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“Estamos abalados, não dá para entender o que aconteceu”, diz pai

Geral Comentários 21 de fevereiro de 2013

Sebastião relata como eram as crianças que foram mortas num crime que deixou a cidade consternada e chocada


A vigilante Paula Duarte, sobrinha de Valdelina, foi uma dos primeiros parentes da família das vítimas a chegar ao local da chacina do Bairro Novo Paraíso. Ela conta que, por volta das 6 horas, uma vizinha ouviu um grito na casa e ligou para o sogro dela. Quando o homem chegou até a casa, Rogério ouviu o barulho e fugiu, trajando apenas cueca. Paula acredita que, no momento em que o sogro chegou, o assassino estava terminando de jogar o último corpo na fossa da casa.
A delegada que está investigando o crime, Marisleide Santos, titular do Grupo de Investigação de Homicídios de Anápolis, disse que o crime ocorreu por volta de 5h30min. Na manhã da segunda-feira, Rogério foi encontrado, por meio de buscas do helicóptero da PM, em um matagal próximo ao local onde tudo aconteceu. Ao ser preso Rogério confessou ter matado a avó e os irmãos e alegou não se lembrar do momento em que o fato aconteceu, pois estava muito bêbado e drogado.
De acordo com a PM, o suspeito é um conhecido usuário de drogas em Anápolis e com várias passagens pela polícia, inclusive por agressões a parentes. Há nove meses o assassino estava preso por envolvimento com o tráfico e só conseguiu sair da cadeia graças ao esforço da avó (uma de suas vítimas) que fez um empréstimo a fim de retirar o neto dali.
O crime, que comoveu a cidade, abalou toda a família que não consegue entender o motivo de tamanha violência. Segundo Sebastião da Silva, 51, pai dos jovens assassinados e padrasto do autor do assassinato de seus filhos, três de seus seis filhos estavam com a avó, justamente para evitar problemas com Rogério. “Todos nós, tanto eu, quanto a mãe dele, evitávamos o convívio com ele (Rogério), que nem gosto mais de mencionar o nome, desde quando ele começou a se envolver com coisas erradas e fazer constantes ameaças às crianças”, conta.
Rogério, que foi criado com a avó, era usuário de crack e desde muito cedo se envolveu nessa realidade, segundo relatos. “Meus outros filhos estão inconformados com o que aconteceu e minha esposa encontra-se em estado de choque. Não existe explicação para isso que aconteceu. Não gosto nem de tentar entender”, revela Sebastião.
O pai, que é auxiliar de serviços gerais, se comove ao lembrar dos filhos brutalmente assassinados. “Todos eles eram bons meninos, não gostavam de ficar na rua. Foram educados a ir de casa para a escola e da escola para casa”, diz.
Romário, um dos jovens assassinados, estava no quinto ano da escola e sonhava em ser jogador de futebol. Era conhecido como um menino tímido, obediente e educado. “Meu filho adorava jogar bola”, lembra o pai.
Rosana, também estava no quinto ano e é lembrada como uma menina calma e estudiosa. “Rosana tinha o sonho de ser salva-vidas ou entrar para o corpo de bombeiros e salvar muitas vidas. Esse era o grande sonho da minha filha”, lamenta.
A avó dos meninos, Dona Valdelina, era uma mulher altruísta, que gostava de ajudar o próximo. O que se constatou no fato de fazer um empréstimo para tirar o neto Rogério da cadeia.
Róger, que sobreviveu a chacina, está internado em estado gravíssimo na unidade de tratamento intensivo do Hospital Evangélico de Anápolis. A criança levou vários golpes na parte de trás da cabeça, o que fez com que fragmentos do crânio se espalhassem pelo cérebro. Róger já passou por duas cirurgias, sendo uma para reconstituir o crânio e outra para a drenagem de um coágulo. A temperatura do corpo é mantida com ajuda de remédios. O garoto respira com a ajuda de aparelhos e está em coma induzido.
Sebastião descreve o filho Róger como um menino de ouro. “Ele é muito inteligente, está no segundo ano primário. Também gosta de jogar futebol”, relata. O auxiliar de serviços gerais conta que a situação está difícil. “Além de tudo o que está acontecendo, não temos de onde tirar dinheiro”, fala.
O pastor Adeilson, da Igreja Evangelho Quadrangular, está acompanhando a família e os têm auxiliado em tudo que está sendo necessário. “Colocamos uma psicóloga e uma terapeuta a disposição da família para assim que puderem recebê-las em casa, terem um acompanhamento especial”, informa. De acordo com o pastor roupas, auxílio em dinheiro e cestas-básicas também foram providenciadas para a família.
Sebastião, casado há mais de 18 anos com Rosa, mãe de Rogério e dos outros filhos que teve com Sebastião, diz que todos estão desolados com o acontecimento. “A sensação foi de morte. Morri junto com todos eles. Mas Deus nos dará força e tomará conta dessa situação”, conclui.
Sem vagas no presídio de Anápolis, Rogério Lopes foi encaminhado à Delegacia Regional, localizada no Centro da Cidade. De acordo com a titular do Grupo de Homicídios, ele ficará à disposição do Poder Judiciário até que haja uma vaga disponível para que seja feita a transferência.

Autor(a): Carol Evangelista

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