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“Equipe só será definida no mês de dezembro com avaliação da transição”

Política Comentários 03 de novembro de 2016

Prefeito eleito Roberto Naves analisa o resultado do pleito e fala sobre as suas expectativas para o cargo que irá assumir a partir do dia 1º de janeiro. Ele manda um recado para os especuladores sobre a formação da equipe


CONTEXTO - Que avaliação o senhor faz do resultado das urnas neste segundo turno?

FOBERTO NAVES - Gostaria de agradecer muito aos eleitores que depositaram na nossa pessoa a confiança para estarmos administrando Anápolis nos próximos quatro anos. A avaliação que faço é simples: nós preferimos mostrar para a sociedade anapolina que seria possível fazer uma campanha diferente das demais e, mesmo assim, obtermos a vitória. É difícil, mas é possível fazer uma campanha com pouco dinheiro, com poucas pessoas contratadas como cabos eleitorais, pessoas para segurarem bandeiras nas ruas, sem carreata e sem dar gasolina para ninguém. Pudemos, então, mostrar que isso é possível e que vale a pena. Teve um momento em que nós tivemos de avaliar se mudaríamos algo na campanha, mas eu disse que gostaria que ficasse da mesma forma. E assim foi e nós enfrentamos o prefeito (candidato à reeleição) João Gomes, o Antônio Gomide (ex-prefeito) e enfrentamos o PT. Então, tem de ficar bem claro isso aí: essa eleição foi uma eleição do novo, o Roberto, contra uma máquina.

CONTEXTO - Em relação à transição de governo. O senhor já definiu a comissão que vai estar à frente desta tarefa. Quem são essas pessoas e qual será o papel de cada uma delas?

ROBERTO NAVES - Eu escolhi para esta fase de transição o Geraldo Lino (ex-secretário de Planejamento), Luiza Cordeiro (ex-diretora de Recursos Humanos), Alex Martins (ex-diretor da Companhia Municipal de Trânsito e Transportes - CMTT) e Daniel Fortes (servidor da área de Infraestrutura e Habitação). É uma equipe reduzida que vai trabalhar em quatro eixos: um é a educação, que vai ficar por conta do Alex Martins; a área da Saúde será com a Luiza Cordeiro; o Geraldo Lino fará a transição da parte de gestão, planejamento e orçamento e o Daniel Fortes vai fazer a transição no que diz respeito à Pasta de Obras e o Plano Diretor. Agora, se me perguntarem: Por que você escolheu estas pessoas? É uma sinalização quanto à formação do secretariado? Não! Porque é uma questão de lógica, de inteligência. Se você vai fazer uma equipe de transição, primeiro você tem de escolher quem tem capacidade técnica; que tenha habilidade política e conhecimento da máquina para o período de transição, que é um período delicado. Então, por isso optei por estes quatro porque eles preenchem os requisitos e são pessoas ligadas a mim. Nós temos convicção de que dentro dos quadros dos partidos que nos apoiaram havia pessoas, também, capacitadas. Mas, a partir do momento que eu colocasse alguém de outro partido, já se poderia pensar que eu estaria beneficiando um partido em detrimento de outro.

CONTEXTO - O senhor foi eleito no primeiro turno com nove partidos, depois agregou outros cinco, incluindo o apoio dos ex-candidatos. Como o senhor pretende administrar esta questão na formação da sua equipe de governo?

ROBERTO NAVES - Eu já dizia isso durante a campanha: nós precisamos enxugar a máquina, diminuir o número de secretarias e diminuir o número de comissionados. Então, eu só posso pensar numa equipe para administrar a Cidade, depois que esta equipe de transição me der o “desenho” da atual Prefeitura. Em cima disso, vamos enxugar tudo o que for preciso e, a partir daí, os espaços que houver nós vamos procurar os parceiros para que eles apresentem os nomes, os currículos e a capacidade técnica de cada pessoa. Não vamos colocar alguém num cargo importante, de uma cidade importante como Anápolis, só porque o partido acha que tem de ser aquela pessoa. Tem que ter uma ligação e a capacitação para assumir um cargo de primeiro ou segundo escalão. Vamos, também, reduzir aquilo que é gasto no Gabinete do Prefeito e na propaganda, na Secretaria de Comunicação.

