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Entrevista Irapuan Costa Júnior: “Vivemos num País com muitos abalos políticos”

Geral Comentários 14 de setembro de 2015

Um dos políticos mais influentes de Goiás durante mais de três décadas, retornou à Cidade para ministrar palestra sobre ideologia comunista que está na sombra do poder em países da América do Sul


O ex-governador; ex-senador, ex-deputado federal e ex-prefeito de Anápolis, Irapuan Costa Júnior esteve na Cidade, na noite da última quarta-feira, 09, para ministrar uma palestra a convite da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) e da FIEG Regional Anápolis, para um seleto grupo de lideranças políticas e empresariais. O tema abordado foi sobre a teoria do filósofo italiano Antônio Gramsci, cujo ideário vem sendo propagado no mundo e, de forma evidente, nos países da América do Sul, dentre eles, o Brasil, tendo como cerne o que ele apelidava de Filosofia da Pax, o que nada mais era do que o comunismo e meios de ação que foram detalhados em 33 cadernos escritos por Gramsci durante os anos em que ficou preso pela ditadura fascista à época instalada na Itália.


Antes da palestra, Irapuan Costa Júnior concedeu uma entrevista fazendo uma abordagem sobre o período de sua participação política e administrativa em Anápolis e em Goiás e a sua visão sobre o panorama atual da política brasileira. Segue a entrevista:


 


Quando foi Prefeito de Anápolis, na década de 70, o senhor montou um secretariado com pessoas consideradas bem sucedidas à época. Hoje, as equipes de governo, em qualquer esfera, são montadas mais por competência ou por influência política?


 


Irapuan Costa Júnior - Hoje é mais pela composição política que o governo, seja ele municipal, estadual ou federal precisa para ter a sua ação política. E isso, se não for feito com muito cuidado, acaba trazendo problema. Pode ser que um secretariado seja montado politicamente, mas não pode ser este o único critério. Tem que ser montado politica e tecnicamente. Quem vai ocupar uma função pública pode ser indicado por um partido, mas tem de ter uma formação compatível com a função que vai exercer. O que acontece muito hoje no Governo Federal é que não tomaram esse cuidado. Os partidos que apoiaram o ex-presidente Lula poderiam sim ser indicados, mas teriam de ser pessoas competentes.


 


Quando o senhor foi Governador, uma das ações voltadas para Anápolis foi a construção do Distrito Agro Industrial. Foi um presente para a Cidade. Mas, naquela época, houve alguma resistência à implantação do DAIA?


 


Irapuan Costa Júnior - Não encontrei resistência. Anápolis sempre teve uma vocação industrial, só que, até então, não tinha tido uma correspondência grande (em termos de investimentos), dos governos Federal e Estadual. E, o que fizemos foi ir de encontro a esta vocação anapolina e tivemos o apoio de todas as entidades e a prova que estávamos certos com aquela união é que hoje o que eu considero o distrito industrial mais bem estabelecido - não o maior - do Brasil.


 


Na época, o senhor também apresentou uma emenda constitucional na Assembleia Legislativa de Goiás, retirando o benefício da pensão vitalícia dos ex-governadores. Continua comungando este pensamento?


 


Irapuan Costa Júnior - Comungo. Esta pensão era constitucional, artigo 40 da Carta Estadual e dava aos ex-governadores, mesmo que tivessem exercido um período curto, o direito a uma pensão equivalente ao que percebe um desembargador do Tribunal de Justiça. E nós não achávamos justo, como não acho até hoje, uma pessoa que exercia a função ter a maior aposentadoria que poderia ter no Estado. E foi com muita tranquilidade que nós propusemos, então, a retirada deste artigo da Constituição do Estado e a Assembleia aceitou nossa proposta e revogou.


 


O senhor continua acompanhando a política anapolina e a política goiana, mesmo estando fora dela já há algum tempo?


