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Estudantes acampados em Escolas Estaduais dizem que não vão sair

Geral Comentários 18 de dezembro de 2015

Os alunos são contra a transferência da administração dos Colégios para as Organizações Sociais


Seis escolas estaduais de Anápolis estão ocupadas por alunos que fazem parte de um movimento que é contra a transferência da gestão escolar estadual para as organizações sociais, conhecidas como OSs. A maioria está há uma semana nos pátios e salas de aulas, comendo e dormindo dentro dos prédios escolares. O movimento começou em Goiânia e, rapidamente, se espalhou pelo interior do Estado, ganhando apoio de professores e da comunidade. A estimativa é de que 19 escolas estejam ocupadas pelos estudantes.
Um aluno, que não quis se identificar, diz que não haverá desocupação, enquanto não houver uma solução para o problema. “Nós vamos ficar aqui até quando for preciso. Porque não queremos que o poder administrativo da escola fique nas mãos da iniciativa privada”, afirma. Ele e outros 30 alunos do Colégio Estadual “José Ludovico de Almeida” são firmes em afirmar que não vão aceitar nenhuma imposição do Governo. “Nós sabemos dos nossos direitos e queremos ser ouvidos”, diz um dos alunos.
Estudante do terceiro ano do Ensino Médio, do Colégio Polivalente “Frei João Batista”, Reginaldo Rodrigues de Oliveira Neto, afirma que, até hoje, não houve nenhuma tentativa de diálogo por parte do Governo do Estado. “Veio um representante das OSs aqui, o senhor Marcos das Neves, mas não houve diálogo e sim um monólogo. Ele falou como vai ser a implantação da OS, que o projeto não é o que estamos pensando, que tudo vai ocorrer às mil maravilhas, mas não ouviu a gente, simplesmente falou”, reclama. Reginaldo considera que a atitude do Governo seja “contra a democracia”. “Fizeram tudo por debaixo dos panos, não passaram para a população e decidiram tudo de uma hora pra outra”, diz.
Apoio dos professores
O movimento ganhou apoio dos professores da Rede Estadual de Ensino. No Colégio Polivalente “Frei João Batista”, eles se reuniram com os estudantes para falar sobre a legalidade da mudança. Advogado e apoiador da causa, o professor universitário Áquila Pinheiro diz que a implantação de OSs não é ilegal, desde que comprovada a incompetência da gestão pública. “Isso que o Governador está fazendo é arbitrário, porque no caso do Colégio Polivalente mesmo, a escola ganhou nota máxima no IDEB. E isso acontece em várias outras escolas do Estado”, diz.
Enquanto estavam reunidos, um funcionário da SANEAGO chegou para cumprir a determinação de cortar o fornecimento de água do Colégio. Segundo o funcionário, a ordem veio da Secretaria Estadual de Educação. “Isso é totalmente ilegal. É preciso uma ordem judicial para ocorrer o corte de água ou energia”, afirma o advogado.
O professor de sociologia Sérgio Inácio é enfático no que diz respeito à mudança de gestão. “Quando nós falamos em gestão, a Lei de Diretrizes e Bases é bem clara e prevê uma gestão democrática, com participação de toda a sociedade. O Governo faz a parte dele e professores, alunos e pais precisam ser ouvidos. E, isso, não vai mais ocorrer. Acreditamos que os professores têm a capacidade de gerir e administrar a escola”, afirma.
Ele diz, também, que não houve nenhuma explicação ou diálogo sobre como vão funcionar as OSs. “Nós conhecemos bibliografias que comprovam que OSs não deram certo em vários países. Então, por que vamos querer uma OS aqui? A educação é uma questão social, é um direito social e você não pode transformar uma questão social em comércio”, diz.
José Santana da Silva, professor de História da UEG, acredita que se prevalecer o projeto de mudança administrativa nas escolas estaduais, é possível que isso chegue à UEG. “Com certeza ele vai estender essa péssima experiência para a UEG. Então, essa é uma das razões de dar apoio ao movimento”, diz.
Além disso, José Santana acredita que a qualidade de ensino, também, será afetada. “À medida que vai substituindo os professores efetivos, à medida que eles vão se aposentando e vão sendo substituídos por professores mal remunerados, talvez menos preparados, é claro que afeta a qualidade de ensino”, afirma.
Resposta
A secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte, informou através de nota que a gestão compartilhada, com participação de Organizações Sociais, não vai alterar os direitos trabalhistas de professores. E que manterá a autonomia das escolas e garantirá um ensino público, gratuito e de qualidade para os alunos da rede. A proposta do Governo de Goiás é implantar a gestão compartilhada com Organizações Sociais em 200 das 1.081 escolas da rede estadual.
“A responsabilidade pela educação continuará sendo do Estado, mas, as OSs poderão, sob a inteira supervisão e autorização da SEDUCE, colaborar com a operação de parte da rede escolar, possibilitando, inclusive, que a secretaria se concentre, cada vez mais, na melhoria da qualidade da política educacional a ser implementada nas escolas com e sem parceria”, afirma a secretária de educação, Raquel Teixeira.
Sobre o corte de água no Colégio Polivalente, a reportagem procurou a SANEAGO, no final da tarde de quinta-feira,17. Mas, de acordo com a assessoria de imprensa da estatal, não houve tempo suficiente para que fosse acionado o departamento responsável para dar as devidas explicações.

Autor(a): Ana Cláudia Oliveira

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