CONTEXTO - Quando deve sair a definição de nomes para compor o seu governo?
ROBERTO NAVES - Nós não vamos tratar disso agora. Primeiro, tem o trabalho da equipe de transição e é este trabalho que norteará a formação da equipe. Tem tido muita especulação, mas eu digo que não vou falar nada antes do dia 15 de dezembro e não tem ninguém autorizado a falar. Quem fala pelo Roberto é só o Roberto. Não foi ninguém contatado e ninguém foi convidado.

CONTEXTO - Em relação ao problema da água. A municipalização está mantida na pauta de prioridades da sua administração a partir do ano que vem?

ROBERTO NAVES - A verdade é que o contrato que tem hoje com a SANEAGO é nulo, não precisa ser rompido. O primeiro contrato com a empresa de saneamento foi assinado em 1972. Ela começou a prestar serviço em 1973, num contrato para um período de 25 anos. Este contrato venceu em 1998. Só que existe uma lei de 1993, que é a 8.666, a chamada Lei das Licitações, que diz que toda empresa contratada para prestar serviço público, onde não há o monopólio, só poder ser contratada por concorrência pública. E, quando chegou 1998, não foi feita uma concorrência, mas somente uma renovação de contrato e isso é ilegal. Então, o contrato, juridicamente, é nulo.

CONTEXTO - Que expectativa o senhor tem em relação à Câmara Municipal, que, agora, neste pleito, elegeu os seus novos membros. Que tipo de relacionamento o senhor espera ter com os vereadores?

ROBERTO NAVES - Vamos manter uma relação de muito respeito, de parceria. Todos nós sabemos as nossas responsabilidades e, à Câmara Municipal compete legislar e fiscalizar. Tenho certeza de que os vereadores são qualificados e vão desenvolver bem o seu papel. Nós tivemos uma renovação na Casa de 66% e estes, juntamente com os outros 34% que querem também o bem da cidade vão trabalhar por isso. Não vamos ter problema com a Câmara Municipal.

CONTEXTO - O senhor pretende trabalhar com o seu grupo, ou seja, com os partidos que o apoiaram para fazer a Mesa Diretora do Legislativo?

ROBERTO NAVES - Eu tenho dito que temos de colocar os interesses da Cidade acima dos interesses partidários e dos interesses políticos. A Câmara Municipal tem vida própria e terão de se acertar por lá e definir quem vai ser o Presidente e quem vai fazer parte da Mesa Diretora. Os vereadores têm qualificação e competência para isso.

CONTEXTO - A comissão de transição deve também trabalhar em cima do Orçamento que está em tramitação na Câmara Municipal, já que alguns projetos da futura gestão podem ter de contar com dotações orçamentárias?

ROBERTO NAVES - Na verdade, o orçamento já está quase pronto. O Prefeito João Gomes já adiantou bem esta parte, mas nós estamos dando uma olhada para ver se necessita de fazer alguma alteração e, se vier, será de bom grado, para que possamos nortear as ações que vão acontecer no ano que vem.

CONTEXTO - Hoje a Prefeitura já trabalha com um teto de pessoal já bem apertado, com mais de 48% de comprometimento da receita, muito próximo do limite prudencial que é de 51,30% e o limite máximo, de 54%. É uma questão que preocupa, já que talvez seja necessário fazer novas contratações para atender algumas demandas?

ROBERTO NAVES - Na verdade, a necessidade não é de criar, mas sim de cortar. Nós temos de redimensionar isso aí. Vamos reduzir o número de secretarias e, também, o número de cargos comissionados para fazer com que a folha de pagamento não represente tanto e tenha um impacto tão grande nas despesas do Município.

CONTEXTO - A proposta orçamentária, que prevê um montante de R$ 1,2 bilhão para o ano que vem. O senhor analisa que esta proposta se encaixa à realidade municipal?

