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Eurípedes Junqueira: Uma vida dedicada a Anápolis

Especial Comentários 13 de dezembro de 2014

Nas comemorações de seus dez anos de funcionamento ininterrupto, o Jornal Contexto inaugura um novo projeto editorial. Periodicamente, traremos reportagens especiais sobre pessoas e/ou instituições que participara ou participam, efetivamente, do desenvolvimento socioeconômico de Anápolis. A primeira reportagem especial foi feita com o professor; político; filantropo; maçom, tabelião e rotariano Eurípedes Barsanulfo Junqueira, com uma das mais extensas folhas de serviços prestados à comunidade de Anápolis e de Goiás.


Professor, de onde surgiram os Junqueira em Anápolis? Sabemos que vários membros de sua família tiveram destacada atuação na vida da Cidade através de décadas.
O meu pai veio (de onde?)para Goiás na década de 20. Instalou-se na região de Inhumas, depois Nova Veneza, Nerópolis e Anápolis. Em 1945, o primeiro Junqueira que veio para Anápolis foi o meu irmão, Sebastião Pedro Junqueira. Ele foi industrial, político, vereador e jornalista. Fundou o Jornal Tribuna de Anápolis, atuou na Rádio Cultura e, depois, foi diretor dos Diários Associados em Goiás. Eu vim, em 1947, para estudar no Colégio “Couto Magalhães”.

Com quase 81 anos de idade, o senhor sempre participou dos mais variados acontecimentos políticos e sociais de Anápolis. De onde vem tanta energia para servir à comunidade?
Eu sempre tive muito desejo de participar. Em 1955, em razão da minha militância estudantil, fui convidado pelo prefeito Carlos de Pina para dirigir o Departamento de Água de Anápolis. Depois, ele me levou para ser seu secretário. Naquele tempo não havia vice-prefeito. Quando o Prefeito Carlos de Pina se ausentava, por até quinze dias, eu assumia a Prefeitura. Assumi duas ou três vezes. Carlos de Pina foi um homem de bem, um homem que fez muito por Anápolis. O primeiro asfalto de Anápolis foi feito por ele. Eu devo a Carlos de Pina o meu ingresso na vida política, onde militei até 1982.

O senhor foi secretário em quatro administrações municipais: nos governos Carlos de Pina; Hely Alves Ferreira, Jonas Duarte e Raul Balduíno. Que lembranças, que curiosidades o senhor traz daquela época?
Tenho muita saudade daquele tempo. O professor Hely Alves Ferreira foi eleito para um mandato de dois anos, em substituição a Carlos de Pina. Era um homem muito aberto, jocoso. Mas, não foi feliz na sua administração. Principalmente, por falta de recursos. A Prefeitura arrecadava muito mal. As despesas muito grandes. E, o fato pitoresco de toda a minha história na Prefeitura, como secretário, foi que, no governo do professor Hely Alves Ferreira, havia em Goiás um deputado chamado Anísio Rocha. Ele conseguiu uma ajuda para a Prefeitura de Anápolis de Cr$ 1 milhão (hum milhão de cruzeiros), na época. O prefeito Hely Alves adoeceu e se internou no Hospital Evangélico. O vice-prefeito era o doutor Bonfim D’Abadia. Com a internação do professor Hely, o Bonfim assumiu. Aí, o deputado Anísio Rocha anunciou a sua vinda a Anápolis para trazer o dinheiro. Fizemos uma festa muito grande e o Bonfim pegou o pacote de dinheiro, e foi guardar no cofre do seu hospital (Hospital Nossa Senhora de Lourdes - hoje desativado). Esse foi o erro dele. A Prefeitura tinha o seu tesoureiro, mas este não contava com a simpatia do Doutor Bonfim. Então, os políticos, os vereadores se movimentaram, foram atrás do professor Hely. Ele conseguiu uma alta extraordinária no Hospital, voltou e reassumiu o cargo. Então, fomos nós, buscar o dinheiro lá no hospital. Foi uma procissão ali na Praça do Bom Jesus, com gente carregando o dinheiro do hospital para a Prefeitura. O coitado do Doutor Bonfim tinha o seu sistema de viver, a sua personalidade. Ele achou que o dinheiro ficando lá na Prefeitura, iria desaparecer em pagamento de dívidas. Ele não queria isso. Queria fazer alguma coisa. Mas, com isso, perdeu a oportunidade de continuar como prefeito.

