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ENTREVISTAWILSON DE OLIVEIRA: “Já me considero um grande vencedor por estar participando dessa eleição”

Política Comentários 21 de setembro de 2012

Candidato pela coligação União por Anápolis: Mais Transparência, Mais Resultados (DEM / PSDB / PSL / PV), o empresário Wilson de Oliveira acredita que apesar de o Prefeito Antônio Gomide (PT) estar bem avaliado nas pesquisas, é possível que a eleição no Município seja levada para o segundo turno. Na entrevista que segue, Wilson de Oliveira (DEM), fala sobre os seus planos para as áreas da educação; saúde, transito e transporte, dentre outras. Na sua avaliação, os recursos do Orçamento Municipal podem ser aplicados de forma mais eficiente para levar benfeitorias aos moradores dos bairros. Na área econômica, ele destaca o projeto para a implantação de um distrito industrial municipal.


O senhor é um empresário bem sucedido, um líder classista atuante. O que o motivou a se engajar nesse projeto de disputar a Prefeitura de Anápolis?

- O que me motivou no início foi o chamado dos próprios empresários da Cidade. Eu tinha um projeto já bem definido na política classista. Mas, fui chamado a esse desafio, pensei bastante e aceitei. Às vezes, nas entidades classistas, a gente consegue fazer muita coisa por Anápolis: conseguimos ajudar no desenvolvimento econômico atraindo investimentos, que se transformam em emprego, renda e qualidade de vida para os trabalhadores. Mas entendemos que, somente, através de um partido, você pode ser candidato e só através do poder, que você consegue mudar alguma coisa. Não há solução fora do poder. Então, resolvi aceitar o desafio para fazer mais por Anápolis, do que fazemos na política empresarial classista. Nós não entendemos porque muitas obras importantíssimas para Anápolis não têm à frente o líder, o Prefeito, que tem de puxar a sociedade, convocar os empresários e outros segmentos para ir a Goiânia e a Brasília reivindicar obras estruturantes e fundamentais para o nosso desenvolvimento. Então, através do poder nós podemos realizar as estratégias necessárias para Anápolis continuar sendo um dos municípios mais importantes do País.

Nós estamos caminhando para a reta final desta campanha eleitoral. Qual a leitura o senhor faz desse momento político, do quadro atual?

- Faço um balanço positivo. Temos um Prefeito bem avaliado, que é um candidato muito forte, então temos de fazer uma campanha de acordo com a estratégia que adotamos desde o início, que é divulgar as nossas ideias, projetos, fazer uma campanha ética, um debate de alto nível e realmente disputar as eleições em Anápolis para o bem da democracia. Nós pressupomos que numa democracia haja situação e oposição e é o povo que decide quem vai para a oposição e para a situação. O próprio Prefeito Antônio Gomide, que hoje é situação, já foi oposição. O povo o colocou no Governo e nós na oposição. Então é para isso que tem eleições livres, nós vivemos num estado democrático de direito e eu quero voltar a ser governo e quero que ele (Gomide) volte a ser oposição. Mas, é uma disputa no campo das ideias, uma disputa democrática. O balanço que eu faço até agora é muito positivo, por que é um processo muito rico, muito dinâmico e eu tenho aprendido muito como empresário, como cidadão. Como liderança classista, apenas, a gente vive num mundo muito diferente do que o mundo da política partidária. Essa é a primeira vez que participo de uma eleição. E até aqui, já me considero um vencedor, pelo que aprendi, por estar participando desse processo de muitas reuniões, entrevistas, debates, sempre discutindo o que é melhor para Anápolis. Estou bastante tranquilo, enfrento as urnas com a convicção de que já sou um vencedor. E, quem disputa uma eleição, sempre tem condição de ser eleito, não importa o quanto de pontos você tem nas pesquisas. A eleição é no dia sete de outubro.

O senhor acha que haverá segundo turno na eleição?