ROBERTO NAVES - Este não é o grande problema. O orçamento é um instrumento para você prever o que vai gastar. Agora, se você não arrecadar você não gasta. Uma coisa é ter um orçamento e a outra é ter, efetivamente, o dinheiro para gastar. Vamos ter muito menos do que isso. A Cidade está arrecadando em torno de R$ 74 milhões por mês. Então, daria aí menos de R$ 900 milhões no ano. O orçamento é um parâmetro, é a previsão do máximo que você poderá gastar. Para chegarmos aos R$ 1,2 bilhão, nós teremos de arrecadar R$ 100 milhões por mês e isto não está acontecendo.

CONTEXTO - Uma preocupação quase que generalizada em Anápolis, é com relação ao desemprego. Este problema o assusta, o que pretende fazer em relação ao mesmo?

CONTEXTO - Não me assusta e nem me amedronta. Eu fico triste, porque tem cidades em condições até piores. Nós estamos passando por este desemprego porque as empresas querem vir, mas não conseguem se firmar aqui. Então, isso depende do poder público, em tomar ações rápidas. E nós, então, vamos ter de saber qual será o papel do Estado nisso aí. Se o Estado tem condição, então vamos fazer parceria. Se não tem, vamos buscar a iniciativa privada para termos o centro comercial e industrial. A população é que não pode sofrer com esta falta de emprego como está.

CONTEXTO - O senhor já está definindo uma agenda de visitas a Brasília, nos ministérios, em busca de recursos. Vai, também, fazer isto em relação ao Governo do Estado?

ROBERTO NAVES - Com certeza, quando as agendas casarem, o quanto antes, para que possamos estar levando a ele (Marconi) as demandas. Nós não podemos esquecer: Anápolis decidiu as últimas quatro eleições para o Governo do Estado e nós temos uma nova eleição daqui a dois anos. Então, nós precisamos saber qual é a importância de Anápolis no processo político e essa importância no processo político deve resultar em investimentos para a nossa Cidade. Também, vamos estar em Brasília visitando ministros, deputados e senadores que conhecemos e temos um bom relacionamento, para buscar apoio. E, no Palácio das Esmeraldas, porque sabemos que o Governador tem um carinho grande e já fez muito por Anápolis. Mas, sabemos, também, que Anápolis já deu várias eleições para o Governador e esta parceria precisa continuar, porque é uma parceria que deu certo.

CONTEXTO - E a proposta ecológico/ambiental para o Município de Anápolis. O senhor já tem em mente o que é mais necessário para este setor?

ROBERTO NAVES - Nós precisamos, primeiramente, cuidar dos nossos mananciais e das nossas nascentes. Acho que este é um ponto preocupante em Anápolis e precisamos, também, investir muito na educação ambiental, porque temos de nos preocupar com a formação das novas gerações e, ao mesmo tempo, precisaremos investir para a recuperação daquilo que já foi degradado. Recebi uma ligação do Senador Álvaro Dias, que é Ministro do Meio Ambiente e ele já se colocou à disposição para que a gente possa ir a Brasília em busca de recursos, de projetos e tratando dessa questão ambiental com mais seriedade.

CONTEXTO - Ao assumir o cargo, no dia 1º de janeiro, o senhor já elencou as medidas que seriam tomadas, digamos, em caráter emergencial ou prioritário nos primeiros meses da Administração?

ROBERTO NAVES - Não. Ainda não, porque dependemos do que a equipe de transição vai nos trazer, de como está a Prefeitura para que a gente possa, então, planejar a Prefeitura nos primeiros meses. Nós não podemos com ‘achismo’. Temos de trabalhar com dados concretos e quem vai me dar estes dados concretos é a equipe de transição.

CONTEXTO - Passada esta euforia da eleição, já caiu a ficha da responsabilidade que o senhor terá nas mãos durante os próximos quatro anos?
ROBERTO NAVES - Essa ficha caiu no dia em que resolvi ser candidato, porque não fui candidato achando que iria perder. Sabia que poderia ganhar ou perder, mas a disposição era de vencer e ser Prefeito de Anápolis e eu já tinha noção de quais eram os desafios, do tamanho da responsabilidade que seria. Por isso, me preparei e estou preparado para enfrentar os problemas da Cidade da melhor forma possível, para que a gente possa melhorar a qualidade de vida da população.

Autor(a): Claudius Brito

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