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Força-tarefa para combater o crack em Anápolis

Geral Comentários 20 de janeiro de 2012

Movimento que reúne vários segmentos da sociedade organizada, incluindo o Ministério Público, declara guerra à mais temível de todas as drogas


Todos os dias, pelo menos de duas a três famílias procuram o gabinete do Promotor Marcelo Henrique dos Santos, Curador da Saúde, do Idoso e das Fundações, em Anápolis, pedindo socorro para cuidar de pessoas escravizadas pelo crack, a droga que está provocando estragos praticamente irreversíveis na sociedade brasileira. O Promotor diz que, em muitos casos, está requerendo a internação compulsória dos viciados, tamanha é a dor que as famílias demonstram, ao verem seus entes queridos sendo destruídos pelo uso desta droga. Marcelo Henrique diz que faltam recursos, estrutura de pessoal e uma série de outros procedimentos, mas que há, por outro lado, o apoio e a boa vontade de segmentos públicos, organizações não governamentais e vários parceiros, muitos deles, anônimos, na guerra que se trava contra o crack. Foi devido a isso que surgiu a proposta de se criar o Gabinete de Gerenciamento de Crises. Esta entidade vai somar-se ao trabalho já realizado através da ONG Cruzada Pela Dignidade; polícias Civil e Militar, Juizado da Infância e da Juventude e outros setores que trabalham com o mesmo objetivo.
Para o Promotor a ideia das chamadas “cracolândias” (colônias de viciados, a maioria mendigos) não é observada somente nos chamados grandes centros, como Rio e São Paulo. “Aqui entre nós a situação é praticamente a mesma. Só que não ganha notoriedade, por conta do volume de casos, em se comparando com aquelas cidades. Todavia, tem muita gente envolvida nisso, numa espécie de bola de neve que não pára de crescer”, justificou.
O Promotor Marcelo Henrique dos Santos disse que o crack, surgido no Brasil na década de 90, tinha, naquela época, 500 mil usuários. Hoje são milhões e milhões espalhados por todo o País, independentemente do tamanho da cidade. Trata-se de uma droga barata, de efeito imediato e que causa uma dependência avassaladora. “É uma situação de calamidade pública”, alegou o representante do Ministério Público. Ele assegura que a localização de Anápolis, cidade com grande potencial econômico e localizada entre duas capitais (Goiânia e Brasília) oferece facilidades para o desenvolvimento do narcotráfico. Ele diz que o assunto precisa ser encarado com seriedade. “O consumo do crack é uma epidemia. Essas pessoas precisam de tratamento. A internação é o primeiro passo. Mas, cumprido o período de desintoxicação, que vai de 30 a 45 dias, o viciado necessita de acompanhamento social, psicológico e afetivo. Caso contrário, em poucos dias volta a consumir. Esta semana fui procurado por uma mãe pedindo, pelo amor de Deus, para que fosse providenciada uma internação para seu filho, caso contrário ela o mataria, ou, seria morta por ele”, disse o Promotor.
Justiça e polícia
Marcelo Henrique dos Santos, entretanto, diz que, ao lado do trabalho social de recuperação dos viciados, as principais vítimas, é preciso, também, que se busquem forças oficiais para não se dar trégua ao tráfico. “O traficante é um bandido da pior espécie. Ele precisa ser caçado, processado e preso”, alegou o Promotor. Para ele, se for o caso, pode-se trabalhar leis mais severas, mais rigorosas para impedir, ou, pelo menos, inibir a ação do narcotráfico.
O Promotor declarou que “o enfrentamento às drogas é questão de saúde pública e de relevância social. Diante dessa situação, ele elaborou um documento elencando 13 itens que considera fundamentais para um trabalho produtivo no combate às drogas, muito especialmente ao crack:
1 - Parceria entre o CAPS icrescer Transtorno Mental e CAPS AD, haja vista que o CAPS icrescer conta com psiquiatras especializados no tratamento de alcoolismo e drogas, destinado a crianças e adolescentes;
2 - Diagnóstico das instituições (públicas e privadas) que compõem a rede e que prestam atendimento a dependentes químicos, dos pontos de vista quantitativo e qualitativo, a ser realizado pelo Gabinete de Gerenciamento de Crise (gabinete multidisciplinar) e pelo COMAD (Conselho Municipal de Álcool e Drogas);
3 - Necessidade emergencial de reestruturação dos CAPS’, principalmente no que tange à estrutura física, bem como, a inclusão de assistentes sociais e demais profissionais, não apenas afetos à área de saúde;
4 - Estabelecer, por meio do Gabinete de Gerenciamento de Crise, mecanismos sociais de acesso para egressos e suas famílias, no processo de reabilitação de maneira integral;
5 - Cobrar da Administração Municipal a implantação das casas de acolhimento transitório (CAT);
6 - Estimular a criação de entidades sociais privadas representativas;
7 - Capacitação dos profissionais de atenção básica da Rede Municipal de Saúde, como também, da área da Educação, quanto ao esclarecimento da sociedade, em relação aos serviços prestados na área da Saúde Mental e Dependência Química;
8 - Confecção de material informativo e educacional a ser encaminhado às instituições públicas e privadas (ACIA, CDL, SENAI, etc.) com o fim de se promover ampla divulgação dos dispositivos de tratamento e reabilitação existentes no Município;
9 - Elaboração de um programa público para atendimento ao egresso, por meio da instituição de uma bolsa de reabilitação e outros;
10 - Encaminhamento, via Gabinete de Gerenciamento de Crise, ao Programa Qualificar, de egressos de tratamento, com o fim de promover sua qualificação profissional;
11 - Realização de eventos comuns envolvendo o Hospital Espírita de Psiquiatria e todos os CAPS com vistas ao aprimoramento de pessoas em situação de sofrimento mental;
12 - Criação do Selo de Excelência de Acolhimento a ser conferido pela Secretaria Municipal de Saúde, Conselho Municipal de Assistência Social e, Ministério Público, às comunidades terapêuticas a partir de critérios técnicos a serem definidos
13 - Fomento à formação de programas de convênio entre instituição as comunidades terapêuticas e as instituições de ensino superior do Município.

Autor(a): Nilton Pereira

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