 


Irapuan Costa Júnior - Eu acompanho à distância. Afinal, nós estamos vivendo num País que tem sofrido muitos abalos políticos e a gente se preocupa com os filhos e netos. Continuo acompanhando e torcendo para que tudo dê certo.


 


O que o senhor acha dessa questão do impeachment da Presidente Dilma Rousseff, que vem sendo debatida e é uma questão bastante controversa?


 


Irapuan Costa Júnior - Nós estamos vivendo uma situação tão difícil de corrupção e de incompetência, que qualquer coisa que aconteça, desde que aconteça dentro do quadro constitucional, dentro da lei e com certa pacificação, é melhor do que o que temos hoje, porque a expectativa de continuar um governo com três anos de recessão econômica e com desemprego, vai ser um preço muito alto para a sociedade brasileira pagar. Tem muitas famílias já prejudicadas pelo desemprego, pela quebradeira de empresas, as indústrias estão num processo difícil de recuperação. Então, acho que alguma coisa precisa acontecer e rápido.


 


O senhor vê algum cenário para que haja uma mudança próxima na economia do País?


 


Irapuan Costa Júnior - Infelizmente, não. Neste momento não vejo, a não ser que haja um impedimento e, por outro lado, nós sabemos que a oposição é fraquíssima. De modo que não existe no horizonte uma boa solução. Pode ter uma pequena melhora. E isso já não é de se jogar fora numa situação que estamos vivendo.


 


Tem alguns setores da sociedade que defendem a volta dos militares ao poder. O senhor, o que acha desta ideia?


 Irapuan Costa Júnior - Eu vivi isso. Os governos militares fizeram muitas coisas boas. Primeiro, os militares planejam, são organizados. Coisa que nós não vimos mais da década de 80 para cá. Um País do tamanho do Brasil gerido sem planejamento é dinheiro jogado fora. Segundo, foi uma época de muita honestidade. Nenhum militar e nenhum filho de militar no poder saiu rico. E, essas duas coisas são muito importantes. Mas eu acho que hoje, até do ponto de vista internacional, não há clima para isso mais. O mínimo poderia acontecer seria uma intervenção para colocar um pouco de ordem na casa e convocar eleição para daí a 90 dias.


 


O senhor veio a Anápolis ministrar uma palestra a respeito de um filósofo italiano que pregava o comunismo. Este tipo de manifestação aqui no Brasil e na América do Sul ainda é propagado, exerce influência?


Irapuan Costa Júnior - Eu faço esta palestra em vários lugares, porque acho muito importante este filósofo italiano que, no meu ponto de vista e de muitas pessoas que estudaram os sistemas políticos da década de 20, se mostrou muito mais inteligente que o próprio Karl Marx, do que Lênin e Trotsky, porque as previsões da luta de classes da teoria marxista não se realizaram. Em nenhum país, cumpriram o que prometeram de fazer uma sociedade afluente, rica, desenvolvida. Pelo contrário, a pobreza sempre se instalou com o regime comunista. E o que acontece é que o Gramsci, ao contrário dos outros filósofos da linha de Marx e Engels, foi muito competente em articular como chegar ao poder. Depois que chega ao poder, não faz milagre um governo que não valoriza a vontade individual. Entende o homem como um ser fundido na massa. E isso não é verdade, as pessoas têm as suas aspirações, pensam diferente, têm a sua vontade e o desejo de se realizar profissionalmente. Cada um de nós gosta de seus filhos, gosta de sua mulher de forma diferente. Então, o comunismo já demonstrou que não funciona. Mas, o Gramsci ensina como chegar lá. E o que ele pensou - e que hoje se faz de forma planejada - já aconteceu na Venezuela, na Bolívia e no Equador. No Brasil, já caminhou muito, numa ação organizada que começou em 1990. Então, eu estou dando um alerta para que nós possamos terminar com esta ação, antes que ela já produza mais estragos do que já produz.

Autor(a): Claudius Brito

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