- Acredito que sim. Podemos ter segundo turno em Anápolis, por uma conta muito simples: tradicionalmente, nós devemos ter em torno de cinco por cento de votos em branco e cinco por cento de votos nulos. Aí, já são 10 por cento. Nós somos quatro candidatos, se cada um chegar a 10 por cento, nós teremos o segundo turno. Acredito que pelo trabalho que todos estão realizando, nós podemos chegar a isso. Então, acho que podemos sim, ter o segundo turno. Respeitamos as pesquisas, mas elas são uma foto daquele momento. No outro dia, já é um novo resultado, na outra semana, um novo resultado.

Nessa campanha, andando pelos bairros de Anápolis, qual a principal prioridade que o senhor destaca, principalmente, para atender as pessoas que estão nas regiões mais periféricas e que necessitam dos benefícios públicos?

- A principal carência da população, nos bairros está, principalmente, nas áreas da saúde e segurança. Mas, também, há muita coisa na área de infraestrutura urbana. Anápolis é uma cidade que tem 105 anos, tem instituições que lutaram muito pelo seu desenvolvimento e, por isso, é um dos municípios mais ricos e dinâmicos da região Centro-Oeste. Agora, eu entendo que é preciso levar essa riqueza para os bairros. Nós temos que aproveitar esse ciclo virtuoso que temos hoje em Anápolis com pleno emprego, baixa inflação e alta arrecadação. Isso tudo foi conseguido ao longo de vários anos de austeridade dos governos brasileiros. Mas, é preciso aproveitar essa arrecadação que a cidade tem, para melhorar a vida das pessoas nos bairros, principalmente, levando infraestrutura. Temos hoje a falta de coisas básicas como água e esgoto, sem falar em meio fio, postos de saúde e segurança. Acredito que Anápolis tem condição de melhorar muito a vida dos cidadãos nos bairros.

Um problema crônico que a população enfrenta hoje, diz respeito à questão do trânsito e do transporte. Quais são os projetos do senhor para esta área?

- Nós temos de tratar o trânsito com ideias novas, com criatividade e muita inovação. Nós temos que usar os recursos tecnológicos disponíveis. As pessoas consideram o centro da cidade uma passagem. A Rua Barão do Rio Branco e a Avenida Goiás funcionam como artérias. Eu tenho um projeto da Avenida Leste-Oeste, que vai desafogar essas duas vias. Eu tenho projeto para resolver o problema do trânsito no centro. Quem para lá se dirige, na maioria das vezes, vai para fazer compras. E se não encontra estacionamento, a pessoa não compra nada e o centro vai acabar morrendo, se transformando num grande problema. E o centro é um grande shopping a céu aberto. Precisamos que a Prefeitura assuma o seu poder de fiscalizar os estacionamentos. As pessoas não podem privatizar as suas calçadas e fazerem estacionamentos particulares. Tem que haver rodízio nos estacionamentos. Hoje, tem soluções que já vi em outras cidades que visitei, como Vitória, no Espírito Santo. São edifícios de garagens e que são muito simples, porque não precisam de nenhum acabamento. Há um elevador que sobe pelo meio do prédio e distribui os veículos nas vagas. Então, é uma coisa possível de fazer, aumentando o número de garagens no centro, incentivando os proprietários dos imóveis antigos dando isenção de ISS, de IPTU. Para resolver o problema do comércio e do trânsito no centro da Cidade, primeiro temos que resolver a questão do estacionamento.

E em relação ao transporte público? Qual é a proposta?

- Com a tecnologia que nós temos hoje, está tudo informatizado, os ônibus podem circular sem a necessidade de muitos terminais. Sempre tive um sonho que seria utilizarmos a parte inferior da Estação Rodoviária, para ser o Terminal do Transporte Coletivo. Aí, faríamos um corredor de ônibus pela Avenida Fayad Hanna até o atual Terminal, que podemos aproveitar revigorando o prédio da Estação Ferroviária, que tem de ser transformada numa área turística. A parte de cima do Terminal Rodoviário poderia abrigar um centro de convenções, para ser usado para eventos diversos e shows e a rodoviária seria deslocada para a BR, daí tira os ônibus interurbanos da cidade, melhorando também o trânsito.