O senhor foi secretário de Administração no governo Leonino Caiado e Procurador de Justiça no governo Ary Valadão. O que representou para Anápolis a sua presença nesses governos?
Eu nunca fui um político muito atuante. E, vamos ser sinceros, de expressão. Procurei, sempre, ser um servidor dedicado. Eu estava ainda no gabinete do Raul Balduíno, quando o Otávio Lage me convidou para trabalhar no Governo do Estado. Fui servir na CASEGO (Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Goiás). No Governo, aproximei-me do Edenval Caiado que foi um grande amigo meu. Eleito o Leonino para substituir o governador Otávio Lage, no segundo ano o Edenval me indicou ao Leonino para ser o seu secretário da Administração. Lá eu fiquei dois anos. Aí veio a decretação de área de segurança nacional em Anápolis.

Mas, antes disso, professor, o senhor disputou uma eleição para prefeito e perdeu. Foi contra o José Batista Júnior, sim?
Perdi a eleição, em 72. Na realidade, eu era muito amigo do José Batista. Sou até hoje. Nós lecionávamos no mesmo colégio. E, tínhamos a aproximação maçônica. Então, o Henrique Santillo lançou o José Batista, que era o seu vice-prefeito e a arena me lançou, com o apoio do governador Leonino Caiado. Eu perdi a eleição. Logo depois houve a intervenção, considerando Anápolis área de interesse da segurança nacional e cassando o José Batista que perdeu os direitos políticos. Cogitaram me trazer, logo de imediato, para a Prefeitura. Mas, aí, seria uma afronta ao eleitorado, que me derrotara. Eu era secretário da administração do Governo e o Irapuan (Costa Júnior) presidente da CELG. Então, o Irapuan foi escolhido prefeito. Depois, ele se afastou para se preparar para ser governador. O Leonino me mandou para substituí-lo como prefeito. O certo é que o destino encaminhou tudo sem que eu pleiteasse a prefeitura de Anápolis.

Como o senhor disse, o destino, pelas mãos do governo militar, o nomeou prefeito de Anápolis para os anos 74 e 75. Quais foram os marcos de sua administração?
Foi a implantação do Espaço Cultural (hoje sede da Prefeitura). E, o início dos trabalhos de duplicação da Avenida Brasil Sul, da Avenida Presidente Kennedy e mais a Avenida Mato Grosso chegando até à rodovia. Não houve tempo para concluir tudo. O prazo foi pequeno. Ao assumir o governo do Estado no lugar do Leonino, o Irapuan mandou o Jamel Cecílio para me substituir. Anos depois veio o Wolney Martins e concluiu o projeto que, hoje, é o Centro Administrativo, a Prefeitura.

Como o senhor vê a Anápolis de hoje? Se fosse prefeito, o que faria para melhorar ainda mais a Cidade?
O desenvolvimento de Anápolis foi exuberante, extraordinário. Hoje eu acho que eu teria muita dificuldade para acompanhar o ritmo da iniciativa privada. O grande impulso da cidade foi o DAIA que surgiu no Governo do Leonino Caiado quando eu era prefeito. E, Anápolis teve a felicidade de ter o Irapuan no governo do Estado. Ele dinamizou o DAIA, inegavelmente, o polo maior de desenvolvimento do nosso município.

O senhor foi professor e diretor do Colégio Estadual “José Ludovico de Almeida”, um colégio de muitas histórias. Vários líderes de Anápolis e de Goiás estudaram nele. Na sua visão o que mudou no ensino público do seu tempo para hoje?
Ah, mudou muito, muito. Naquele tempo, o professor era muito respeitado. Os alunos viam nele, além de um amigo, um mestre. Os professores tinham o cuidado de se dedicar, profundamente, à causa, principalmente à Educação Moral e Cívica que, hoje, desapareceu do currículo escolar. Nós tínhamos o horário certo para ministrar as aulas devidamente preparadas. Havia um diálogo muito respeitoso entre professor, aluno e, até, a família do estudante. Hoje eu acredito que isso não esteja existindo mais.

Como e quando surgiu o tabelião Eurípedes Junqueira, a atividade que, ainda hoje, o senhor exerce?
Foi no governo do Otávio Lage. Surgiu um concurso público, eu fiz e fui nomeado. Depois, os meus ferrenhos adversários políticos tentaram anular a minha nomeação. Éramos, apenas, três candidatos. Eu, uma funcionária do Tribunal de Justiça, Darci Carrijo, e o Genserico (Barbo de Siqueira). A Darci tirou em primeiro lugar, o Genserico em segundo, e eu em terceiro. Naquela época, eu contestei a classificação, mas é que havia um interesse político. O governador tinha o poder de escolher um entre os três primeiros colocados. Eu era auxiliar do governo Otavio Lage, trabalhava na CASEGO. Então, ele me nomeou. E esta contestação feita pela Darci foi até ao Supremo Tribunal Federal. E, o Supremo manteve a minha nomeação. A Darci foi aproveitada na segunda vaga, com a abertura de outro cartório. E eu estou aí até hoje.

