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Ex-paciente da APAE dá exemplo e entra para a universidade

Cidade Comentários 07 de fevereiro de 2014

Márcia Rodovalho, que sofre de hidrocefalia, uma redução da capacidade do cérebro, vai cursar Letras na UEG


A ex-paciente do Ambulatório Multidisciplinar Especializado da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais-APAE Anápolis, Márcia de Souza Rodovalho, 21, foi aprovada no vestibular para o curso de Letras da Universidade Estadual de Goiás, campus Jundiaí.
Márcia nasceu com hidrocefalia, que é um acúmulo excessivo de fluído, líquido cefalorraquidiano dentro dos ventrículos, espaços no cérebro ou do espaço subaracnóide. Pessoas que têm hidrocefalia podem apresentar problemas de aprendizagem, geralmente associados com dificuldades de concentração, de raciocínio lógico, memória curta, problemas de coordenação, de localização no tempo e no espaço, puberdade precoce, dentre outros.
Somente 20% do cérebro da jovem não foi afetado pela doença, o que caracterizava seu caso como gravíssimo, fazendo com que suas chances de vida fossem de apenas 10%, como explica o neurocirurgião Paulo César Francisco, que acompanha o caso de Márcia desde seu nascimento. “A Márcia nasceu prematura com uma quantidade pequena de tecido cerebral, o que é considerado uma genesia, a não formação de uma parte importante desse tecido, e foi submetida a uma série de cirurgias”, explica. Alguns médicos disseram a Norys Rodovalho, mãe de Márcia, que sua filha tendia a viver em estado vegetativo, o que não aconteceu.
Por meio das cirurgias pelas quais passou ainda criança e tratamentos médico e psicológico, boa parte recebidos na APAE Anápolis, o quadro clínico da paciente melhorou espantosamente. “Casos como o da Márcia são raros e surpreendentes, por se tratar de um quadro clínico bastante agravado que apresentou uma evolução inesperada”, avalia o neurocirurgião.
Lilliã Duarte Campos, atual coordenadora do Ambulatório Multidisciplinar Especializado da APAE Anápolis, conta que, quando criança, Márcia passou pelo Programa de Estimulação Precoce da instituição, sendo assistida por uma equipe multidisciplinar de profissionais da área da saúde. “O programa visa proporcionar às crianças em seus primeiros anos de vida experiências que possibilitem o desenvolvimento de suas potencialidades”, diz.
No entanto, a coordenadora alerta que a totalidade dos atendimentos e a continuidade potencializam o tratamento permitindo uma melhor evolução dos pacientes, como aconteceu com Márcia. “O caso da Márcia é a concretização do trabalho realizado pela equipe multidisciplinar da APAE e, para os pais, um incentivo para seguirem as orientações especializadas e persistirem no tratamento deles”, avalia.
Norys sempre buscou incentivar a filha nos estudos. “Os profissionais da APAE me instruíram a matriculá-la no ensino regular com as outras crianças porque ela apresentava capacidade para aprender e conviver juntamente com eles”, conta. A aprovação da filha no vestibular é uma vitória e motivo de orgulho para a família. “Há alguns anos não imaginaria que minha filha chegaria aonde chegou. A universidade, no processo da matrícula, tem sido bastante receptiva, e sei que ela estará convivendo nesses próximos anos com pessoas da idade dela, interagindo e cumprindo também seu papel social. Estamos muito felizes!”, comemora.
No campus da UEG no Bairro Jundiaí, em Anápolis, Márcia será a primeira aluna com deficiência intelectual. “Quando soube desse dado fiquei surpresa”, conta a mãe de Márcia, “os pais precisam estimular seus filhos para que se desenvolvam ao máximo dentro de suas limitações”.
O coordenador do curso de Letras da UEG em Anápolis, Ewerton de Freitas, diz que no universo acadêmico muitos são os desafios e que a universidade está se preparando para receber a aluna da melhor maneira. “Há um órgão na Universidade destinado a receber as pessoas que apresentam alguma deficiência e iremos ofertar esse apoio à aluna, juntamente com a capacitação de professores que já, dentro de seus mestrados, seguem a linha de pesquisa sobre educação inclusiva”, explica o coordenador.
Por causa da hidrocefalia que apresenta, Márcia tem dificuldade com raciocínio lógico e assimilação de localização no tempo e no espaço. No entanto, com o universo das palavras a jovem tem bastante facilidade. “Sempre gostei muito de ler. Já li livros de autores como Dan Brown, Gabriel Garcia Marquez e muitos outros”, conta a jovem que também é apaixonada pela escrita, tanto que, motivada pelo Dr. Paulo César, está escrevendo sua autobiografia.
“A minha intenção, enquanto médico, é colocá-la numa convivência social normal. Não adianta eu fazer uma cirurgia e ela não ter isso. Quero que ela, como todos meus pacientes, tenha qualidade de vida, estando formada, com seu livro escrito, interagindo normalmente com todas as pessoas. Esse também é um papel fundamental de qualquer médico na vida de seus pacientes”, expõe o neurocirurgião.
Márcia ainda não tem uma data prevista para terminar seu livro, mas tem convicção quanto ao seu objetivo. “Quando meu livro estiver pronto pretendo, através da minha história de vida, motivar as pessoas a buscarem seus sonhos, superando suas limitações”, conclui.

Autor(a): Carol Evangelista

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