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Filha cobra da Prefeitura alimentação para a mãe doente

Geral Comentários 06 de fevereiro de 2015

“Ser humano nenhum vive três meses sem comer, sem se alimentar”, diz, indignada, Eunice Lopes de Lima, filha de Josefa Pontes de Lima. Aos 77 anos, dona Josefa possui Esclerose Lateral Amiotrófica e está há três meses sem receber, por parte da Prefeitura, os produtos para alimentação enteral (por sonda). Secretaria de Saúde alega falta no estoque. Eunice ameaça acionar o Ministério Público.


Josefa Pontes de Lima, 77, trabalhadora rural aposentada, é portadora de Esclerose Lateral Amiotrófica. “É uma doença neurodegenerativa e progressiva. Ela atinge o sistema motor. Então, ela vai perdendo progressivamente os movimentos”, explicou a filha, Eunice Lopes de Lima, 49. “Ela começa, ou do lado direito ou do lado esquerdo. Ou, então, a parte superior ou aparte inferior. No caso da minha mãe, começou nos membros superiores. Ela foi perdendo os movimentos dos braços”, relatou. Josefa perdeu totalmente o movimento dos braços, dos maxilares e a capacidade de falar e engolir (deglutição). E, há aproximadamente duas semanas, não consegue mais caminhar sozinha, dependendo da filha para praticamente todas as atividades diárias.
A mulher começou a manifestar os primeiros sintomas da doença em 2009. De acordo com sua filha, Eunice Lopes, os médicos “falavam que era por causa de um reumatismo, que ela estava perdendo eram tendões”. Em 2013, quando começou a perder a voz, um neurologista foi procurado. Foi quando houve a primeira suspeita de que Josefa Pontes Lima fosse portadora da Esclerose. Naquele ano, ela ainda caminhava, falava e tinha movimentos no braço esquerdo. Por meio de tomografias, ressonâncias magnéticas e outros exames “o diagnóstico foi fechado em fevereiro de 2014”. A família procurou hospitais, laboratórios e clínicas de Anápolis, Goiânia e Brasília, alguns particulares e outros públicos.
Todos os meses são gastos com a mãe em torno de R$ 2.800. Eunice e seus sete irmãos dividem as despesas. Alguns primos, também, oferecem ajuda. A filha conta que procurou a Prefeitura pela primeira vez em junho de 2014. Levou, a pedido da Secretaria Municipal de Saúde, uma receita prescrita por uma nutricionista, contendo “de que forma ela (Josefa) iria se alimentar, qual a quantidade e por quanto tempo. Nesse relatório, veio a quantidade de latas do alimento de que precisava, quantas vezes seria ministrado por dia, qual quantidade”.
Eunice afirmou que, em junho de 2014, ao procurar a Secretaria de Saúde de Anápolis, foi informada que a mãe receberia, apenas, a metade do alimento indicado na receita da nutricionista. Nos meses de junho, julho e agosto, foi esta a quantidade que Josefa recebeu de alimentação enteral. Então, uma nutricionista responsável pelo caso informou que a quantidade não era suficiente para a paciente, “porque ela já tinha perdido doze quilos e continuava emagrecendo”, conforme relatou a filha. E, em setembro de 2014, de acordo com o relato, a Secretaria Municipal de Saúde não forneceu o alimento enteral. Em outubro, a alimentação foi entregue na dosagem correta. Finalmente, em novembro e dezembro do ano passado; janeiro e início de fevereiro de 2015 houve a paralisação total do fornecimento.
Em um relatório do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER - Goiânia), ao qual o Jornal Contexto teve acesso, havia a informação de que a portadora da Esclerose Lateral Amiotrófica não teria condições de se tratar e que o tratamento “era por tempo indeterminado”. O relatório data do dia 25 de setembro de 2014. Receitas apresentadas por Eunice indicavam a quantidade de produtos a serem utilizados pela paciente.