Em relação à questão econômica, nós temos o Distrito Agroindustrial já com a sua capacidade quase esgotada. A cidade tem que continuar a atrair investimentos. Qual é a proposta que o senhor tem em relação a essa questão?

Nós temos dois projetos distintos. Vamos continuar reivindicando do Governo do Estado a ampliação do DAIA. É perfeitamente possível. Já foi detectado ali naquela região, um espaço com mais de 800 alqueires que podem ser anexados ao DAIA. É uma coisa que já está atrasada há muito tempo. Nós vamos cobrar, se o prefeito liderar as nossas representações políticas e classistas, essa liberação sai mais rápido. A ampliação do Distrito Agroindustrial é fundamental para a continuidade do nosso desenvolvimento, assim como a conclusão do Aeroporto de Cargas, para que possamos inaugurar a Plataforma Logística Multimodal de Goiás que está aqui em Anápolis. Em cima disso, nós já fizemos, inclusive, três viagens ao Estado do Amazonas para trazer para cá um entreposto da Zona Franca de Manaus. Então, são obras que não vamos descansar enquanto não vermos concluídas e, aí, inclui também o viaduto do DAIA, que já deveria estar pronto, pelo menos, há cinco anos. É uma coisa que não se explica. Agora, eu pretendo, caso eleito, no primeiro dia de governo, tirar do papel o anel viário, uma via que sai atrás da Hyundai e vai até à Churrascaria Catarinense. É uma obra pequena, com poucos recursos dá para fazer, está toda dentro de Anápolis. É uma obra que o Prefeito poderia ter feito, independentemente do Estado e nós já teríamos desafogado o trevo do DAIA e melhorado a vida do trabalhador. A segunda proposta é a construção de um distrito industrial municipal. Pretendo fazer na região de Bramápolis, onde está a AMBEV, que é a maior arrecadadora de tributos do Município e que está dobrando a sua capacidade, aumentando, ainda mais, a sua arrecadação. Então, nós podemos, ali naquela região fazer o distrito e não perder mais nenhuma indústria porque o DAIA não tem mais lugar. Não me venham falar que tem fila, por que indústria não fica em fila. Quando o empresário chega, ou você tem área, ou, não tem. Aí ele vai para Aparecida; Rio Verde; Itumbiara, Catalão. Todas as indústrias que não encontraram áreas no DAIA já foram para outros municípios e nós perdemos milhares de empregos e milhões em arrecadação. Então, pretendo corrigir essa distorção que está ocorrendo em Anápolis.

Na questão tributária, é possível também avançar em relação à política de incentivos para atração de investimentos?

- Claro. O Governo Estadual dá os incentivos e os municípios, também, praticamente dão o mesmo incentivo. Nós temos que oferecer áreas bem localizadas, terraplenagem e infraestrutura pronta, além de bons incentivos municipais. E, isso é importante por que o grande benefício que vem não é o faturamento dessa empresa, mas são os empregos que ela traz. Então, não se pode perder nenhuma indústria, pois isso reflete nos empregos dos jovens amanhã. Anápolis tem vocação comercial, logística e industrial e não se justifica um grande empreendimento deixar de se instalar aqui por falta de área. Não entendo essa política de maneira alguma.

O setor da saúde tem sido, ao longo dos anos, um grande desafio para os gestores públicos em Anápolis. O senhor, sendo eleito, o que pretende fazer para dar um melhor atendimento à população?

- A primeira medida é a gestão eficiente dos recursos. Eu sempre digo que o problema da saúde não é a falta de verba, é de gestão. As demandas são crescentes. Então, é preciso investir mais em saúde, principalmente na saúde preventiva. Eu tenho ideia de construir, pelo menos, mais um hospital municipal e dotar o atual com UTI’s e, pelo menos, 20 leitos para os idosos, além de melhorar muito o atendimento nos postos de saúde, melhorando a estrutura e os salários dos profissionais. E, ampliar o atendimento 24 horas, por que se a pessoa vai a um posto com uma gripe forte e não é atendida, daí a dois dias estará com uma pneumonia e estará na Santa Casa, no Hospital de Urgências ou na rede particular. O primeiro atendimento é fundamental. Eu acredito que dá para melhorar muito a saúde de Anápolis com a arrecadação que temos.

