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Gesto do Papa Bento XVI é aplaudido

Geral Comentários 02 de maro de 2013

Representantes e fiéis de diferentes religiões, apesar de terem pontos de vista diferentes, respeitam decisão que marcou história do papado


“A Igreja não perdeu nenhum fiél. Aqueles que se foram nunca foram fiéis católicos realmente. Não se pode perder o que nunca se teve. Os que deixaram a Igreja eram indecisos, curiosos ou pessoas que estavam apenas ‘cumprindo uma obrigação’ passada por seus pais ou avós. A Igreja, casa e família de Deus, surgiu como um pequeno grupo; não importa a quantidade, e sim a qualidade dos seus filhos, como cristãos conscientes e santificados”, essa foi a resposta , que causou admiração, do então recém pontífice, ao questionamento de um jornalista que indagava sobre a perda de fiéis da igreja católica. Foi dessa maneira, em uma de suas primeiras aparições públicas, que Bento XVI se mostrou firme no desafio de substituir João Paulo II que, tendo o terceiro maior pontificado da história, difundiu grandes movimentos na realidade católica, como a Jornada Mundial da Juventude, além de saber se expressar em mais de 14 idiomas e, documentadamente, ter sido o papa com o maior popularidade entre os fieis. Entretanto, após oito anos como líder da religião católica, o agora papa emérito conquistou a confiança dos fieis católicos a ponto de ter deixado um pesar, juntamente com o sentimento de gratidão, entre eles.
Ao tomar conhecimento da renúncia de Bento XVI, Dom João Wilk, bispo da diocese de Anápolis, disse que ficou comovido. "Me deu uma sensação de certa perda, embora as coisas continuem. Assim como amamos João Paulo II, continuamos amando Bento XVI, e assim acolheremos e amaremos o próximo Papa". Porém, o bispo acredita que a decisão de renunciar ao serviço petrino na igreja foi um gesto corajoso e bem pensado, uma vez que o papa sabia que o fato da renúncia seria uma novidade para todos e não poderia tomar decisões para prejudicar a igreja. " 'Amar a igreja significa também fazer escolhas difíceis', foi o que Bento XVI declarou. Enquanto a tendência do ser humano é a busca do poder, o carreirismo, o Papa parece dizer: 'Eu cumpri a minha missão até quando eu podia cumprir. Entrego o cargo de conduzir a Igreja a quem, no momento de hoje, saberá guiá-la melhor', o que é uma lição para todos nós", afirma o bispo.
O designer gráfico, Guilherme Augusto Barbosa, 22, que há cerca de sete anos participa de lideranças dentro dos movimentos jovens católicos e tem estudado sobre a história da igreja desde quando participou de uma Jornada Mundial da Juventude pela primeira vez, há dois anos, enxerga a renúncia como mais um motivo para admirar Bento XVI. "Ele foi um pai que nunca nos mimou, e agora não seria diferente. No início do pontificado, havia falado que não procurava quantidade de fiéis, porém a qualidade deles, e seu pontificado foi todo assim, procurando verdadeiros cristãos", explica, e complementa: "Sua renúncia teve o mesmo impacto: o de quem ensina seus filhos a dependerem somente da fé". Para o jovem, Bento XVI foi o papa certo para tempos certos. "Minha admiração somente aumentou com sua renúncia", enfatiza.
De acordo com Dom João Wilk, o Papa deixa uma herança rica quanto a fé cristã atual. "Bento XVI nos deixou preciosos documentos nos quais nos confirma na fé e dá orientações. São as encíclicas sobre a caridade e a esperança, as principais virtudes do cristão", diz. Apesar de não ter realizado propostas concretas de mudanças na igreja, o papa é de importante referência na questão da ciência e da racionalidade da fé. "A sua preocupação foi a crescente onda do abandono à Deus, a secularização e o relativismo. Ele não fugiu dos problemas, mas os admitiu e foi ao encontro destes, na busca da verdade", explica. O que foi exposto por Bento XVI em seu último pronunciamento, ao dizer que seu pontificado "foi um tempo de caminhada da Igreja marcado por momentos de alegria e luz, mas também de momentos difíceis. Senti que a Barca de Pedro não é minha, não é nossa, mas é d´Ele. É Deus quem a conduz."

