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Escola desativada há mais de dez anos gera reclamação

Cidade Comentários 07 de maro de 2015

Prédio onde funcionava a Escola Municipal “Mauro Arruda” está abandonado. No local, há indícios de que área seja ocupada eventualmente por usuários de drogas. Moradora reclama da sujeira no local, o que o torna propício para a proliferação de doenças. Conselho de Educação desconhece situação. Secretaria afirma que há investimentos previstos para a infraestrutura das instituições educacionais locais.


Próximo à BR-414, rodovia que demanda à região de Pirenópolis, passando pela Base Aérea de Anápolis, fica o Jardim Promissão. De acordo com moradores, no bairro funcionava a Escola Municipal “Mauro Arruda”, desativada, ainda conforme os populares, à época do ex-prefeito Ernani de Paula. O ex-chefe do Poder Executivo apontou que o fechamento não se deu em seu governo. Questionado sobre o assunto Ernani de Paula respondeu: “Tenho certeza de que nunca desativei escola alguma”.
“Está tudo desse jeito aí. Quebrado, estragado”, declara Derlane Aparecida Patriarca, 54, costureira e dona de casa em que mora há nove anos em frente à antiga escola. O mato toma conta da construção e é possível observar lixo deixado por pessoas que passam pelo local. Cadeiras amontoadas em antigas salas de aula; vidros quebrados; fezes de animais; uma cisterna danificada; sinais de uso de drogas na localidade, embalagens de produtos de higiene corporal e cacos de garrafas completam o cenário de abandono. Para a moradora, o ambiente é propício à transmissão de doenças.
A sujeira do local incomoda a moradora. Mais do que isso. Ela lamenta a situação de abandono por parte do poder público, quando questionada se no prédio desativado a Prefeitura realiza algum trabalho de limpeza. “Não, nunca foi limpo. Quem limpa aqui é meu vizinho, porque ele tem medo. Sempre esse mato está aqui seco porque ele joga o ‘mata mato (produto para secar capim)’ aqui. Olha aqui a situação que está isso aqui. Então não limpa, está bagunçado”, reclama a costureira.
Por causa da situação no local, surgiu a ideia de realização do trabalho de limpeza pelos próprios moradores: “Eu até falei com o meu vizinho: nós podíamos juntar todo mundo e limpar o colégio. Porque faz um dó largar isso nessa situação”. Ela acredita que, para estão ação, “tem que ser o pessoal todo”, referindo-se aos seus vizinhos que, também, sofrem com a situação degradante do prédio. A imundície não é o único problema deste local que antes abrigava uma escola.
Relatos de barulho, gente correndo, indícios de que usuários de drogas utilizam as salas abandonadas fazem com que esteja cada vez mais longe a esperança de que a instituição de ensino que ali funcionava reabra. “Nós temos vontade que abra o colégio, faça alguma coisa para a gente aqui. É muito difícil desse jeito que está”, continua a moradora em tom de lamento e expectativa. Para ela, o apoio que nos últimos dias foi dado, por meio da história do local relatada pela mídia anapolina, pode ser uma última chance neste sonho da comunidade.
Culpados? “Já que (o prédio) é da Prefeitura, eu penso que a Prefeitura que poderia fazer alguma coisa para a gente aqui”, menciona. E segue com o relato, ao abordar a situação vivenciada por crianças da localidade que precisam tomar os ônibus escolares para ir até a Escola Municipal “Dr. Adhayl Lourenço Dias”. Esta é a instituição mais próxima, localizada no Bairro Santos Dumont. Em algumas situações, como quando o ônibus estraga, os alunos acabam ficando sem aula, o que, para Derlane Aparecida Patriarca, prejudica as crianças.
“Os alunos voltam todos para casa, porque não tem como ir para a escola também. Até chegar à escola, já está na hora do recreio”, evidencia. Ela afirma que uma das justificativas do poder público para que a escola não funcione mais é que a “Adhayl Lourenço Dias” já supre a demanda dos alunos. Mas, Derlane não se convence: “Deus podia tanto abençoar que abrisse, para a gente ver os netos, os sobrinhos da gente estudando aqui. É perigoso, arriscando o tempo todo nessa BR (414, para chegar à escola mais próxima). A gente arrisca de todo jeito, não é? Mas é criancinha de quatro anos, de cinco anos que está estudando. Então, eu acho que há alunos suficientes para essa escola”.
Secretaria
A secretária Municipal de Educação informou, por meio de mensagem eletrônica, que existe a perspectivas de que sejam erguidos novos prédios em locais onde funcionam escolas municipais antigas. “Já estamos com projetos em análise no FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, ligado ao Ministério da Educação) para a substituição de várias escolas”, afirma.