Em relação à área da educação, qual é a visão que o senhor tem para melhorá-la?

- Eu gosto de dizer que gostaria de fazer uma revolução na educação, principalmente na educação infantil, onde nós temos de promover a educação alimentar que não existe. Você chega à porta e já vê gente vendendo balinha; chocolate; salgadinhos, pipoca e outros produtos industrializados. Dentro da cantina é outra tragédia. Então, a criança que aprende a se alimentar mal, não será um adulto com saúde. Nós temos que fazer a educação para o trânsito a partir da pré-escola. Nós temos que ensinar às crianças a importância das leis de trânsito. E, também, introduzirmos as nossas crianças na educação financeira. As crianças e os jovens têm de entender de juros, para que não sejam explorados no futuro pelas financeiras, bancos e por tanto crédito fácil e barato que se oferece. E, ainda, a educação moral e cívica. Os nossos jovens precisam saber mais sobre política, para que possam escolher bem os seus representantes. Pretendo, se eleito, transformar o ensino em tempo integral, assim, as mães e pais terão tranquilidade para trabalhar. Nessa escola de tempo integral, você tem tempo para praticar esporte, ter cultura, arte, lazer e para fazer tarefa na biblioteca. Deixar os livros no colégio. Criança não deve andar com aquelas pastas pesadas. Você não leva nada de casa e não traz nada, porque o lar é um lugar de descanso. Então, acredito na escola de tempo integral e numa revolução na educação de nosso município.

O Município deverá alcançar muito em breve, um orçamento de um bilhão de reais. É uma cifra significativa, mas as demandas também crescem e é necessário equilibrar receita e despesa. O senhor acha que, hoje, a máquina administrativa está no ponto ou seria necessário reformar, reduzir o número de funcionários?

- Mais uma vez colocamos aí uma visão de empresário, uma visão administrativa e de gestão e inovação no setor público. Todo funcionário efetivo precisa, constantemente, de cursos, de incentivos, de plano de saúde, de melhoria salarial para prestar um serviço de qualidade à população. Os comissionados, também, são importantes para o Município. Então, nós temos de encontrar um ponto de equilíbrio. Hoje, nós temos, segundo números da Secretaria de Administração, 6.794 efetivos e 853 comissionados. Então, os comissionados são cerca de 15 por cento do funcionalismo. Nós precisamos de ambos. Quando você fala em arrecadação de um bilhão de reais, você tem de ter essa visão empresarial. Há poucos dias, vi o orçamento estadual: 70 por cento de gastos com a folha de pagamento, 20 por cento com a dívida do estado; 08 por cento com custeio e aí você fica com 02 por cento para investimento. Isso é o que não pode acontecer. Nós temos uma arrecadação crescente, mas nós temos que gastar esses recursos em melhorias para a saúde, para a educação, infraestrutura, habitação, segurança. É preciso otimizar os recursos e isso é o que o empresário sabe fazer. Nós aprendemos a viver numa economia globalizada, competitiva, onde temos que matar um leão por dia para sobreviver com essa carga tributária altíssima. Então, tenho certeza que com essa arrecadação crescente, é possível levar riqueza aos bairros e é possível governar para o bem comum. E é por isso, volto a dizer, que aceitei o desafio. Muitos fazem da política uma profissão. Eu já tenho a minha e quero entrar para trabalhar pelo bem comum. Não pretendo usar o poder nem para grupos empresariais, nem familiares, nem políticos. Quero chegar ao poder para governar para todos. Acho que é isso que está faltando: compromisso para com os mais pobres, os mais necessitados, aqueles que realmente precisam de uma representatividade. Temos que ter o pé no chão, porque administrar não é fácil, porque as despesas são constantes e a receita nem sempre é certa. Por isso, é preciso ter muito equilíbrio para administrar uma cidade do porte de Anápolis.

Autor(a): Claudius Brito

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