O senhor é um dos mais respeitáveis maçons do Brasil. É Grão Mestre do Grande Oriente no Estado e Ministro do Supremo Tribunal de Justiça Maçônica, em nível nacional. O que representa tudo isso?
Eu fui iniciado maçom, aqui em Anápolis, em 1958. Dediquei-me, como sempre me dedico a todas as atividades para as quais sou convocado. Então, eu queria deixar registrada a minha passagem. Ali onde tem hoje o Edifício Lealdade, era um Templo Maçônico, um prédio muito antigo, de dois pavimentos, cujas estruturas eram de aroeira. Madeira. Naquele tempo não existia concreto. Então, o venerável Valdemar Borges de Almeida, quando tínhamos uma reunião com mais pessoas, falava: “Olha, isso aqui está um perigo. Qualquer hora isso pode desabar e matar muita gente”. Eu fiquei impressionado com aquilo. Então, falei: ‘vamos construir um prédio, vamos desmanchar isso aqui’. Assim sendo, construímos aquilo lá. Ganhamos aquele templo e os salões, com o compromisso de ceder o terreno e vender em torno de dez apartamentos. Depois, fui nomeado para o Superior Tribunal Eleitoral Maçônico. Exerci a função por mais um ano. Hoje sou, apenas, um obreiro da arte real, visitando, com muita precariedade, as sessões maçônicas.

O senhor chegou, também, ao mais alto cargo do Rotary Internacional no Distrito 4530, que compreende os Estados de Goiás, Brasília e Tocantins. O que significa o Rotary para o senhor?
O Rotary foi fundado em Anápolis em 1941, pelo Geraldo Rodrigues dos Santos e pelo doutor Luiz Caiado de Godoi. E, aqui, eles se juntaram ao Achiles de Pina, que era o líder da comunidade e ao Jonas Duarte (ex-prefeito). A nata da comunidade da época passou a formar o clube, com cerca de 20 companheiros. E, de 1941 para cá, o clube cresceu. Anápolis conseguiu eleger oito governadores de Rotary. O primeiro foi o Sócrates Diniz, que foi prefeito, deputado federal e senador. Depois dele, vieram o Odorico Leão; o Geraldo Rosa; o médico Ivan Roriz; o Bill (William) O’Dwyer, eu e, por último, o empresário Moacir Lázaro de Melo. São sete. No próximo ano teremos a oitava, a odontóloga Vera Lúcia Ribeiro.

O currículo do senhor parece não ter fim. Foi dirigente de várias instituições públicas e privadas. Uma vida agitada, com tantos compromissos, não interferiu de maneira negativa no convívio com a família?
Não, porque minha mulher e os meus filhos sempre me acompanharam. Eles sempre estiveram presentes comigo.

Para terminar, professor, o que o senhor espera de Anápolis de agora em diante? Que futuro o senhor enxerga para nossa Cidade?
Olha, eu gostaria de ter mais um horizonte para acompanhar este desenvolvimento. Anápolis é ainda uma cidade, para mim, muito jovem. E, o jovem avança para o futuro. Anápolis, esta cidade que, hoje, tem na sua população mais jovem, o fulgor de um ideal de progredir e de crescer. Então, esse fulgor que impera no seio da nossa comunidade, com essas instituições comerciais, instituições industriais e o desejo dos homens que as dirigem, Anápolis tem um horizonte muito amplo para crescer. Esta Cidade vai ser uma segunda São Paulo para o Estado de Goiás. Outro fator importante, eu acho que pouca gente pensa nisso, é o desenvolvimento cultural da população. Veja você, quantas faculdades temos em Anápolis. Quantos jovens pululam suas salas de aula. Quantas pessoas de outras cidades estão aqui para aprimorarem o seu intelecto e alcançarem uma formação profissional. Juntando o desenvolvimento cultural com o desenvolvimento industrial, eu acho que são as alavancas extraordinárias para o nosso futuro melhor. Se me permite, eu vou te dar um exemplo: você foi um garoto que lutou pela vida. Caminhou, venceu dias e noites, venceu meses e anos. E, hoje, está aqui com o seu próprio empreendimento. Com as suas ideias, transmitidas através do seu jornal, toda semana você dá um impulso ao nosso desenvolvimento. Você dá uma cutucada em cada um daqueles que estão lá de braços cruzados. Porque você trabalha, dia e noite, pensando, não só no crescimento de suas empresas, mas, no desenvolvimento de Anápolis. Porque, do desenvolvimento de Anápolis, depende o desenvolvimento da sua empresa e o seu próprio desenvolvimento pessoal. Você, Vander Lúcio, é um grande cidadão que se preocupa com Anápolis e sua gente.

Autor(a): Vander Lúcio Barbosa

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