Evangélicos
Para o reverendo da igreja presbiteriana central de Anápolis, Samuel Vieira, a renúncia pode ter sido implicada por motivos além da saúde fragilizada. “O papa foi um dos maiores intelectuais da igreja católica, sempre escreveu sobre temas pesados com desenvoltura e, para ele ter rompido com a igreja, acredito que não só pelo motivo de sua saúde, deve ter havido algum motivo muito sério que o contrariou muito, e por ser um homem autêntico e objetivo ele optou por renunciar ao cargo”, diz.
A jornalista Lorrany Oliveira, 24, é evangélica e tem a sua opinião sobre esse assunto que vem sendo discutido recorrentemente na mídia. "Eu vejo que 86 anos é, sim, uma idade muito avançada, e com certeza o papa devia estar cansado. Ao que todos sabemos, o cargo exige disposição física para a quantidade de viagens realizadas, bem como muito preparo psicológico para criar, assinar e gerenciar as documentações que são típicas do cargo, que não deixa de ser de poder, de grande responsabilidade", fala. A jornalista não sente o aspecto afetivo em relação a renúncia do papa, mas compreende o que isso representa para os católicos. "Quando soube da renúncia do Bento XVI, me lembrei na mesma hora de um grande amigo católico que tenho, de como sempre nos respeitamos em nossas respectivas religiões, dentro das discussões que levantáva-mos sobre esses assuntos", explica. Lorrany conta que sua referência em relação aos demais seguidores da outra religião foram pontuados a partir do bom relacionamento que mantém com o amigo, dentro dos aspectos religiosos. "Embora signifique pouco para mim, a renúncia significa muito para eles. E isso é o suficiente para que eu respeite, pois assim como os católicos têm a particularidade deles em relação a religião, eu e os demais evangélicos, também temos na nossa", afirma.

Espírita
No ponto de vista espírita, o escritor Iron Junqueira ressalta que por ser a primeira vez, depois de muito tempo, que um fato desse tipo ocorre, a inovação pode trazer grandes mudanças para o contexto católico. “Com isto, a humanidade só tem a ganhar, porque com um novo papa haverão novas ideias, novos pensamentos, talvez até maior liberdade para o clero quanto às suas escolhas pessoais. Tenho profundo respeito pelos católicos, mas creio que toda renovação é boa para o ser humano”, comenta.
Quanto ao conclave que será iniciado neste mês para a escolha do novo papa, Dom João Wilk pontua que um tema a ser considerado pelos cardeais será a discussão sobre os desafios atuais na evangelização cristã. "Penso que os cardeais pensarão muito em quem pode dar um renovado impulso rumo à evangelização, para fazer que a Igreja seja mais comunidade de discípulos em estado permanente de missão", diz. O fato é que entre os cardeais há um consenso na percepção da problemática: o mundo em profundas mudanças, crise de valores e de critérios, o pluralismo de ideias e de pensamentos, o papel e o poder da cultura da comunicação e o uso adequado desta tecnologia a serviço da evangelização. "Eles estarão atentos a quem saberá concretizar as orientações do Concílio Vaticano II e conduzir a Igreja até a plena maturidade neste sentido. Com certeza, não será o critério de lugar ou de cor que irá prevalecer. Isto é secundário", ressalta.
Em relação às polêmicas da igreja católica discutidas na mídia, nesse tempo em que se torna o centro das atenções até a escolha do novo papa, o bispo da diocese se atém a fidelidade ao Evangelho, à verdade que, segundo ele, “não foi inventada pelos homens, mas foi recebida de Deus como revelação”. "A Igreja sempre defenderá o valor da vida e da dignidade da pessoa humana conforme os ditados da natureza e os ensinamentos do Senhor. A Igreja não pode mudar aquilo que é imutável, embora deva se atualizar constantemente para não perder a eficácia da evangelização", completa.
Dom João alerta aos fiéis a terem certa prudência em relação as vivências da igreja católica atualmente, em especial a renúncia de Bento XVI. "É preciso afirmar que os acontecimentos que estamos vivendo nestes dias, a surpresa com a inesperada renúncia do Papa da função de guiar a Igreja, só é possível compreender corretamente à luz da fé", conclui.

Autor(a): Carol Evangelista

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