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Especialistas dizem que urna eletrônica tem falhas

Política Comentários 18 de outubro de 2013

Assunto foi debatido, esta semana, no Senado Federal e divide a opinião das lideranças política nacionais


A urna eletrônica tem falhas que permitem ataques e manipulações de dados, disseram especialistas em segurança digital ouvidos pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado Federal. Para eles, o voto impresso poderia aumentar a segurança das eleições. Ressalte-se que o voto impresso, a partir das eleições de 2014, foi estabelecido em mudança na lei eleitoral sancionada em 2009. A previsão está suspensa desde 2011 por decisão liminar - ou seja, provisória - do Supremo Tribunal Federal, e um projeto em análise no Senado propõe que a impressão do comprovante pela urna eletrônica seja abolida de vez.
Especialistas ouvidos a pedido do relator da proposta, senador João Capiberibe (PSB-AP), apontaram falhas na urna eletrônica e defenderam o voto impresso como uma medida eficiente para combater fraudes. Pedro de Rezende, professor de Matemática e Criptologia da Universidade de Brasília, explicou que a urna eletrônica foi um avanço, mas o Brasil parou na primeira geração, enquanto já existe a terceira, que permite auditoria de todos os votos contabilizados.
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Outro especialista ouvido, Amílcar Brunazo Filho, moderador do Fórum do Voto Seguro na Internet, negou que a introdução do voto impresso vá tornar as eleições mais demoradas. Para ele, “O voto impresso já vem sendo usado na Argentina, no México e na Venezuela. O Peru está testando, a Bélgica e os Estados Unidos usam o voto escaneado, não impresso, mas é equivalente. E, todos eles apresentam resultados rapidamente. Não tem nada dessa história de que vai demorar, que vai atrasar, que vai dar problema” afirmou Amílcar Filho.
Já, Diego Aranha, também professor de Ciências da Computação da UnB, coordenou testes públicos do software de segurança do Tribunal Superior Eleitoral. E alertou para vulnerabilidades que ele considera “infantis” no sistema, as quais permitem até identificar em quem o eleitor votou.
“Se alguém consegue monitorar a ordem que os eleitores votam e ele é capaz de recuperar os votos em ordem após a eleição, apenas examinando informação que não é privilegiada, informação pública, consegue correlacionar exatamente quem votou em quem. Essa fraude do sigilo do voto obviamente permite, não é?, o retorno de uma versão digital do que a gente chama de voto de cabresto no Brasil” - observou Diego Aranha.
O deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que foi o autor do projeto quando era senador, compareceu à audiência e classificou como certa paranoia essa questão da urna eletrônica. “Esses mesmos problemas que são apontados, de criptografia, existem no Imposto de Renda eletrônico, que é feito pela internet. Quer dizer, o que nós temos que fazer é evoluir, sim. Mas, evoluir na segurança, evoluir no tipo de criptografia” afirmou Eduardo Azeredo.
O senador João Capiberibe, no entanto, está convencido de que há falhas que precisam ser resolvidas e defendeu que os gastos com a implantação do voto impresso são um investimento em segurança. “Não tem custo que pague uma fraude eleitoral. Porque quem frauda eleição é quem tem muito dinheiro para fazer isso. Então, você retira a possibilidade de uma representação mais ampla da sociedade brasileira. E já é muito restrita”. No mesmo debate, Diego Aranha observou, ainda, que há pontos centrais que podem ser usados para fazer fraudes em larga escala, afetando várias urnas. Ele disse, também, que a impressão do voto é uma ferramenta para fazer auditorias e para evitar manipulação dos dados. (Com informações do Portal de Notícias do Senado).

Autor(a): Nilton Pereira

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