis pelo sangue como AIDS, hepatite, sífilis e Mal de Chagas;
- Usuários de drogas;
- Pessoas que tiveram relacionamento sexual com parceiro desconhecido ou eventual e não usaram preservativos.

Autor(a): Viviane Sales

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