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Febre chikungunya deixa as autoridades em alerta

Saúde Comentários 30 de novembro de 2014

Em Anápolis, não houve ainda nenhum caso confirmado da doença, mas as medidas de prevenção a uma possível epidemia já estão sendo em andamento


O risco iminente de uma epidemia da febre chikungunya, em Goiânia, deixa em alerta autoridades da Secretaria da Saúde (SES) e, também, as cidades vizinhas, como é o caso de Anápolis. Até agora, foram confirmados seis casos da doença na Capital, sendo três importados, ou seja, de pessoas que contraíram o vírus em países do Caribe. A SES investiga se a outra metade pode ter sido infectada em território goiano. O resultado das amostras coletadas, sendo duas de moradores de Goiânia e uma de Anápolis ainda não foram divulgadas oficialmente pela SES/GO. Caso haja confirmação, Goiás será o quinto Estado do País a apresentar autoctonia, ou transmissão interna.
O que mais preocupa, segundo o coordenador de Controle de Dengue da SES/GO, Murilo do Carmo Silva, é o alto índice de transmissão da enfermidade. “De 100 pessoas que têm dengue, de 10 a 15 pessoas manifestam os sintomas. Na chikungunya isso é diferente, há regiões no Caribe onde até 50% da população chega a ser atingida. Na maior epidemia da dengue em Goiás em 2013, 2,5% da população teve a doença. A chikungunya pode chegar a um terço da população do Estado, o que preocupa todas as autoridades seja em nível municipal, estadual ou federal “, compara.
A comparação com a dengue não é mera coincidência. A doença também é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, provoca sintomas semelhantes, como febre alta, dores de cabeça, vômitos, manchas vermelhas na pele, entre outros. Apesar da baixa letalidade em relação à dengue, a chikungunya provoca dores intensas nas articulações e a recuperação pode durar meses. “É uma doença que apresenta uma letalidade muito baixa, um para cada mil, porém é altamente debilitante. A pessoa não consegue fazer as atividades rotineiras. As articulações mais acometidas são as das mãos. Pessoas com sintomas precisam imediatamente procurar uma unidade de saúde e a própria rede assistencial irá identificar os casos”, afirma.

Prevenção
A prevenção da chikungunya é a mesma contra a dengue, ou seja, o combate ao mosquito transmissor. Murilo ressalta que, sozinho, o Poder Público não conseguirá conter o avanço da doença e precisará contar com a parceria da população. “A população tem que evitar criadouros que podem acumular água parada. É necessário dedicar dez minutos por semana para fazer uma vistoria no imóvel”, conclui.
O combate ao mosquito Aedes Aegypt, transmissor da Dengue e da Febre Chikungunya, será intensificado nos municípios de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Luziânia, Novo Gama, Cidade Ocidental e Valparaíso, por meio de ações realizadas pelos municípios, sob orientação e com apoio logístico da Superintendência de Vigilância em Saúde (Suvisa), da Secretaria de Estado da Saúde, e das Regionais de Saúde.
A proposta é a criação de equipes pilotos (uma em cada município) para que as ações de combate ao vetor sejam realizadas de forma integrada entre os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e os Agentes de Combate a Endemias (ACE). Ambos já realizam visitas domiciliares e os ACS passarão a observar e a identificar criadouros nos locais visitados, orientando e auxiliando os proprietários ou responsáveis para eliminar corretamente os focos. As situações em que os ACS verificarem a necessidade do uso de larvicidas (aqueles focos que não conseguirem eliminar), deverão ser encaminhadas aos ACE, que darão total apoio aos ACS, fazendo as intervenções necessárias.
Além dessas questões operacionais, serão incluídos os trabalhos educativos e mobilização da população, levando em consideração o perfil e a infestação dessas áreas. O objetivo é reunir as ações práticas com ações educativas para serem obtidos resultados de longa duração. Com o reforço das ações educativas, pode-se garantir ações mais planejadas e de realização continuada.
Após realizado esse trabalho piloto, municípios e Estado farão um balanço das ações para elaborarem um plano de expansão desse trabalho integrado, respeitando a realidade de cada município. Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Luziânia, Novo Gama, Cidade Ocidental e Valparaíso concentram 58% dos casos de Dengue no Estado, enquanto representam 43% da população. Esses municípios indicarão uma área (bairros e microáreas), para realização dos trabalhos de inspeção domiciliar, com o apoio e orientação de técnicos da Suvisa e da Regional de Saúde.