Justificativa
Nas primeiras vezes em que faltou o produto, conforme destacou Eunice, a Secretaria de Saúde alegou problemas no abastecimento. Em novembro e dezembro de 2014, a explicação foi de que “estavam aguardando licitação (dos produtos)”. “Depois, o discurso mudou. A licitação foi feita, mas está aguardando liberação. Agora no mês de janeiro todo, elas esperaram pela entrega. Mas, até hoje”, lamentou. Na quarta-feira, 04 de fevereiro, data em que esta reportagem foi realizada, Eunice e a mãe foram ao CRER, em Goiânia, para uma sessão de fisioterapia. Na volta, procuraram mais uma vez a Secretaria. Os produtos ainda não haviam chegado.

Alimentação por sonda
Conforme demonstrou Eunice Lopes de Lima, sua mãe se alimenta por uma sonda. A senhora de 77 anos precisa comer de três em três horas, fazendo de cinco a seis refeições diariamente. É Eunice quem faz praticamente tudo pela mãe, “vinte e quatro horas por dia”. A nutrição, liquidificada, é preparada com leite de soja e um complemento à base de soja e fibra. São dois tipos de procedimentos realizados para que dona Josefa possa comer. O primeiro, por uma seringa. O alimento industrial, juntamente com frutas e verduras batidas, é ministrado por meio da sonda. Com outra técnica, utilizando-se frascos, a nutrição é inserida por meio de um aparelho.
Atualmente, esta senhora necessita de 17 latas de complemento e 600 ml de leite de soja por dia. São necessárias, diariamente, duas seringas de 60 ml cada: uma para água e outra para alimento, na utilização da sonda. O valor de cada uma é R$ 5,50. “Já vai fechando os três meses e não consegui mais nada”, reclama da falta de fornecimento destes materiais por parte da Secretaria de Saúde. “Essa seringas, também, eram para a Prefeitura fornecer, eles não fornecem”, continuou. Eunice afirmou que a alimentação por meio de seringas, e não com a utilização por frascos, é mais vantajosa e permite uma nutrição mais variada, com frutas e verduras.

Direito ao tratamento
“Eu quero ser atendida no que minha mãe precisa. Porque, tanto minha mãe, como meu pai, como eu, toda vida nós pagamos nossos impostos, cumprimos com nossas obrigações. Então, era hora de a gente ter uma retribuição. Não era hora de estar desse jeito. No dia 21 de fevereiro vão se completar três meses que eu não tenho ajuda nenhuma por parte da Prefeitura”. O pai de Eunice, com 95 anos, mora no Pará. Além dela residem, na mesma casa, em Anápolis, no Bairro Maracanã, seus filhos, Fabrizio, Giovanna e Warlen; mais a dona Josefa.
“Ser humano nenhum vive três meses sem comer, sem se alimentar. É impossível. A pessoa com cinco dias sem comer já está morrendo”, declarou indignada. Para ela, “é má administração e descaso. É falta de tomar uma posição, colocar uma pessoa na administração, principalmente dessa área”. “Porque eu sei que tem muitas crianças que dependem de leite especial. Tem outros idosos que dependem de alimento da mesma forma que a minha mãe depende. Então, isso é má gestão mesmo. Descaso total”, acrescentou. Ela informou que vai acionar o Ministério Público para que a mãe tenha o direito de receber a alimentação enteral por parte da Prefeitura.

Contribuições
A comunidade pode apoiar e ajudar dona Josefa Pontes de Lima, por meio de doações e fornecimento da alimentação enteral. O telefone da filha, Eunice, é o (62) 9268-7382. O Centro de Reabilitação e Readaptação “Henrique Santillo” emprestou para a paciente um aparelho de respiração; cadeira de rodas, cadeira de banho e um Ambu, aparelho para reanimação, em caso de falta de respiração. “Já valeu muito. Foi uma contribuição muito grande”, destacou Eunice. “Qualquer ajuda que vier, para a gente é bem vinda”, afirmou. Até o final desta reportagem, o Jornal Contexto tentou, sem sucesso, entrar em contato com a Secretaria de Saúde para comentar o caso.
Representantes comerciais dos seguintes produtos e pessoas interessadas no caso também podem fazer as doações
Nutrison Soya Multifiber = 17 latas de 800 g.
Nutri Enteral Soya = 17 latas de 800 g.
Isosource Soya = 54 litros
Frasco descartável = 180 unidades
Equipo macrogotas simples = 30 unidades

Autor(a): Felipe Homsi

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