Conselho de Educação
A conselheira municipal de Educação e, também, coordenadora da comissão técnica de elaboração do Plano Municipal de Educação, Jorcilene dos Santos das Neves, desconhece a existência de prédios onde antes funcionavam escolas municipais e que estejam abandonados. Mas relata outro quadro. “O que nós estamos a dizer é que o município deixou a desejar na questão de manutenção da estrutura física das escolas durante muitos anos. Então, da década de 90 para cá, as escolas foram deixadas de lado. Não houve uma sistemática de manutenção dos prédios públicos das escolas da Rede Municipal”, menciona.
Ela entende que nos últimos seis anos, o Município iniciou um trabalho de reforma dos estabelecimentos estudantis “mas, ainda não conseguiu atender toda a demanda, porque ela é grande”. Jorcilene aponta um número “crescente de alunos” e destaca que “existe uma intensa demanda (por melhor espaço físico) das escolas municipais”. A professora apresenta a existência de “algumas escolas necessitando de manutenção, apesar de o município ter descentralizado as verbas (da Educação)”.
Segundo ela, atualmente, o Município repassa para as escolas públicas municipais verbas provenientes do Plano de Ações Financiáveis do Ministério da Educação, que, entre outros, traz verbas de manutenção de infraestrutura “mas, as escolas ainda não conseguiram totalmente a reforma, a ampliação”. “A maioria das escolas públicas municipais necessita, hoje, fazer uma reforma para acessibilidade (de pessoas com deficiência). Acessibilidade é uma questão para a qual as escolas ainda não se adaptaram”, atesta. E, acrescenta que a população, muitas das vezes, não colabora com a situação, ao citar que “a comunidade tem destruído” quadras e prédios de escolas. Para Jorcilene, “a comunidade tem que colaborar”.
Ainda, de acordo com a conselheira, alguns centros municipais de educação infantil (CMEI) e outras instituições que funcionam em prédios antigos precisam passar por uma reestruturação. Ela cita as unidades “Dona Íris Rezende”; “Cibele Teodoro Teles”; “Jandira Bretas”, “José Epaminondas Costa” e a Escola Municipal “João Luiz de Oliveira” que precisam ser, na verdade, demolidas e edificados novos prédios. “Mas, nós sabemos que isso demanda recursos, demanda estrutura”, relata.
Ao todo, existem cem unidades escolares da Rede Municipal de Ensino em Anápolis. Ela destaca investimentos do Poder Público no setor educacional, como o porcentual que é repassado para a Educação. De acordo com dados da Prefeitura, no último quadrimestre de 2014, o repasse foi de 29,53% sobre a Receita Corrente Líquida Municipal, acima dos 25% exigidos pelo Governo Federal. Mas, ela reconhece que, “apesar de o Município estar investindo”, “ainda não foi possível adequar toda a realidade”.
Para suprir a crescente demanda, seria necessário repassar 35% da receita, conforme considera a conselheira municipal de Educação. “Com o abandono que nós vivemos nas últimas décadas, hoje, Anápolis está caminhando devagar. Porque não tem condição de arrumar todas”, considera.

Situação “complexa”
A conselheira destacou dois setores educacionais no Município: a Educação Infantil e o Ensino Fundamental. A situação destas duas áreas é “complexa”, conforme pontuou, pois não depende somente da iniciativa local. O custo financeiro da infantil, conforme explicou, é superior ao que se gasta com o fundamental, pois demanda mais professores: “(A) situação da Educação Infantil passa, também, pela responsabilização do Governo Federal em disponibilizar mais verbas para o Município. Então, devido ao aumento no campo da Educação Infantil, devido às escolas terem sido abandonadas por muitos anos, não podemos dizer, hoje, que o poder público está desejar”.

Autor(a): Felipe Homsi

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