A situação em Anápolis
O médico infectologista Marcelo Cecílio Daher, diretor da Unidade de Saúde “Illion Fleury” (antiga Osego), que é especialista nesta área, informou que não há ainda, na Secretaria Municipal de Saúde, nenhuma confirmação de caso da febre chikungunya, em Anápolis. Por outro lado, ele informou que a Pasta está realizando a capacitação de pessoal para o trabalho com a doença, seja na parte de prevenção, seja em relação ao atendimento de pacientes.
Sobre a ação conjunta que está sendo proposta pela Secretaria Estadual da Saúde, Marcelo Daher enfatizou que ela é muito bem vinda, mas tem de ser imediata. “Não adianta esperar a epidemia começar”, disse, acrescentando: “Já estamos atentos a estes fatos e nos movendo, não podemos esperar a morosidade do Estado para agir”.
A Secretaria Municipal de Saúde informou também que, no dia 10 próximo, será deflagrada uma grande ação para combater o mosquito Aedes aegypti, que é o vetor de três doenças: dengue, febre amarela e a febre chikungunya. A Pasta destacou que é feito um trabalho permanente, com apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Mas, a intenção é ampliar as atividades a partir do mês de dezembro, tendo em vista o início do período chuvoso.

Origem
A febre chikungunya tem origem africana. Esse nome diferente vem da palavram em Makonde, que são um povo da África oriental, que habita três planaltos do norte de Moçambique e sul da Tanzânia, que significa “doença do andar curvado” ou “aqueles que se dobram” devido ao fato da aparência encurvada dos doentes por causa da artralgia intensa (dores articulares intensas). (Com informações das secretarias estadual e municipal de Saúde)


Medidas de combate
- Não deixar água parada em pneus fora de uso. O ideal é fazer furos nestes pneus para evitar o acúmulo de água;
- Não deixar água acumulada sobre a laje de sua residência;
- Não deixar a água parada nas calhas da residência;
- Remover folhas, galhos ou qualquer material que impeça a circulação da água;
- A vasilha que fica abaixo dos vasos de plantas não pode ter água parada. Deixar estas vasilhas sempre secas ou cobri-las com areia;
- Caixas de água devem ser limpas constantemente e mantidas sempre fechadas e bem vedadas. O mesmo vale para poços artesianos ou qualquer outro tipo de reservatório de água;
- Vasilhas que servem para animais (gatos, cachorros) beber água não devem ficar mais do que um dia com a água sem trocar;
- As piscinas devem ter tratamento de água com cloro (sempre na quantidade recomendada). Piscinas não utilizadas devem ser desativadas (retirar toda água) e permanecer sempre secas;
- Garrafas ou outros recipientes semelhantes (latas, vasilhas, copos) devem ser armazenados em locais cobertos e sempre de cabeça para baixo. Se não forem usados, devem ser embrulhados em sacos e descartados no lixo (fechado);
- Não descartar lixo em terrenos baldios e manter a lata de lixo sempre bem fechada;
- As bromélias costumam acumular água entre suas folhas. Para evitar a reprodução do mosquito, o ideal é regar esta planta com uma mistura de 1 litro de água e uma colher de água sanitária;
- Sempre que observar alguma situação (que você não possa resolver), avisar imediatamente um agente público de saúde para que uma medida eficaz seja tomada.

Autor(a): Da Redação

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